Diálogos 21 (o último?)

Em Mudanças, de 27.12.15, apresentei as razões que me levaram aos Diálogos. Em Diálogos 1 – preâmbulo, de 10.1.16, iniciei a publicação dos diálogos escritos a partir de 29/3/82.

 

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 P2. CLAP, CLAP, CLAP, CLAP.

P1. Agradeço aos aplausos e considero a palestra encerrada. Boa noite!

 

P2. Por que noite? A palestra poderia ser realizada à tarde ou pela manhã!

P1. Minhas palestras para comunidades são realizadas sempre à noite.

P2. Ah! Se tomarmos a classificação acima aos acontecimentos no pós-guerra a coisa fica feia para os políticos em geral. O buraco para onde a economia mundial foi levada por eles e as soluções propostas e tentadas são uma triste prova de termos sido conduzidos por chefetes e gritões.

P1. Estamos em 1984, você já pensou sobre o futuro? Como as coisas se desenvolverão? O que existirá em alguns anos à frente? Como viverão as pessoas, quais serão as condições de vida, qual o relacionamento entre elas, qual a situação da sociedade? Você já pensou se o sistema consumista em que vivemos leva a a algum futuro, se é um modelo para muitos anos mais?

P2. Já. Mas continue.

P1. Quais as perspectivas futuras para um país como o Brasil ou para os países africanos mais desenvolvidos ou para a China, que começa a copiar os mais desenvolvidos? Como brasileiro analiso o nosso caso. Esquecido o passado, já que não adianta chorar o tempo perdido, a situação atual poderia ser considerada pouco aceitável. Acrescido o fato de o país estar endividado até o limite, parece-me interessante aproveitar o momento e tentar transportar o país do final do século 19 para o final do século 20, onde cronologicamente já estamos. A forma de implantar mudanças, porém, deve ser progressiva como se pretendeu implantar a democracia, porém com sensibilidade e capacidade de análise dos seus efeitos. Exatamente o contrário do que está sendo feito com a democracia.

P2. Para tanto, precisaríamos de um líder no comando, ou pelo menos de um bom chefe. Alguém com capacidade, sensibilidade e coragem, mas com ambições apenas históricas, satisfeito apenas com o oferecido pelo cargo.

P1. Tal estadista deveria escolher uma equipe de assessores que queiram e possam apenas ser, e deixá-los ser. Cada um dos assessores deve ter afinidade com a área de ação ou então capacidade suficiente para familiarizar-se com a sua área de atuação. Paralelamente deve-se permitir ao povo participar das decisões a serem tomadas, na medida em que se use adequadamente os meios de comunicação para mantê-lo devidamente informado e esclarecido. Sendo cada assessor responsável pela sua e apenas a sua área e existindo um plano de governo, que deve ter levado o estadista à sua posição por meio de eleições, a probabilidade de se obter resultados aceitáveis é boa.

P2. Como faremos para iniciar o processo em meio da confusão absoluta de leis, decretos, decretos-lei e tudo o mais?

 

E a reta final da tese de doutorado calou os dois debatedores.

Durante o período entre meados do ano de 1984 e o final de junho de 1985, tudo o que fiz foi finalizar cálculos, redigir e revisar o escrito em alemão e, com a ajuda de Roberto Campanelli, que fez a maioria dos desenhos e de Werner Braitsch, que fez a adequação final do redigido para a língua alemã, depositei a tese ao início de julho de 1985. Em tempo para saber que a apresentação somente poderia acontecer ao início de 1986.

Voltamos para o Brasil ao final de julho de 1985. Iniciei as aulas em agosto. Voltei para Munique ao final de janeiro e apresentei o trabalho na primeira semana de fevereiro de 1986. Retornei ao Brasil ao final de fevereiro e não mais tive a oportunidade de dialogar com P1 e P2.

 

Hoje, 5.3.2019, setenta e um ano completos, aposentado quatro dias por semana, talvez volte a dialogar com P1 e P2, ambos em condições idênticas às minhas. Preocupa-me apenas o fato de eles, como eu, estarem mais críticos e radicais do que éramos há cerca de 35 anos. Conseguirei suportar-nos?

 

Continua ?

 

Nota: Em algumas frases são referenciadas situações políticas, trajes, comportamentos e posturas típicas da época em que os diálogos foram escritos, primeira metade da década de 1980. Algumas delas tornaram-se moda, como barba mal aparada, uso de óculos Ray-Ban, governantes incompetentes. Outras, como bons modismos, desapareceram com o passar do tempo ou passaram a ser aceitos devido às mudanças de costumes.

 

Saúde e alegria a todos

Diálogos 20

Em Mudanças, de 27.12.15, apresentei as razões que me levaram aos Diálogos. Em Diálogos 1 – preâmbulo, de 10.1.16, iniciei a publicação dos diálogos escritos a partir de 29/3/82.

 

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  … A AIA, Associação do Incapazes Anônimos, tem a honra de poder trazer-lhes a aplaudida palestra “Classificação da liderança política mundial”, proferida pelo renomado pensador e filósofo P1.

P1. Agradeço encarecidamente a calorosa recepção a mim oferecida e, inebriado pela honra do prestigioso convite e sem mais delongas, inicio:

  1. Homens de estado – aqueles que conseguem agir ao se antecipar aos acontecimentos e, assim influenciá-los, parcial ou completamente, antes da sua ocorrência;
  2. Políticos de nível – aqueles que conseguem reagir aos acontecimentos em tempo de atuar sobre suas consequências;
  3. Políticos – aqueles que reagem às consequências dos acontecimentos a tempo de tentar explica-los;
  4. Políticos normais – aqueles que reagem a fatos gerados pelas consequências dos acontecimentos com as palavras: Tenho plena confiança na capacidade de sacrifício de nosso povo;
  5. Políticos normais metidos a militares – aqueles que reagem a tudo com demonstrações de pretensa força objetivando encobrir as próprias fraqueza e incompetência;
  6. Militares metidos a líderes populares”.

P2. Faltou explicar o item 1. Militares metidos a líder popular.

P1. Impossível. Nem eles mesmos conseguem se explicar.

P2. Obrigado.

P1. Alguém mais na plateia teria perguntas?

P2. Alguém mais quem? Eu sou o único aqui.

P1. De forma alguma. Eu jamais apresentaria uma palestra para apenas um participante. Vou mais longe. Ninguém jamais me convidaria para uma exposição a apenas uma pessoa.

P2. Você mesmo se convidou e se apresentou!

P1. Detalhes insignificantes e além disso o tema da palestra é outro. Perguntas?

P2. Sim. Seria possível enunciar alguns exemplos?

P1. Sem dúvida! Nos itens 1. Homens de estado, 2. Políticos de nível e 3. Políticos, não existem exemplos vivos hoje (1984). Nos demais itens, hoje temos: 4. Políticos normais – Helmuth Kohl (Alemanha Ocidental), François Mitterand (França); 5. Políticos normais metidos a militares –  Ronald Reagan, (EUA), Margareth Tatcher (Reino Unido); 6. Militares metidos a líderes populares – a triste maioria. Mais perguntas?

