Causas e consequências 2

Continuação do tema causas e consequências 1, publicado em 29.3.15. Na primeira publicação com esse título, justifiquei-o. Irei dele trazer apenas a caracterização de causa e de consequência lá apresentadas.

Conforme o dicionário Houaiss, causa é o que faz com que algo exista ou aconteça; é origem, motivo, razão. Consequência é algo produzido por uma causa ou freq. sequente a um conjunto de condições; é efeito, resultado. Combater ou pedir que consequências sejam combativas é perpetuar as causas e não minimizar os problemas, isto é, as consequências.

Ainda sobre prisões. Nas penitenciárias femininas de São Paulo são oferecidas às prisioneiras duas alternativas de atividade. Elas podem estudar, visto que a maioria tem escolaridade muito baixa, ou elas podem trabalhar. Se optarem por estudar ganharão como recompensar o conhecimento adquirido. Se optarem por trabalhar receberão pagamento em dinheiro e redução da pena.

Brasil, há mais de 500 anos investindo em ignorância.

PS:Não consegui encontrar confirmação para a afirmação acima. Ela era correta em 2013. Como o investimento em ignorância acontece há muito tempo, acredito que a situação não tenha mudado.

Urbanização de favelas. Sob pena de fuzilamento sumário, irei me posicionar contra esta enganação.

“Com a Proclamação da República, em 1889, a elite e os administradores do Rio queriam apagar do seu passado os vestígios de uma cidade colonial. Cortiços sem condições sanitárias e povoados por ex-escravos foram demolidos na reforma de Pereira Passos. Sem ter outras opções de moradia os desabrigados foram obrigados a construir suas próprias casas. Começou então a ocupação dos morros centrais da Providência e de Santo Antônio, em 1893, seguida pelo Morro dos Telégrafos e Mangueira, em 1900.” (1)

Favelas surgiram como uma solução desonesta as consequências de decisões intempestivas do poder público. E pela mesma razão, solução desonesta, permanecem e proliferam.

Com menos de vinte anos de idade, há cerca de 45 anos, trabalhei durante algum tempo com moradores da favela da Vila Prudente. Pessoas de bem, dignas e honestas. Superiores em tudo se comparadas com os corruptos que circulam pela política, pelas empresas e por todos os cantos do país. Recém chegados do nordeste, sem conhecimento e recursos, acabaram por residir em favelas, onde os aluguéis eram mais baratos que fora delas. Problemas com falta de água encanada e esgoto eles não tinham, porque desconheciam tais comodidades. O conceito de moradia também era diferente dos moradores mais antigos da cidade. Paredes de madeira, chão de terra batida dentro de casa, higiene precária e falta de energia elétrica também não faziam diferença, pois assim viviam de onde haviam vindo. Mas, mesmo tendo parte das condições de vida inalteradas, a mudança foi para muito melhor. Tinham transporte coletivo por bondes ou ônibus a metros de casa, tinham acesso a atendimento de saúde, se prcário e lento em 2015, imaginem há 50 anos, tinham acesso a lazer e, acima de tudo, tinham trabalho para si e escolas grátis e de qualidade para seus filhos. Tudo isso parcial ou totalmente desconhecido para muitos em seus locais de origem.

As favelas cresceram mais e mais com a maciça migração para São Paulo entre 1955 e 1970, aproximadamente. E saíram da cidade de São Paulo para os municípios vizinhos de Santo André e São Bernardo, para onde se dirigiam os migrantes atraídos pela indústria automobilística e de auto peças instaladas no ABC a partir do início da década de 1950. Diadema foi emancipada de São Bernardo em meados da década de 1950 e parcialmente povoada por migrantes atraídos já quando de sua chegada a São Paulo e dirigidos para formar parte das favelas da cidade.

O tempo passou, as favelas cresceram, assim como o seu número. E o poder público, por alguns chamado de poder incompetente, resolveu atuar. Favela é uma palavra tornada pejorativa. E as favelas mudaram de nome. E paredes de madeira e chão de terra é ruim. E passaram a fornecer material de construção para mutirões de substituição de madeira por alvenaria. Esgoto? Não dá. Água encanada, Não dá, mas podemos levar água a alguns pontos determinados da favela.. Eletricidade? Não dá, mas faremos vistas grossas para gatos, isto é, roubo de energia elétrica da rede pública. E a luz se fez também nas favelas.

O que mudou de há 50 anos para hoje? Como o poder incompetente não perde a oportunidade de reafirmar a sua incompetência, ele forneceu material de construção, mas não forneceu conhecimento nem interferiu no caos das ruelas e picadas que adentram favelas. O que se fez foi apenas trocar madeira por alvenaria exposta, teto de chapa por telhas de cimento amianto e depois por fibro-cimento. O pé direito continuou baixo e, somado ao fibro-cimento, as casas se tornaram fornos. A alvenaria exposta e a falta de ventilação aumentaram a umidade interna e as doenças respiratórias, em especial de crianças. As vistas grossas ao roubo de energia elétrica e as instalações elétricas absurdas feitas por pessoas absolutamente incapazes para tal aumentam significativamente o desperdício de eletricidade e contribuem anualmente para incêndios e perdas de muitas vidas.

Assim, para combater as consequências da falta de moradias é permitido morar sob condições inadequadas. E cria-se outros problemas, o de tentar adequar a moradia inadequada, o de cuidar da saúde daqueles que moram nas moradias inadequadas, o da falta de condições sanitárias nos locais onde as favelas se instalam etc.

Assistam ao programa da TV Band de 17/7/12, “A Liga – Morro da Mangueira” (2), se não for possível todos os cerca de 75 minutos, pelo menos os primeiros 15 minutos.

A tal urbanização das favelas e que redundou nas hoje chamadas  comunidades e amanhã de qualquer outra coisa são mais um engodo dos nossos políticos que, com pouco investimento e muita conversa fiada conseguem enganar muitos.

(1) http://soulbrasileiro.com.br/main/rio-de-janeiro/favelas/origens-4/

(2) https://www.youtube.com/watch?v=ZYEfhMQa16E

 Saúde e alegria a todos.

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