Alguns poucos e bons maus exemplos, o início

O título acima deve marcar o início de uma “trilogia” (como nos filmes) que, em se tratando de desperdício de recursos públicos no Brasil pode se transformar em uma milhãologia, mesmo que esta palavra não exista.

Talvez uma das principais características brasileiras (seria uma característica restrita aos políticos?) seja a capacidade de tornar ridículo e, com isso, desmoralizar qualquer coisa pretensamente séria. Seja esta coisa proposta por um brasileiro ou trazida do exterior. Exemplos não faltam e vou lembrar dois.

Os prefeitos Paulo Maluf, Celso Pita, Marta Suplicy, José Serra, Gilberto Kassab e o Veículo Leve Paulista ou Fura-Fila ou Paulistão ou Expresso Tiradentes, entre outros muitos nomes (1).

Pela sequência de prefeitos e nomes envolvidos, quem não acompanhou os detalhes poderá acreditar ser esta uma obra imensa. Talvez até ter sido a solução para o transporte de massa na cidade de São Paulo. O habitante da Grande São Paulo, porém, mesmo desconhecendo a obra, vivencia diariamente o transporte na cidade de São Paulo e confirma que o problema está longe de ser solucionado, porque é mais fácil mentir e enganar do que trabalhar.

O primeiro prefeito acima citado buscou inspiração e usou uma alternativa de transporte de massa discutível para São Paulo (2) para eleger o segundo citado. O segundo e os demais empurraram o projeto no melhor estilo nacional, de qualquer jeito, mas lentamente. O prefeito Serra resolveu ampliar o projeto e iniciou a construção de uma derivação para a Cidade Tiradentes, zona leste. Após construir um viaduto sobre o rio Tamanduatei e chegar à Avenida Anhaia Melo concluiu pela inadequação da alternativa do veículo sobre pneus, também conhecido por ônibus e partiu para a construção do veículo leve sobre trilhos, ou monotrilho. Por essa época Serra já era governador do estado de São Paulo, após largar a prefeitura para Kassab findos cerca de dois dos seus quatro anos de mandato. O primeiro trecho do monotrilho entre as estações Vila Prudente e Oratório foi prometido para operar antes da eleição para presidência da república de 2010, quando Serra concorreu contra Dilma. Hoje, fevereiro de 2015, ele ainda não entrou em operação, o monotrilho, não o Serra. Mais detalhes nos endereços abaixo.

 

  1. https://www.google.com.br/webhp?sourceid=chrome-instant&ion=1&espv=2&ie=UTF-#q=fura+fila+sacom%C3%A3&revid=1292927414
  2. http://www1.folha.uol.com.br/fsp/1996/8/27/brasil/23.html

 

Todos sabem que quando o verão chega, chegam as enchentes em São Paulo. Algumas regiões da Grande São Paulo são particularmente sensíveis a chuvas intensas. Vivenciei dezenas de enchentes provocadas pelos extravasamentos do Riacho Ipiranga, do Rio Tamanduatei, do Ribeirão dos Couros, do Riacho dos Meninos; por rios e riachos nas regiões baixas de Santo André, São Bernardo, São Caetano, São Paulo e até na Cidade Universitária. E continuo vivenciando enchentes, apesar de morar em lugares elevados desde os oito anos de idade.

Umas das grandes soluções propostas pelos prefeitos das várias cidades é o desassoreamento dos rios e riachos para permitir que a água flua melhor. Para tal obra deve-se inicialmente limpar ou dragar o leito do rio. Obras de dragagem envolvem grandes máquinas que retiram areia, sofás, pneus, bicicletas e outros objetos que a população joga nos rios. Não me lembro de alguma campanha que tentasse orientar a população para abandonar este hábito.

Uma vez limpo o leito do rio deve-se de alguma forma proteger as suas margens, para evitar desbarrancamentos e problemas semelhantes, como novas dragagens. Enquanto a dragagem é obrigatória, e realmente cara, as técnicas usadas para proteção das margens variam.

O prezado leitor irá perguntar: Variam de rio para rio? Não, variam no mesmo rio. No mesmo rio? Óbvio, elas nunca dão certo! Já foram usadas pedras grandes acomodadas nas margens, depois cimentadas entre si. Como o fundo do rio não foi protegido, a água foi retirando o material onde as pedras cimentadas se apoiavam e, um dia, alguns anos depois, parte das placas cimentadas deslizaram para dentro do rio. E agora?

Para tal situação deve-se inicialmente limpar ou dragar o leito do rio. Agora a nova gestão municipal lança mão de cestas de arames de aço cheias de pedras e acomodadas nas margens do rio. Como a água penetra em qualquer espaço livre e os rios em áreas urbanas são ácidos devido à poluição intensa de suas águas, as cestas de aço se rompem e lá se vão as pedras para dentro do rio. E agora?

Para tal situação deve-se inicialmente limpar ou dragar o leito do rio. Agora a nova gestão municipal lança mão de estacas de aço longas espetadas na vertical no fundo do rio, acompanhando as suas margens e espaçadas cerca de um metro entre si. No espaço entre elas são colocadas placas de concreto armado e que impedem o desbarrancamento das margens. Como a água penetra em qualquer espaço livre, ela penetra por trás do conjunto estacas-placas e provoca o solapamento por detrás dele. Com isso as vias de fundo de vale apresentam rachaduras no asfalto, colocam em perigo a circulação de veículos e levam as prefeituras a bloquear parte das pistas próximas ao rio. E agora?

Agora não sei. Sei parte da solução a ser aplicada. Para tal situação deve-se inicialmente limpar ou dragar o leito do rio.

Sei ainda que o exposto acima aconteceu na Avenida dos Estados, ao longo de um trecho significativo do Rio Tamanduatei. A situação atual é a final descrita acima. Circule pelo trecho de Santo André e confirme.

Se Deus quiser a próxima solução dará certo.

Os fracassos anteriores também são culpa Dele?

Peço desculpas pelo atraso da publicação. Programei para 22.2 às 10:00 a divulgação deste post. Perdi para a te3cnologia e só me apercebi hoje à tarde.

Saúde e alegria a todos.

 

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