P2. Eu estou só aqui, mas deixa para lá. Tal classificação restringe-se a chefes de estado ou de governo?

P1. Jamais! Não devemos nos esquecer que todo político ou dirigente de qualquer coisa, por mais insignificante, considera-se um líder. A classificação é válida para todo e qualquer líder.

P2. Então seria mais interessante generalizar a classificação. Se o prezado palestrante me permite, sugeriria as seguintes mudanças:

  1. Homens de estado Líderes – aqueles que consegue reagir antecipar-se aos acontecimentos e, assim influenciá-los, parcial ou completamente, antes da sua ocorrência;
  2. Políticos de nível Chefes – aqueles que conseguem reagir aos acontecimentos em tempo de atuar sobre suas consequências;
  3. Políticos Subchefes – aqueles que reagem às consequências dos acontecimentos a tempo de tentar explica-los;
  4. Políticos normais Chefetes – aqueles que reagem a fatos gerados pelas consequências dos acontecimentos com as palavras: Tenho plena confiança na capacidade de sacrifício de nosso povo;
  5. Políticos normais metidos a militares Gritões – aqueles que reagem a tudo com demonstrações de pretensa força objetivando encobrir as próprias fraqueza e incompetência;
  6. Militares metidos a líderes populares Ridículos.

Mais uma pergunta: Significa essa classificação a colocação de todos os militares na categoria 6.?

P1. Concordo com as sugestões, agradeço-as e adoto-as. Quanto à pergunta, NÃO. Algum dia, certamente, aparecerá novamente, em algum lugar da Terra, um militar também homem de estado, digo líder, ou chefe ou subchefe …

P2. CLAP, CLAP, CLAP, CLAP.

P1. Agradeço aos aplausos e considero a palestra encerrada. Boa noite!

continua

Nota: Em algumas frases são referenciadas situações políticas, trajes, comportamentos e posturas típicas da época em que os diálogos foram escritos, primeira metade da década de 1980. Algumas delas tornaram-se moda, como barba mal aparada, uso de óculos Ray-Ban, governantes incompetentes. Outras, como bons modismos, desapareceram com o passar do tempo ou passaram a ser aceitos devido às mudanças de costumes.

 

Saúde e alegria a todos

Diálogos 19

Em Mudanças, de 27.12.15, apresentei as razões que me levaram aos Diálogos. Em Diálogos 1 – preâmbulo, de 10.1.16, iniciei a publicação dos diálogos escritos a partir de 29/3/82.

 

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 P1. … Os ministros do Interior e da Justiça queriam ser presidente da República. Os demais são apenas figurantes. Nesse meio composto por homens que não são, mas gostariam de ser, ou que são o que não queriam ser, as consequências são claras e ruins.

O do Planejamento queria ir e foi. O da Agricultura trocou de posto e para a Agricultura foi um que não deveria ir. O da Fazenda não conseguiu o que queria e, querendo ir, foi. Para a Fazenda foi outro que não deveria ter ido. O da Previdência Social financiou a sua eleição com dinheiro público e tornou-se o que queria ser. O da Agricultura, Fazenda e Planejamento desistiu de ser governador e dedicou-se a afundar o país. O da Justiça tentou mostrar saúde e acabou enterrado. O novo da Justiça, cotado para dar peso ao PDS em Minas Gerais, mostrou total incapacidade, sequer conseguindo notar concentrações de centenas de milhares de pessoas.

O ministro do Interior luta para ser presidente, assim como o das Minas e Energia luta para esconder as orelhas e o da Indústria e Comércio luta para ser notado.

Enfim, como ninguém queria o que recebeu, o Brasil recebeu o que não queria.

P2. Eu não queria cortar a sua exposição, mas o nome do presidente é João Figueiredo, porque João sem cara?

P1. Parece-me inadequado dizer que alguém não tem vergonha na cara. Tal julgamento é muito relativo. O que é justo para mim pode não ser para outros. Assim, se alguém não tem cara, falta como atestar a existência de alguma coisa nela.

P2. Li algum dia em uma Isto É, que o presidente considera ato de homem de estado manter o mesmo ministério. Neste momento lembrei-me de outro general homem de estado, o general Médici, pai do milagre brasileiro, ou tio afastado dele. Ele sempre respondia a perguntas sobre mudanças de ministério com a máxima futebolística: “Time que ganha não se muda”. O João não muda o time apesar da absoluta falta de vitórias. O que significa jamais mudar o time, independentemente dos resultados.

P1. Aí está a solução para os times de futebol semifalidos. Para que pagar reservas? Para que ter reservas?

P2. Para casos de contusão. Veja os exemplos Simonsen, Richibiter, Portela e outros. Além disso os reservas também precisam viver.

P1. Reservas para cá, titulares para lá, tudo muda e nada se altera. Se até há pouco o Brasil parecia perdido como cego em tiroteio, hoje as coisas se complicaram tanto que o Brasil parece estar perdido em um tiroteio de cegos.

P2. Não só o Brasil, o mundo está assim. Não existe liderança em lugar algum, todos reagem como carneiros ao ouvir uivos de lobos; disparam em qualquer direção e todos juntos. Isso acontece com todos, seja com os comandados pelas múmias ocidentais ou com os comandados pelas múmias moscovitas.

P1. Por pura falta de líderes e lideranças. Agora identificaremos e classificaremos os vários tipos de líderes políticos.

Prezados leitoras e leitores, senhoras e senhores, damas e cavalheiros, moçoilas e mancebos; respeitável público. A AIA, Associação do Incapazes Anônimos, tem a honra de poder trazer-lhes a aplaudida palestra sob título “Classificação da liderança política mundial”, proferida pelo renomado pensador e filósofo P1.

 

continua

 

Nota: Em algumas frases são referenciadas situações políticas, trajes, comportamentos e posturas típicas da época em que os diálogos foram escritos, primeira metade da década de 1980. Algumas delas tornaram-se moda, como barba mal aparada, uso de óculos Ray-Ban, governantes incompetentes. Outras, como bons modismos, desapareceram com o passar do tempo ou passaram a ser aceitos devido às mudanças de costumes.

 

Saúde e alegria a todos

Diálogos 18

Em Mudanças, de 27.12.15, apresentei as razões que me levaram aos Diálogos. Em Diálogos 1 – preâmbulo, de 10.1.16, iniciei a publicação dos diálogos escritos a partir de 29/3/82.

 

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… Passaram-se exatos 21 meses.

 P1. Voltando ao problema da ignorância e da incapacidade. Se a incapacidade do rei é provada apenas após a coroação, deve-se, pelo menos, tentar expô-la. Esse negócio de se ficar aceitando fatos consumados só acarreta catástrofes maiores. Pode-se arriscar o pescoço tentando brigar com o rei e seus lacaios, mas é a única forma se tentar mudar alguma coisa. O único fato consumado é a morte, e mesmo assim não absolutamente consumado, pois sempre existe uma segunda chance.

