Causas e Consequências 3 – certificados

Continuação do tema causas e consequências 2, publicado em 5.4.15. Na primeira publicação com esse título, justifiquei-o. Irei dele trazer apenas a caracterização de causa e de consequência lá apresentadas.

Conforme o dicionário Houaiss, causa é o que faz com que algo exista ou aconteça; é origem, motivo, razão. Consequência é algo produzido por uma causa ou freq. sequente a um conjunto de condições; é efeito, resultado. Combater ou pedir que consequências sejam combativas é perpetuar as causas e não minimizar os problemas, isto é, as consequências.

Certificados. Talvez o melhor exemplo da confusão entre causas e consequências que acontece no Brasil. Confusão esta que eu, cada vez mais, duvido ser por desconhecimento e sim por conveniência.

Um certificado certifica, apenas. Um certificado de conclusão de curso em nome de alguém atesta que este alguém concluiu aquele curso. O certificado não atesta competência ou incompetência, conhecimento ou desconhecimento, maturidade ou imaturidade, adequação ou inadequação. Certificados não afirmam se o seu detentor escolheu o curso por vontade própria ou por vontade de outrem. Ele não certifica se o seu detentor desejou abandonar o curso antes de concluí-lo e não o fez por auto convencimento ou imposição de terceiros. Ele não afirma que o curso foi bem ou mal cursado, que o seu detentor se esforçou para aprender ou se esforçou para não aprender. Ele não atesta se o seu detentor compareceu ou não às aulas, se concentrou-se ou não naquilo que lhe foi apresentado, se buscou aprender o máximo ou o suficiente ou até um pouco menos que isso, para obter o dito certificado. Ele não atesta se o seu detentor quer e se sente bem ao exercer as atividades associadas ao curso. Ele não promete e não garante ser o seu detentor um profissional de futuro ou sem futuro, o que é impossível. Certificados são dispositivos legais e nada mais do que isso. Certificados são consequência obrigatória e inevitável de um curso cursado.

Certificados certificam que foram cumpridos todos os pré-requisitos legais exigidos para a sua emissão.

Certificado de “boa escola”. Se o certificado for de uma boa escola, então há mais garantia. De que?

Mas cada vez mais o único objetivo é o certificado. As pessoas se arrastam durante um longo período escolar, quatro ou cinco anos, externando má vontade e desinteresse, à espera do tal certificado.

A associação do certificado emitido com a “boa escola” abre portas, mas não as fecha quando o certificado a atravessa, para mantê-lo no interior do ambiente adentrado. A porta permanece aberta. A permanência do certificado no interior do ambiente será viabilizada pelo conhecimento associado ao certificado emitido em nome dele. Competência e conhecimento mantêm o certificado no interior do ambiente, ou o expulsam dele rapidamente. Pouco interessa a origem do certificado, interessa, ou deveria interessar a sua condição de realizar atividades de alto nível.

Há exceções com relação à manutenção do certificado no ambiente, encontradas em grande número em países desorganizados, como o Brasil e muitos outros e em número menor em países organizados, como alguns poucos existentes pelo mundo afora. Estas exceções são devidas à própria falibilidade de qualquer processo seletivo, manipulável, influenciável, corrompível etc. Ou o que justificaria o número imenso de “cargos de confiança” ou “em comissão” criados pelos políticos brasileiros e ocupados, óbvio, por pessoas de confiança deles e de seus apoiadores? (1) (2)

Com humildade, vontade, treinamento e orientação dos superiores competentes, aqueles que galgaram postos de forma imerecida poderiam se qualificar para as atividades para as quais não são aptos. A falta de treinamento e orientação, mais comum em sociedades desorganizadas, cria aberrações que, ao serem instaladas acima do nível devido começam a extrapolar nas suas atribuições e passam a se comportar como grandes comandantes, apoiados no conhecimento que não têm e em um misto de arrogância e temor ou de arrogância auto imposta pelo temor de terem reconhecida a sua inadequação. Com isso afastam os eventuais competentes não subservientes e prejudicam a empresa onde atuam.

Ocorreu-me agora a dúvida: Subservientes são competentes, ou a subserviência é uma forma de incompetência?

Relido o texto anterior, percebo ter iniciado a terceira parte da trilogia dentro do tema e, ao final, ter derivado um pouco do tema central. Estive em dúvida se deveria manter ou tirar os três últimos parágrafos. Resolvi deixá-los porque a inadequação profissional, a meu ver uma expressão melhor do que incompetência, é consequência da inadequação na formação profissional. A causa dessa inadequação na escolha da formação deve ser combatida para que se reduza o número dos que mais atrapalham do que ajudam.

Saúde e alegria a todos

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