Feedback automobilístico

O parágrafo abaixo encerrou o segundo post publicado por mim.

Esta é minha segunda publicação longa, ou meu segundo post. Se publicações curtas também são posts, acredito que sejam, já passei do número dois. Leva tempo produzi-los, mas é uma forma agradável de expor ideias, sentimentos e sensações pessoais e espero retroalimentação por parte dos leitores”.

Havia escrito feedback ao invés de retroalimentação e seguido com a análise desta palavra como abaixo apresentada. Resolvi suprimir e guardar a análise para publicá-la mais tarde, agora.

E segui um pouco analisando a palavra feedback, muito usada pelos cultuadores do new portuguese:

Alguém poderia dizer que a palavra feedback não tem tradução. Uma das técnicas de solução de problemas complexos é dividi-los, resolver as partes e depois agregá-las, o que será feito com “feedback”.

Feed: alimentar; back: de volta

Então feedback é alimentar de volta. Os mais apressados, ou os defensores do new portuguese, interpretariam como devolver alimento, horrível; não existe tradução para o português. Os ainda mais apressados, ou mais radicais na defesa do NP, chegariam a algo como vomitar. E não faz sentido esperar vômito de alguém que leia algo.

Feedback = retro alimentar.

E o trecho da frase acima ficaria “e espero retro alimentação por parte dos leitores”, como foi escrito no blog nº2.

Os mesmos que argumentam não haver correspondentes em português para feedback, dizem que a maioria das pessoas não entenderia retroalimentação. Verdade. Por que não entenderiam?

Tal argumento me lembra de algo que durante décadas dificultou a vida de muitas pessoas, passageiras de automóveis construídos no Brasil. Construídos no Brasil, projetados no exterior, lucros enviados para a matriz, estrangeira. Divagações a parte, melhor voltar ao tema.

Durante décadas os veículos construídos no Brasil, mas projetados no exterior, para onde são enviados os lucros, ofereciam uma única alternativa de acesso interno; duas portas. O acesso ao banco traseiro era conseguido por uma das portas frontais do veículo. O banco individual era puxado para a frente o máximo possível, baixado o seu encosto e após algumas manobras de contorção, chegava-se ao destino final, o banco traseiro. Algo adequado para crianças, adolescentes, atletas e contorcionistas. Tal acesso em veículos pequenos, Fusca por exemplo, demandava manobras corporais complexas, algo que não faz parte do dia-a-dia da maioria das pessoas. Senhoras idosas e pouco, ou muito, acima do peso ou mesmo no peso correto, sofriam para entrar no veículo. A associação de veículo pequeno e banco puxado para a frente redundava, quase sempre, no enrosco de um pé no banco, particularmente para os de pés grandes; eu entre eles.

Para sair? Tetos solares não eram oferecidos à época. E se fossem não ajudariam, pois os veículos e as calçadas não dispunham, como não dispõem ainda hoje, de guinchos ou pontes rolantes para içar os passageiros do banco de trás. Se a entrada era difícil, mesmo com ajuda e a possibilidade de soltar o corpo para sentar, a saída tornava-se quase inviável sem ajuda.

Alguns perguntavam o por que de não serem oferecidos veículos com quatro portas. E a resposta seguia a mesma linha de raciocínio usada para a palavra feedback. Brasileiro não gosta de carros com quatro portas. Se não gosta, não compra. E não faz sentido oferecer.

O mercado oferecia carros de quatro portas? Apenas os importados tinham quatro portas, mas com preços inacessíveis à absoluta maioria dos possíveis compradores. Brasileiro não conhecia a alternativa de quatro portas porque o mercado não a oferecia.

Por que não oferecia? Porque o brasileiro não gostava. Por que não gostava? Talvez porque não conhecesse?

Bastou o aparecimento de veículos de quatro portas para eles passarem a dominar o mercado. Quantos hoje comprariam veículos com duas havendo a alternativa de quatro portas? Recentemente, preso em um dos muitos congestionamentos de SP, contei cerca de 20 veículos de quatro portas para um de duas portas. Isto não serve como estatística, mas como orientação.

Quantos usariam feedback se, desde o começo fosse usada a palavra retroalimentação?

Esta resposta é perigosa, pois não podemos nos esquecer dos amantes do new portuguese, por razões de demonstração de hipotética erudição.

Comecei com a frase que termina o segundo blog e terminarei com parte da frase que encerra o primeiro.

“Pretendo publicar semanalmente aos domingos um texto mais longo, com cerca de quinhentas palavras …” Não tenho conseguido cumprir a promessa do número de palavras, o ultrapassei sempre. Permitam-me elevar o número a mil palavras.

Saúde e alegria a todos

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s