P2. É o caso do que escreve. Passou boa parte da vida protestando para si e para os próximos sem jamais levantar a voz a um tom audível. Como quem pensa, mas não fala, não pensa e da mesma forma, quem não aceita mas cala é a favor, só se conclui ter ele sido sempre a favor, apesar de jamais ter concordado.

Mas assim, vamos voltar a assunto já discutido há algum tempo: justifica brigar com moinhos de vento para defender a pureza do poluído?

P1. Não. Mas justifica lutar para o poluído ser tornado mais limpo. Caso contrário não se poderá lamentar jamais. Não basta ser um bom cidadão, ciente de suas obrigações, honesto, votante assíduo, enquanto o mundo desaba em volta. Sem dúvida é confortável, enquanto o mundo não desabar. E então?

P2. Uma bela pregação, mas onde isso acontece? E, quando enfim acontece, resolve alguma coisa?

Eu mesmo respondo. Jamais aconteceu, assim não se sabe se resolve.

P1. Isto significa, então, estar na hora de acontecer. O Brasil chegou perto, apesar da enorme distância, mas os tais coordenadores e incentivadores da campanha “diretas já” não foram honestos o suficiente. Faltou-lhes (parece=me à distância) esclarecer aos manifestantes que tanto eleições diretas para presidente, como também o novo presidente, seja quem fosse, iriam mudar muito pouco. É triste ler uma entrevista de morador de São Miguel Paulista dizendo que depois da eleição direta viria a felicidade. Não virá, pois as eleições serão indiretas e não viria se as eleições fossem diretas. A situação brasileira só poderá ser alterada muitos anos depois do início da implantação de mudanças profundas.

P2. Cuidado, ó meu, reformas profundas soam sempre como comunizantes. Na verdade, há muito pouco a reformar; há muito a formar. É impossível refazer o que não existe. Na verdade, falta alguém decente o suficiente para repetir a promessa de Winston Churchill aos ingleses em seu discurso de posse como primeiro ministro ao início da segunda guerra mundial: “Nada tenho a oferecer senão sangue, trabalho, lágrimas e suor”.

P1. Permanecendo no exemplo brasileiro. Talvez se houvesse um governo federal e governos estaduais, com ministros e secretários etc., as coisas até corressem melhor. O governo do João sem cara; vivia escondido atrás de óculos escuros; começou muito mal. O presidente não queria ser presidente e a partir do dia da posse começou a contar os dias faltantes para o final de mandato. Os ministros, porém, queriam e muito. O ministro da Agricultura queria ser governador de São Paulo, o da Previdência Social queria ser governador do Rio Grande do Sul, o ministro da Indústria e Comércio queria ser ministro da Fazenda, o da Fazenda queria (parece) ser decente, o de Planejamento queria cair fora. O ministro da Minas queria apenas ser ministro e, tendo conseguido, descansou (admitindo-se ser ele capaz). Os ministros do Interior e da Justiça queriam ser presidente da República. Os demais são apenas figurantes.

Nesse meio composto por homens que não são, mas gostariam de ser, ou que são o que não queriam ser, as consequências são claras e ruins.

 

continua

 

Nota: Em algumas frases são referenciadas situações políticas, trajes, comportamentos e posturas típicas da época em que os diálogos foram escritos, primeira metade da década de 1980. Algumas delas tornaram-se moda, como barba mal aparada, uso de óculos Ray-Ban, governantes incompetentes. Outras, como bons modismos, desapareceram com o passar do tempo ou passaram a ser aceitos devido às mudanças de costumes.

 

Saúde e alegria a todos

Diálogos 17

Em Mudanças, de 27.12.15, apresentei as razões que me levaram aos Diálogos. Em Diálogos 1 – preâmbulo, de 10.1.16, iniciei a publicação dos diálogos escritos a partir de 29/3/82.

 

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A publicação de Diálogos 16 aconteceu no dia 21.8.16. Diálogos 17 está sendo publicada em março de 2019, três anos depois. E, nesta mesma data serão publicados os Diálogos 18, 19, 20 e 21, com isso encerrando a série escrita entre 1982 e 1984. Aos poucos leitores, minhas desculpas pelo longo intervalo.

 

 P2. Foi só um exemplo. Infeliz, mas um exemplo.

P1. Passa.

P3. Por mim também.

P2. Desculpem, desculpem. Desculpem.

P1. Qual a sua opinião sobre as conversas com o Raabe?

P2. E a sua? A minha é a seguinte: A mulher do que escreve á sabia!

P1. Concordo. O comentário dela de que “ele terá o fim de semana para pensar q em alguma coisa”. Foi preciso e infalível.

P2. Mesmo na terça ele não saiu convencido.

P1. Apenas deixou barato.

P2. Você percebeu que o definido ao início dos diálogos não tem sido cumprido? Estamos escolhendo temas ao invés de deixá-los vir ao sabor das ondas.

P1. É verdade, mas você já experimentou ondas para conhecer-lhes o sabor?

P2. Como assim? Onda não se come ou bebe. Pelo menos nesse caso. Larga de bobagem, até parece que falta assunto!

P1. Tanto falta que demorou um tempão para voltarmos a papear. Parece que o que escreve anda pouco criativo.

P2. É a fase. Ele agora resolveu trabalhar sério e só consegue pensar no trabalho. A época das frustrações e do tempo livre para deixar a imaginação solta acabou. Ou pelo menos entrou em recesso. Ele esqueceu do Raabe, isto é, só se dedica a massacrá-lo com panfletos, decalques, charges e coisas parecidas.

P1. Ele vive agora o período de artista gráfico esporádico.

P2. E é bom que dê duro mesmo, assim a gente cai fora logo desta terra e deste instituto.

P1. Antes que o instituto desapareça e nos leve junto.

P2. Você viu a filosofia do que escreve hoje à tarde? Aquela “Die Idioten sind nie schuldig” (os idiotas jamais serão culpados) foi muito boa. A ideia é perfeita. Quem desconhece jamais poderá ser considerado culpado do que quer que seja.

P1. Pode-se dizer que a ignorância absolve. Mas mesmo assim é perigoso. Fica-se sempre ante a escolha ou a alternativa entre o que é ignorância, desconhecimento ou o que é desleixo, desinteresse. Por outro lado, pode-se tentar encaixar no termo ignorância a incapacidade ou a incompetência, o que levaria à impunidade absoluta. O que não ignora, mas é incompetente, também estaria absolvido.

P2. Mas o incompetente consciente jamais será um ignorante. Ele será desonesto, trapaceiro ou coisa que o valha, mas jamais ignorante ou idiota. Mesmo assim fica difícil tornar concretos tais adjetivos um tanto abstratos. Sob quais condições pode-se definir ou taxar alguém de ignorante, idiota, incompetente etc. Há necessidade de uma convivência longa e próxima com a pessoa para poder ser concluído algo a respeito. E quando o material coletado se revela suficiente para a classificação, a pessoa deixou o círculo ou atingiu uma posição tal que não mais é possível a classificação alcançá-la.

