Nova modalidade de turismo na cidade de São Paulo

A cidade de São Paulo surpreende sempre. Eu tive a oportunidade de acompanhar o crescimento da cidade, de provinciana ao início da década de 50 à megalópoles de hoje. Durante a vida vivi cinco anos e meio longe de São Paulo, os demais sempre na Grande São Paulo. E vejo São Paulo como o melhor exemplo da impossibilidade de um sem número de incompetentes conseguir destruir uma cidade. Eles conseguem, com a permissão de quem neles vota, transformar as cidades em caos, como fizeram com São Paulo, mas não as destroem. Mesmo sem cita-los, aproveitam-se do caos deixado pelo antecessor e o aprimoram, aprofundam, expandem e, se criativos, criam e implantam novas formas de dificultar a vida da maioria dos habitantes e visitantes das cidades. Porém, políticos de carreira, jamais citam ou agradecem a seus antecessores as contribuições recebidas. Necessitam, para fins eleitorais, parecer originais, únicos, especiais, na condução da solução dos problemas da cidade, quando, na maioria dos casos, não solucionam, porém criam mais problemas.

Fontes do alto escalão municipal de São Paulo sugerem que a prefeitura prepara uma “BOMBA” para breve. E não é a candidatura do prefeito à reeleição! A decisão sobre a implantação de uma nova, talvez a primeira, programação turística na cidade depende da concordância do conselho de reeleição, parte do grupo de marketing eleitoral da prefeitura. Eles têm certeza que a tal programação turística terá condições de alavancar a imagem e, com isso viabilizar a única coisa que interessa, a reeleição do prefeito.

Enquanto a assessoria medita, vazam detalhes sobre o projeto, de nome pomposo e instigador: “Cavalgando sobre rodas”.

Objetiva-se com o projeto aproveitar o potencial turístico da absoluta maioria das ruas de São Paulo e oferecer a possibilidade de vivenciar os prazeres e os desconfortos de uma cavalgada no interior seguro e confortável de um veículo de quatro rodas, ao invés de fazê-lo no campo sobre um animal de quatro patas. Adeus ao odor fétido das estrebarias. Adeus aos resfriados pós cavalgadas sob chuva. Adeus aos traumas devidos a quedas dos cavalos. Adeus à vontade reprimida de cavalgar nas noites sem luar.

A assessoria político-doutrinária argumenta que, além de novo e inovador, este é um programa democratizador e comprometido com a justiça social. Não mais apenas a elite econômica capaz de arcar com os altos custos de uma cavalgada sobre patas poderá sentir os prazeres deste esporte, porém todos os que tiverem acesso a um veículo de quatro rodas o farão. E mais, todos poderão praticar o esporte a baixos custos sem a necessidade de grandes deslocamentos, pois a poucos metros de suas residências ou hotéis ou comunidades encontrarão ruas especialmente preparadas para este novo esporte. E ainda mais, aqueles cidadãos sem recursos, compelidos por um modelo econômico injusto, ultrapassado e segregador, a viver de atividades consideradas ilícitas por uma justiça protetora de elites, poderão se beneficiar plenamente do novo programa. Após a prática de justiça social, durante o distanciamento daquele local, será possível a eles elevar ao máximo a carga de adrenalina em seus corpos. Como proprietários do veículo por tempo determinado, sem preocupações com eventuais prejuízos, desgastes ou quebras, será possível cavalgar sobre rodas em velocidade também máxima.

A assessoria jurídico-administrativa propõe que a Prefeitura chame para si a responsabilidade de organizar e gerenciar o novo programa, a priori considerado um sucesso estrondoso. Propõe ainda a contratação de algo em torno de mil e dezessete novos funcionários, cento e nove gerentes e a abertura de novecentos e setenta e três vagas para cargos de confiança. Sugere ainda a cobrança de uma taxa adicional de uso das ruas, a ser acrescentada ao IPTU, visto ser impraticável o controle do número de ruas passíveis de uso para a cavalgada.

Preocupado, o Secretário de Obradas, digo de Obras, informou necessitar de muitos meses, talvez anos, para preparar a quantidade de ruas sugeridas para a CAVALGADA SOBRE RODAS, agora já em letras maiúsculas. Ao que o consultor Banzé Dámeus Milhões, do fundo de sua cela, esclareceu estarem as ruas já suficientemente esburacadas ou porcamente remendadas para os fins desejados. O Secretário de Obradas agradeceu o esclarecimento e ficou feliz por ninguém ter notado a sua absoluta ignorância sobre a situação das ruas da cidade.

Durante um debate, alguém apresentou o argumento definitivo: Agora poderemos justificar o abandono, digo a conservação, das ruas no estado em que se encontram. Se reparadas de forma decente, inviabilizariam o projeto CAVALGADA SOBRE RODAS. Somado tal argumento à necessidade de contratação de ao menos o dobro de funcionários e a criação do triplo de cargos de confiança propostos inicialmente decidiu-se pela implantação imediata do projeto.

O povo? Este povo que come ovo (Alvarenga e Ranchinho), foi enganado de novo.

E, diferentemente do que aconteceu com as Olimpíadas no Brasil, eu estou acordado.

Aguardem e verão (hoje, 21.3.15, entramos no outono).

Saúde e alegria a todos

 

Parabéns a todos os nascidos em 21 de março. Em especial a uma certa pessoa.

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