Dever do estado, direito do cidadão – saúde.

Se há algo que não falha no Brasil, entre muitas outras peculiaridades dispensáveis, é a certeza de se perder muito tempo em ambulatórios hospitalares. Quando se acompanha alguém a ambulatórios, nem o desconforto de um mal-estar nos preenche o vazio. E, quando tudo o que se tem é nada, ou se joga tempo fora em frente a uma TV, ou se começa a pensar e associar coisas. O que fazer quando são associados a programação de TV aberta de um sábado à tarde a uma sala de espera de ambulatório lotada de pessoas falando alto sem parar? Fiquei do lado de fora e comecei a escrever no Iphone. Este texto se iniciou em um sábado à tarde e prosseguiu em dias subsequentes.

1. Hoje pela manhãzinha a sogra nonagenária não se sentia bem e à tarde, por volta das dezesseis horas, nós, filha e genro, a trouxemos para o hospital. O hospital é de um convênio específico para idosos e ela paga algo acima de R$500 por mês. A falação irritante continua na sala de espera. A rede Globo saiu do Incrível Hulk, que eu respeito como pessoa, para as inevitáveis e indescritíveis novelas de mesmo enredo e daí por diante. Por que eu assisto a Globo? Eu não assisto a Globo, vejo chamadas durante alguns programas, em especial o futebol de quartas e domingos; já é suficiente para conhecer a programação e seus detalhes. Voltemos.

A sala de espera estava lotada quando chegamos, com muita gente em pé; esvaziou um pouco entre 17h e 19h e voltou a encher depois das 19 horas. Por ser um plano para pessoas acima de 50 anos, é de se esperar que o hospital seja muito procurado.

São vinte horas e quarenta, estamos aqui há mais de quatro horas e meia e ela ainda não foi liberada, apesar de ter tido apenas de receber soro e retirar sangue para exame. Porque demorou tanto, então? Entre outros motivos porque o prontuário dela foi extraviado no trajeto da cadeira de rodas entre o consultório e o ambulatório, algo como 10 metros. Demorou uma hora para ser encontrado.

Ela foi liberada às vinte e uma e quinze.

Dever do estado: oferecer assistência de saúde ao cidadão, em troca do imposto pago.

Direito do cidadão: pagar por assistência médica, visto ser ineficiente a assistência oferecida pelo estado e já paga, com impostos, pelo cidadão.

Será que o estado nada devolve em troca do imposto pago porque troca é uma palavra que pode induzir a coisa desonesta?

2. Quatro horas no entra e sai de uma sala de espera de hospital permite ouvir muita coisa. E eu ouvi muitas vezes a palavra do momento em São Paulo: dengue. O mosquito da dengue voltou ao Brasil há algumas poucas décadas. A doença flutua em ondas alternadas entre muitos e poucos doentes. No momento o estado de São Paulo vive a situação crítica de um número muito elevado de casos. Desde o retorno da dengue discute-se basicamente se a quantidade de infectados é ou não suficiente para configurar uma epidemia. O poder incompetente de plantão diz que não! A oposição, ávida para chegar ao poder e demonstrar a sua própria incompetência, diz que sim. Fica a dúvida: o que muda se for epidemia ou não?

Quando as doenças são transmitidas a poucas pessoas em determinada região temos uma “endemia” (1). O poder incompetente garante que algumas áreas são, no momento, endêmicas. Parece razoável, não? Todo o estado de São Paulo pode ser caracterizado como uma única região!

Há quem afirme que a situação já atingiu o nível de epidemia. São aquelas pessoas de má vontade que não aceitam o estado como uma única região e preferem analisar o estado como um conjunto de municípios. Mas para haver epidemia há a necessidade de se ter um número mínimo de casos ou de mortes, número que desconheço e pelo qual não procurarei. Se hoje temos cem casos e há uma clara progressão no número de casos, no próximo mês teremos um número maior e assim sucessivamente. Mas os assessores, melhor seria açeçorez, pois falta-lhes seriedade, conhecem apenas Matemática quando a seu favor. Aparentam desconhecer a existência de Estatística e a possibilidade de determinar um valor futuro a partir de informações do passado e do presente. Mas eles passam o tempo todo prevendo inflação, desemprego, etc. Melhor parar, afinal eles conhecem apenas Matemática a seu favor e aquela Estatística é perigosa.

Se tivéssemos uma situação de pandemia, quando além de muitas regiões em determinadas áreas, tivéssemos a doença espalhada por muitos países e eventualmente continentes, acredito que seria mais adequado para as desculpas e a acusação mútua. Pandemia começa com a letra pe; pantomina também.

O poder competente (?) paulista tenta tirar o corpo da responsabilidade aventando falta de empenho da população no combate aos focos de mosquitos. E a parte dele?

Permanece a dúvida: o que muda se for endemia hoje, epidemia amanhã e pandemia depois? Nada, pelo menos no Brasil. O mosquito agradece a verborragia e continua a se divertir conosco.

Dever do estado: oferecer saneamento básico, em troca do imposto pago.

Direito do cidadão: cuidar de si, passar repelente, ser inculpado pelo crescimento do número de casos de dengue, ficar na fila de postos de saúde e morar em regiões, ou vizinho a regiões sem qualquer saneamento básico.

http://www.infoescola.com/doencas/endemia-epidemia-e-pandemia/

 Saúde e alegria a todos

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