P1. Isto é, quando é provada a incapacidade do rei, ele já está coroado. Ou enterrado. Trágico, mas real. E o que fazer? Tentar conspirar contra o rei ou deixa-lo em paz no túmulo? Mostrar aos seus vassalos as provas obtidas? Difícil de se decidir, mesmo sabendo que poucos acreditarão em um possível futuro aristocrata ou mesmo possível futuro rei.

P2. Solução existe. Ridicularizar o rei, na sua ausência, e ir levando. De vez em quando umas alfinetadas no lombo do rei e mais não é possível.

… Passaram-se exatos 21 meses.

continua

 

Nota: Em algumas frases são referenciadas situações políticas, trajes, comportamentos e posturas típicas da época em que os diálogos foram escritos, primeira metade da década de 1980. Algumas delas tornaram-se moda, como barba mal aparada, uso de óculos Ray-Ban, governantes incompetentes. Outras, como bons modismos, desapareceram com o passar do tempo ou passaram a ser aceitos devido às mudanças de costumes.

 

Saúde e alegria a todos

O futuro a Deus pertence 4.3

Escrito em 1981

A segurança nacional voltou a ser ameaçada, não mais pelos opositores internos ou por potências estrangeiras. A maior ameaça à segurança nacional tornou-se o próprio governo.

E agora? O futuro a Deus pertence!

Escrito em 2016

E Lula, finalmente, venceu o primeiro turno. E venceu em todos os estados da União, exceto em Alagoas, no segundo turno. Venceu pela primeira vez e pela primeira vez com coligações conchavantes ou conchavos coligantes.

Os bons ventos continuavam a soprar sobre Bral-Búrdia. E o governo populista partiu para projetos faraônicos. Transposição do Rio São Francisco: projeto abandonado, reiniciado, abandonado; situação atual, sei lá. Construção de um porto em Cuba. Construção de uma estrada inútil interligando Brasil e Lima, Peru; inútil para a pretensa destinação de sua construção.

E as bolsas cresceram. Há desigualdade social, crie-se uma bolsa federal dentro do conceito “bolsa hoje, voto amanhã” “clientelismo hoje, voto amanhã”. As crianças terminam a escola obrigatória não alfabetizadas? Quotas universitárias nelas; “quota hoje, voto amanhã”. O direito ao certificado universitário inútil! O conceito, eleitor enganado, voto contado, levado ao extremo.

Nos foros internacionais Lula detonava. Afinal era um homem humilde que chegou ao posto mais alto de seu país. Internamente o comportamento de alguns governistas da coligação deixava transparecer o uso de formas escusas de obter apoio, através da compra de votos, no caso chamado de Mensalão (2005 – 2006) (3).

O primeiro reinado de Lula I, o único, chegou ao fim com a plateia aplaudindo e pedindo bis (4).

E o bis se fez. Candidatos em 2006, muitos, como sempre, afinal o pluripartidarismo atesta e solidifica a democracia e colabora com a conta corrente dos donos dos minipartidos. Para o segundo turno foram Lula, pela quinta vez candidato e Geraldo Alckmin, paulista de São Paulo, médico, vereador, secretário e prefeito de Pindamonhangaba, governador de S. Paulo, Secretário de Estado, jovem demais à época para ter tido envolvimento com a revolução de 1964, chato de se ouvir e inexpressivo, o antagonista perfeito para Lula vencer.

E Lula venceu o segundo turno.

O mundo recebeu ventos terríveis. De novo o maldito petróleo? Não, agora foram os bancos, os verdadeiros donos do mundo. E a brincadeira de multiplicar o investimento não deu certo. O banco A comprava do banco B e vendia a mesma coisa ao banco C, que vendia ao banco D etc. O mesmo produto era comercializado múltiplas vezes a preços crescentes. Os agentes enriqueciam com a participação nos lucros hipotéticos. Países tornavam-se paraísos econômicos. Um dia alguém quis o dinheiro, não apenas a transferência da dívida. E tudo desmoronou. Países faliram; empresas sérias, mas nem tanto, faliram; bancos faliram. A economia mundial entrou em crise. Lula disse: “Isto não é um tsunami, é uma marolinha para o Brasil”. E a economia bral-burdiana se recuperou com o incentivo ao consumo: compre o seu carro zero em 80 (oitenta) prestações mensais que cabem no seu bolso. E a economia bral-burdiana se recuperou com investimentos chineses: vende-se também a Bral-Búrdia em suaves prestações mensais.

E o país se mantinha estabilizado. Uma massa enorme de brasileiros saiu da pobreza. O número de brasileiros com emprego crescia. O apoio aos menos favorecidos crescia. Todos felizes, ou quase.

E Barack Obama chamou Lula de “O cara, o político mais popular da Terra”. E Lula, de dedo em riste, respondeu a Obama (não é possível ouvir o que foi dito) (5).

Em 2009, ventos duvidosos começam a soprar da Polícia Federal em direção a Brasília. E ameaçam balançar Bral-Búrdia. A Polícia Federal inicia investigações relacionadas a lavagem de dinheiro por um deputado de Londrina, Paraná. Aparentemente nada muito fora do normal.

Em 2010, eleições. Candidatos os muitos de sempre, afinal o pluripartidarismo … De um lado, pela impossibilidade de uma segunda reeleição do Criador, a sua Criatura, Dilma Rousseff, gaúcha de Minas Gerais, apresentada como pessoa capaz, de liderança inconteste, economista quase doutora (7), mãe do PAC, Programa de Aceleração do Crescimento, perseguida e torturada durante a revolução de 1964. Do outro lado, José Serra, inspirado nas três tentativas frustradas de Lula, partia para a sua segunda tentativa, abandonando mais uma vez um posto de governo em São Paulo para se candidatar à presidência.

Com o apoio de Lula e a máquina do Governo Federal ao seu lado, não havia chance para Serra; jamais haverá. E ele perdeu pela segunda vez.

E lá se foi Dona Dilma. Talvez o seu maior legado do primeiro mandato tenha sido a criação de uma palavra nova na língua portuguesa. Ela passou a exigir ser chamada de presidenta. E se perpetrou mais um massacre na língua portuguesa. As trapalhadas de Dona Dilma estão registradas na Internet, em livros e também já foram abordadas neste blog em Era uma Vez e Era uma Vez, outra vez.

O clientelismo populista personificado pela gastança desenfreada somado aos ventos econômicos ruins soprando pelo mundo, em particular na China, levavam a economia brasileira a uma situação perigosa. Mas, por ser ano eleitoral, mentiu-se, para variar.

Os ventos ruins internos de 2009 se intensificaram e, em 2013 se transformaram em furacão. Ventos terríveis que permanecem até hoje e que muitos consideram ventos bons. São os ventos da oportunidade oferecida para Bral-Búrdia tornar-se um país íntegro. Em 2013, a investigação iniciada em 2009 identificou quatro doleiros atuantes em lavagem de dinheiro e, deles, chegou-se à identificação de um esquema imenso de corrupção nos altos escalões de Brasília, tendo como fonte principal de espoliação a Petrobrás (6). A Operação recebeu o nome de Lava-jato.

Antes que eu esqueça. E o país ia seguindo em frente. Comprava-se o que não se precisava, exportava-se a matéria prima para adquiri-la industrializada, incentivava-se a industrialização importando indústrias, investia-se em conhecimento copiando modelos externos, etc. etc.

Em 2014, nova eleição. Candidatos, muitos. No segundo turno a presidenta de um lado e adivinhe quem. Quebrou-se a regra, nem Serra, nem Alckmin; Aécio Neves, mineiro de Minas Gerais, economista, parente do presidente que salvaria o país, mas não tomou posse, Tancredo Neves, deputado federal, governador de Minas Gerais e pouco convincente ou, talvez, insípido, insoso e inodoro.

E Dilma venceu com 51,6% dos votos contra 48,4% para Aécio Neves. A divisão dos votos foi clara. Sul, Sudeste exceto Minas Gerais e Rio de Janeiro somados a Acre e Roraima deram maioria a Aécio. Norte e Nordeste, Minas e Rio de Janeiro apoiaram Dilma. Aécio perdeu em seu próprio estado.

O novo governo Dilma começou mal, evoluiu para péssimo e chegou a um pedido de impedimento para a presidenta ao final de 2015. Tantas trapalhadas e jogadas ilegais teriam consequências. Se não fosse por isso, ela deveria sofrer “impeachment” pelo final inacreditável de sua entrevista após a abertura dos trabalhos da ONU em setembro de 2015, quando ela sugeriu pesquisas para se guardar o vento em movimento e, com ele, movimentar usinas eólicas quando necessário (acessar Dilma e o vento no You Tube; há muitas coisas boas lá).

A economia afundou, a inflação voltou a crescer. O número de desempregados cresceu, muitos dos que haviam saído da pobreza durante o reinado de Lula, o criador, voltaram à pobreza no reinado de Dilma, a criatura. As pessoas voltaram a falar, falar, falar e ninguém a ouvir. Em maio de 2016 a presidenta foi afastada e o vice-presidente passou a exercer interinamente a presidência.

Face à possibilidade iminente de passar a exercer interinamente a presidência, até o julgamento do impeachment da presidenta pelo Senado de Bral-Búrdia, o vice-presidente antecipou e negociou a formação de um ministério com menos ministros, porém qualificados. Dois dias após a posse de seu ministério, o interino teve de trocar dois ministros por acusações de corrupção e participação no esquema Lava-jato. Um terceiro já se foi e outros mais estão pendurados pelas mesmas razões. Quais foram os critérios do presidente interino para escolher seus ministros? O envolvimento com corrupção? Melhor acreditar que não houve critério, isto é, mais do mesmo de sempre.

O planejamento governamental, inexistente, conhecido por “Planejamento Zero”, busca tapar hoje os buracos de ontem e o povo, sempre ele, pode mais uma vez ser chamado a pagar as dívidas contraídas em seu nome, sem a sua consulta e que pouco reverteram a seu favor. A segurança institucional não parece estar ameaçada, porém o maior fator de insegurança não são mais os opositores internos ou potências estrangeiras. A maior ameaça à segurança nacional continua sendo o próprio governo.

E agora?

O futuro continua pertencendo apenas a Deus! Até quando os ba-gunços continuarão se omitindo?

 

(3) https://pt.wikipedia.org/wiki/Esc%C3%A2ndalo_do_Mensal%C3%A3o

(4) https://www.vagalume.com.br/gonzaguinha/pois-e-seu-ze.html

(5) https://www.youtube.com/watch?v=7vmuSZtiG4A

(6) http://lavajato.mpf.mp.br/atuacao-na-1a-instancia/investigacao/historico/por-onde-comecou

(7) http://www.estadao.com.br/noticias/geral,dilma-rousseff-admite-erro-em-curriculo,399151

 

Saúde e alegria a todos

Diálogos 16

Em Mudanças, de 27.12.15, apresentei as razões que me levaram aos Diálogos. Em Diálogos 1 – preâmbulo, de 10.1.16, iniciei a publicação dos diálogos escritos a partir de 29/3/82.

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 P2. Não acredito ser mais possível. Ele pegou gosto de escriba. E o fato de desaparecermos se ele parar de escrever é insignificante para nós. Quem sabe de nossa existência? Nem a mulher do que escreve sabe ainda de nós, ou melhor, leu de nós.

P1. O que escreve conhece a gente e apesar de pouco se manifestar e em vermelho, parece que compartilha com as nossas ideias.

P2. Mesmo quando divergimos, acredito que ele concorda com nós dois, ou nós duas? O que somos, afinal? Hermafroditas eu não aceito.

P1. Preconceito, é? O que escreve tem duas filhas, por que não sermos nós dois? Fica dois a dois.

P2. Não seria bom para ele. Ele ficaria com uma relação íntima com dois, o que não é bom perante o mundo.

P1. O mundo que vá para o inferno. Se for para ficar se dobrando às mesquinharias dele …

P2. Não é mais possível ser um radical radical no mundo de hoje. Seremos nós duas.

P1. Exijo um plebiscito. Não existe algo mais democrático do que um plebiscito.

P2. De novo? Agora é um caso simples de opinião e posicionamento pessoal. E mais, se podemos escolher entre masculino e feminino, não fará muita diferença ser isso ou aquilo. Eu quero ser nada, absolutamente nada!

P1. Nada de plebiscito. Também quero ser nada, absolutamente nada!

P2. Continuamos povo! Continuamos povo!

P1. Viva! Viva! Viva! Povo! Povo!

3.8.82

P2. É, ficamos um bom tempo sem falar. Parece que o que escreve não estava muito interessado em bancar o escriba.

P1. Parece que apesar da carta do irmão dele sobre a situação no Brasil e do entusiasmo inicial gerado por ela, a má vontade retornou.

P2. Mas depois das conversas com o orientador, a coisa melhorou e muito. Agora ele escreve, estuda, medita, discute consigo mesmo o que lê. Vamos ver se a coisa se mantém.

P1. Discute consigo não, discute conosco.

P2. Se você começa a minimizar a importância do que escreve, ele ainda acaba nos boicotando. É bom não esquecer de ser ele um técnico, nada além disso. Sem qualquer formação humanística, seja acadêmica ou pessoal por convivência. Um verdadeiro técnico, frio, calculista, insensível, poluidor, desinteressado dos seres humanos. Uma quase máquina que trabalha com máquinas. Um semi monstro.

P1.ÔÔÔhhh! Isso não te parece ser um pouco demais?

P2. Psiu! É só para ver a reação dele. Ou ele só se manifesta para censurar?

P1. Sei lá! Mas espero que ele tome a decisão correta e parta para resolver os seus problemas acadêmicos o mais rápido possível. Ele anda com umas ideias radicais e um título de doutor talvez o ajudasse, apesar de seu pouco valor.

P2. Também acho. Já pensou nós dois como conselheiros do que escreve? Já pensou se ele vira político ou coisa que o valha e nós seus conselheiros? Acabaremos tão famosos quanto os três que governam os Estados Unidos para o Ronald Reagan.

P1. Pensei que você não o desprezasse tanto, ou a mim, ou a você mesmo. Ele político e nós no mesmo nível dos conselheiros do Reagan é macabro.

P2. Foi só um exemplo. Infeliz, mas um exemplo.

P1. Passa.

P3. Por mim também.

 

continua

 

Nota: Em algumas frases são referenciadas situações políticas, trajes, comportamentos e posturas típicas da época em que os diálogos foram escritos, primeira metade da década de 1980. Algumas delas tornaram-se moda, como barba mal aparada, uso de óculos Ray-Ban, governantes incompetentes. Outras, como bons modismos, desapareceram com o passar do tempo ou passaram a ser aceitos devido às mudanças de costumes.

 

Saúde e alegria a todos

O futuro a Deus pertence 4.2

Escrito em 1981

A segurança nacional voltou a ser ameaçada, não mais pelos opositores internos ou por potências estrangeiras. A maior ameaça à segurança nacional tornou-se o próprio governo.

E agora? O futuro a Deus pertence!

Escrito em 2016

De qualquer forma, após dois anos o caçador de marajás ou Fernando I, o Breve, acabou apeado do poder e cassado por corrupção, denunciado por seu próprio irmão (1). No curto reinado, algumas trapalhadas econômicas, tentativas frustradas de reduzir a inflação e outros fracassos.

E o país ia seguindo em frente. Comprava-se o que não se precisava, exportava-se a matéria prima para adquiri-la industrializada, incentivava-se a industrialização importando indústrias, investia-se em conhecimento copiando modelos externos, etc. etc.

Assumiu o vice, Itamar Franco, um homem de topete. E para que não pairasse dúvidas sobre o seu futuro governo, manifestou imediatamente saudades do carrinho Volkswagen, chamado originalmente de besouro, e, no Brasil, de Fusca. Uma obra genial do Escritório Porsche, o Fusca nasceu ao início da década de 30, pouco antes da ascensão dos nazistas, 1933, ao poder (2). O primeiro veículo foi colocado no mercado em 1940, já durante a segunda guerra mundial e sua produção voltou-se para modelos de aplicação bélica. Em 1953 o Fusca passa a ser montado no Brasil; em 1959 54% das peças do veículo eram nacionais; em 1975, com o choque do petróleo, passa-se a buscar veículos com consumo reduzido; em 1985 a VW encerra a produção do Fusca, por obsolescência do projeto. Em 1993, por sugestão do Presidente da República, Itamar Franco, a VW volta a produzir o Fusca. Dizem que ele pretendia expor a todo o Brasil o seu compromisso com a modernidade. E a inflação campeava alegre, livre, leve e solta. Como seu Ministro das Relações Exteriores, Fernando Henrique Cardoso.

Bons ventos circularam por Bral-Búrdia. FINALMENTE! Quem é o culpado pelos bons ventos? Só pode ser Deus, afinal Deus é brasileiro!

Em um lance político magistral, Itamar, o do topete, passa o sociólogo Fernando Henrique Cardoso do Ministério das Relações Exteriores para o da Fazenda. Choque em Bral-Búrdia! O presidente mandou o Ministro Fernando Henrique Cardoso plantar batatas? E Fernando Henrique, assessorado por economistas loquazes, opera o milagre. E, como por passe de mágica, a inflação acabou em Bral-Búrdia! Obra divina! É a prova cabal de que Deus é brasileiro!

Apoiada no conceito vigente desde a época dos visitantes permanentes, ora batizado de “Planejamento Zero”, a economia crescia. A indústria de Bral-Búrdia passa a receber novos investimentos, representados por novas montadoras de veículos. A agricultura se espalhara pelo Brasil. Do Sul-Sudeste ela invadira o Centro-Oeste e o Nordeste. A pecuária acompanhou a agricultura. A flatulência bovina em Bral-Búrdia atinge cifras que comprometem o equilíbrio do meio ambiente mundial. Bral-Búrdia mudou mesmo de patamar, acreditavam todos.

Novas eleições presidenciais. Candidatos, muitos, afinal o pluripartidarismo atesta e solidifica a democracia. Consta que o pluripartidarismo também colabora com a conta corrente dos donos dos mini partidos. Dentre os muitos candidatos um líder nato, homem de origem humilde, nordestino, trabalhador metalúrgico, mutilado no trabalho, presidente de sindicato, opositor do regime militar, fundador de partido político de ideologia clara e definida, batalhador pelas causas dos pobres e mais; Luiz Inácio Lula da Silva, o Lula. Do outro lado Fernando Henrique Cardoso, paulista nascido no Rio de Janeiro em 1931 e morador em São Paulo desde 1940, descendente de militares políticos, culto, sociólogo, professor universitário, opositor da revolução de 1964, o antagonista perfeito para Lula.

E Lula continuou a sua peregrinação rumo à desmoralização explícita; perdeu pela segunda vez.

E o país ia seguindo em frente. Comprava-se o que não se precisava, exportava-se a matéria prima para adquiri-la industrializada, incentivava-se a industrialização importando indústrias, investia-se em conhecimento copiando modelos externos, etc. etc.

Com uma inflação ridícula, ainda mais se comparada com os cerca de 80% ao mês de outrora, e uma ambição clara, Fernando II, o Sábio, circulava pelo mundo exibindo a sua cultura. Poderia ter sido um governo diferenciado se o poder não houvesse subido à sua cabeça e à de seu partido. E, em conjunto, passaram a batalhar pela possibilidade de reeleição. A oposição, que sempre se enxerga como futura situação, reclamou. Havia o perigo representado pela necessidade de se alterar a constituição. Mas o multipartidarismo consciente, consciente de seus interesses, falou mais alto. Aprovada (comprada?) a reeleição, mas apenas uma!

1998, novas eleições presidenciais. Candidatos, muitos, afinal o pluripartidarismo atesta e solidifica a democracia. Consta que o pluripartidarismo também colabora com a conta corrente dos donos dos mini partidos. Dentre os muitos candidatos um líder nato, homem de origem humilde, nordestino, trabalhador metalúrgico, mutilado no trabalho, presidente de sindicato, opositor do regime militar, fundador de partido político de ideologia clara e definida, batalhador pelas causas dos pobres e mais; Luiz Inácio Lula da Silva. Do outro lado Fernando Henrique Cardoso, paulista nascido no Rio de Janeiro em 1931 e morador em São Paulo desde 1940, descendente de militares políticos, culto, sociólogo, professor universitário, opositor da revolução de 1964, comprador da reeleição, o antagonista perfeito para Lula.

E Lula continuou a sua peregrinação rumo à desmoralização explícita; perdeu pela terceira vez. Diz-se que, ao perder pela terceira vez, Lula descobriu que um só partido não faz presidente, gritou que ”um é pouco, dois é bom, três é demais e quatro inaceitável” e abriu-se a conchavos. Havia atingido o limiar da desmoralização.

Os bons ventos continuavam soprando sobre Bral-Búrdia. Chegamos mesmo em um outro patamar. Podemos deixar a condição de coadjuvantes e aceitar o protagonismo político-econômico mundial. O protagonismo latino já havia se manifestado com a criação do Mercosul em 1991. O problema no Mercosul foi e é a existência de dois protagonistas adeptos do “Planejamento Zero” brigando para ser o primeiro nome a aparecer nos créditos. Além disso, o parceiro opositor de Bral-Búrdia, Bagunçón, vive o eterno dilema de tentar explicar ao mundo ser o único país europeu ao sul do equador, bem ao sul.

O segundo governo de Fernando II, o Sábio, foi seguindo sem maiores problemas aparentes, a menos da mácula e das sequelas das negociatas feitas para viabilizar a aprovação do segundo mandato.

Nas eleições presidenciais de 2002, para variar, muitos candidatos. Afinal, o pluripartidarismo atesta e solidifica a democracia e colabora com a conta corrente dos donos dos mini partidos. Pela quarta vez consecutiva, dentre os muitos candidatos um líder nato, homem de origem humilde, nordestino, trabalhador metalúrgico, mutilado no trabalho, presidente de sindicato, opositor do regime militar, fundador de partido político de ideologia clara e definida, batalhador pelas causas dos pobres, aberto a conchavos até com Paulo Salim Maluf e mais; Luiz Inácio Lula da Silva. Do outro lado José Serra, paulista, economista, ministro, secretário, perseguido pela revolução de 1964, exilado e inexpressivo, o antagonista perfeito para Lula vencer.

E Lula, finalmente, venceu o primeiro turno. E venceu em todos os estados da União, exceto em Alagoas, no segundo turno. Venceu pela primeira vez e pela primeira vez com coligações conchavantes ou conchavos coligantes.

continua

(1) http://acervo.oglobo.globo.com/fatos-historicos/presidente-collor-sofreu-impeachment-em-1992-foi-cassado-pelo-senado-9239073

(2) https://pt.wikipedia.org/wiki/Volkswagen_Fusca

Saúde e alegria a todos

Diálogos 15

Em Mudanças, de 27.12.15, apresentei as razões que me levaram aos Diálogos. Em Diálogos 1 – preâmbulo, de 10.1.16, iniciei a publicação dos diálogos escritos a partir de 29/3/82.

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 Adendo

Nem sempre o que se escreve retrata a nossa crença. Às vezes retrata uma reação a um estado de coisas tornado inaceitável e que ao ser apresentado na forma de aberração objetiva demonstrar o desconforto de quem escreve. O que aqui se inicia retrata a minha crença de 1982, que se mantém em 2016 e se manterá para sempre. O que escrevi sobre o Esquadrão Herodes, a ser estruturado nos Diálogos 12 e 13, expresso pelo debatedor P1, corresponde exatamente às duas primeiras frases acima. O Esquadrão Herodes foi escrito em 1981 e é uma reação ao que se fazia à época e se mantém até hoje e que levou ao estado de insegurança plena em que agora vivemos, isto é, poderia muito bem ter sido escrito hoje. O Esquadrão é uma proposta de solução simples e absurda, típica dos desejos do poder constituído, melhor chamado de poder incompetente, a qual eu jamais apoiaria. Este poder incompetente não atua para resolver problemas, quaisquer que sejam eles, desde sempre. O problema de segurança, porém, deve ser computado quase integralmente aos omissos que governam o estado de São Paulo e os demais estados e o próprio Brasil desde a década de 1950. Os governadores de São Paulo estão nomeados em Diálogos 11.

Final

P1. É fácil. Inicia-se com uma série de filmes, propaganda barata, mostrando ações e consequências de ações de marginais. …

E os comandos passaram para a página 8, terceira coluna, inferior.

Nova onda de demonstrações, debates, entrevistas. A mãe do astro vai aos meios de comunicação.

E os comandos desapareceram do noticiário. O astro, com olheiras profundas, sem dormir a vários dias, parte em descanso para o exterior. Cerca de vinte dias se passaram. Coincidindo com a partida do astro, uma novela atinge seus capítulos finais, uma outra se inicia (com tantas novelas na TV, sempre haverá uma se encerrando e outra se iniciando).

P2. E os comandos?

P1. Ninguém mais se lembra deles, suas ações já foram incorporadas ao dia-a-dia da população. Após cerca de um mês de atuação dos comandos, alguns saneadores já se tornaram Cavaleiros da Ordem do Bercinho e o primeiro salário, engordado pelos prêmios de produtividade, supera os dez salários mínimos regionais. A procura por caixas de papelão usadas nos supermercados próximos aos campos naturais de ação dos comandos cresceu de forma anormal.

P2. E o que aconteceu com o astro, afinal?

P1. Viu como funciona? Aconteceu nada! Uma semana após a partida ele retorna recuperado, é recebido calorosamente por todos, reassume o seu lugar no Olimpo e continua a sua vida divina.

P2. E todo o movimento feito a respeito de sua vida íntima?

P1. Ele voltou uma semana depois de partir. Em um mundo agitado como o que vivemos uma semana é uma eternidade. O máximo que pode acontecer é a sua vida íntima ter ido parar na oitava página, terceira coluna, inferior. Seu retorno, porém, estará na primeira página com foto colorida. Com isso ocupa-se dois espaços diferentes com o mesmo tema importante.

P3. Pessimismo agressivo! Será mesmo assim? Tanta acidez é corrosiva e deprimente. Uma finalização perfeita para uma proposta indecente de projeto.

P1. Não precisamos responder ao comentário do que escreve.

P2. Sem dúvida, está escrito em vermelho. Não tem futuro!

Mas eu pergunto a ele, quem é você, o que escreve? Eu, chamado por você de P2? É ele, chamado por você de P1? E eu respondo ao que escreve. Não! Quem escreve é você, isto é, a responsabilidade pelo que está escrito é sua. Você detém o poder e arca com a responsabilidade. Nós somos nada! Você já nos ameaçou censurar, agora nos chama de pessimistas, mas quem escreve é você. Sem você somos nada, nada.

P1. Calma lá! Assim também não, A coisa ficou confusa. Nós pensamos, ele escreve. A responsabilidade termina no trabalho mecânico de transpor as nossas ideias para o papel. O trabalho intelectual é nosso. Os responsáveis pelas ideias somos nós.

P2. Não refresca grande coisa se estamos presos a ele. Admita que isso seja publicado um dia.

P1. E daí?

P2. Se ele quiser, escreve na capa o seu nome, não o nosso. E aí a responsabilidade e o mérito passam a ser dele. Mesmo que escreva o nosso nome na capa, se o livro for um sucesso sempre poderá dizer que os nomes na capa são pseudônimos.

P1. Mas isto seria um comportamento imoral para conosco! Seria tirar proveito de nós! Seria usar-nos! Seria se apropriar de nosso trabalho sem nos recompensar por ele!

P2. Continuarei povo! Continuarei povo!

P1. Ah??? Ah!!! Eu também! Eu também! Um momento. Já não éramos povo?

P2. Éramos e continuamos, pois continuamos a ser explorados!

P1. Mas mesmo assim a responsabilidade do que é escrito não é do que escreve, ou melhor, a nossa relação com o que escreve é bem mais complexa.

P2. A nossa relação é íntima. Dependemos uns dos outros.

P1. Nem tanto, ele pode deixar de escrever e nós desaparecemos. Ninguém mais ouvirá de nós, ou melhor, ninguém mais lerá de nós.

P2. Não acredito ser mais possível. Ele pegou gosto de escriba. E o fato de desaparecermos se ele parar de escrever é insignificante para nós. Quem sabe de nossa existência? Nem a mulher do que escreve sabe ainda de nós, ou melhor, leu de nós.

 

Continua

 

Nota: Em algumas frases são referenciadas situações políticas, trajes, comportamentos e posturas típicas da época em que os diálogos foram escritos, primeira metade da década de 1980. Algumas delas tornaram-se moda, como barba mal aparada, uso de óculos Ray-Ban, governantes incompetentes. Outras, como bons modismos, desapareceram com o passar do tempo ou passaram a ser aceitos devido às mudanças de costumes.

 

Saúde e alegria a todos

Dear Mister President 2

Eu sei que não é proposital, mas no dia seguinte à triste sugestão para contratar técnicos formados no exterior, vossa excelência teve uma entrevista publicada na Folha de São Paulo (1) (2). Ou foi no mesmo dia?
Eu entendo que a vossa formação não é de negociador, diplomata ou assemelhados. Muito pelo contrário, a vossa formação é de bater o martelo e encerrar a conversa. Mas agora o senhor está na posição de líder do país. Goste ou não, aquele que precisa levantar a moral nacional. Não há outra maneia de sairmos do buraco.
Levantar a moral de um país cuja maioria dos cidadãos acreditou em alguém que se apresentou como o mais honesto dentre todos. E, como pretenso mais honesto de todos, os ludibriou até na indicação de sua sucessora. E eles a elegeram através dele, o mais honesto de todos, repetindo o que Paulo Maluf já havia feito quando da eleição de seu sucessor como prefeito de S. Paulo. Nem na sem vergonhice o mais honesto de todos foi original.
Tudo bem que o senhor entrou no vácuo e se elegeu vice. Mas, como já disseram outros, vice é nada, vice é vice. Bons tempos aqueles, não? Casa, comida, roupa lavada, viagens grátis e … mais nada! Sem a incompetência maliciosa à qual o seu partido se associou seriam oito anos numa boa.
Mas agora o senhor está na posição de líder do país. Aquele que precisa levantar a moral nacional. E ela está baixa mesmo. Nem o futebol nacional ajuda, apesar da nova troca de técnico. A coisa está tão ruim que a seleção faz com o seu técnico o oposto daquilo que o clube onde ela foi buscar o novo técnico faz com os seus. O Corinthians manteve os seus técnicos por muito tempo e muitos jogos, a seleção os troca a cada dois anos e uma dezena de jogos.
Mas agora o senhor está na posição de líder do país. Aquele que precisa levantar a moral nacional. E ela está baixa mesmo. A economia, que já gerou até milagres, também não ajuda. À época do mais honesto de todos ela até ajudou na eleição da sucessora dele, tendo permitido a ele, o mais honesto, dominar o tsunami internacional através do incentivo ao consumo. E a coisa foi tão bem feita que no Brasil o tsunami econômico virou marolinha. Talvez a marolinha tenha sido apenas o prenuncio do tsunami que levou o governo Dilma para o buraco. Ou ajudou a levá-lo ao buraco.
Mas agora o senhor está na posição de líder do país. Aquele que precisa levantar a moral nacional. E ela está baixa mesmo. E, então, lemos na entrevista da Folha que as coisas irão melhorar, a economia passará a melhorar a partir do próximo ano, se houver necessidade de mais impostos iremos impo-los mesmo contra a vontade etc. etc.
Desculpe-me, mas estas palavras apenas repetem tudo o que já foi feito, dito e repetido, explicado e enrolado, ao longo dos últimos quinhentos anos. Permita-me, com essa conversa a moral nacional nunca subiu. E não subiu, ou talvez tenha subido há uns quatrocentos anos atrás, mas depois viu-se que era conversa fiada, como tem sido sempre conversa fiada nos últimos cinquenta anos; e destes eu me lembro bem. Vender ativos como Congonhas e Santos Dumont é ótimo, pelo menos nos livramos da incompetência administrativa do poder público. Porém, para um déficit previsto de 136 bilhões, os cinco bilhões dos dois aeroportos não ajudam muito, ainda mais se for financiado pelo BNDES. E dizer que os Correios, por serem muito deficitários, e a Petrobras, por ter muita simbologia, não podem ser vendidos, me parece pouco demais.
Que o senhor não deseje passar por enganador ilusionista, concordo. Afinal é a sua primeira atividade executiva em posto de eleição majoritária. Mas “alguma coisinha” poderia ter sido dita no sentido de indicar o que se estará fazendo para minimizar a fragilidade da economia brasileira. Porque, a meu ver, esta “alguma coisinha” passa pelo caminho oposto às suas palavras e ao escolhido por todos os governos dos últimos cinquenta anos; e destes eu me lembro bem.
Alguma “outra coisinha” poderia ter sido dita com relação a melhorar o desempenho dos Correios, já que, em suas próprias palavras, eles são muito deficitários. Mais uma “terceira coisinha” poderia ter sido dita com relação ao empenho do seu governo na recuperação moral e técnica da Petrobras, que deteve e espero que ainda detenha, a melhor tecnologia para prospecção e extração de petróleo em águas profundas. Se nada for dito pode parecer que a Petrobras está entregue à sua própria sorte.
E, permita-me de novo, se a moral nacional não subir, continuaremos atolados nas águas da lagoa Rodrigo de Freitas das Olimpíadas de 2016. Águas que provam e comprovam que o político brasileiro não é apenas mentiroso, é principalmente irresponsável e desonesto. Desonestos por não se preocuparem com promessas e compromissos mentirosos e inexequíveis.
Senhor Presidente, aproveite a oportunidade para entrar na história como aquele que acordou um país tragicamente deitado em berço esplêndido e que, em cerca de meio mandato, conseguiu acertar o rumo do Brasil. Pois isto é possível.
A outra alternativa será a desculpa de não ter tido tempo suficiente. E ela não será original.
A escolha é vossa.

(1) Folha de São Paulo, domingo, 10 de julho de 2016, caderno mercado, pg. A21
(2) Na Internet: folha.com/no 1790059

Saúde e alegria a todos