Saudações, de Brasília

Dizem alguns que ao chegar a Brasília sentem estar em algum lugar diferente, fora do Brasil. Outros chamam Brasília de ilha da fantasia e outros termos pejorativos.

Esta é a quarta vez que venho e permaneço algum tempo em Brasília. Na primeira vim a passeio, dirigindo e com toda a família e ficamos hospedados na casa de um amigo. Na segunda fiquei quatro dias, acredito, na casa do mesmo amigo, mas para assistir a um curso ministrado pelo órgão norte americano responsável pelo gerenciamento do uso da água em todo o território dos EEUU. Hoje, como na vez anterior, estou aqui para participar de um treinamento para aplicação do novo Instrumento para Avaliação Institucional Externa (IAIE), visto ser eu avaliador de Instituições de Ensino Superior (IES) e também avaliador de cursos de Engenharia Mecânica. Na vez anterior pouco circulei por Brasília; cheguei ao final da tarde, hotel, curso o dia todo, hotel, curso o dia todo, hotel, de volta para SP. Hoje também pouco; cheguei ao início da tarde, hotel, almoço no Shopping a 200 metros do hotel, voltei ao hotel e escrevo. Outra vez, em 2012, desembarquei em Brasília a caminho de uma avaliação de curso em Paracatu, norte de Minas Gerais, a 250 km de Brasília. E voltei a Brasília para embarcar de volta a SP. Nesta oportunidade pude vivenciar o caos do tráfego de Brasília.

Sinto Brasília uma cidade diferente, planejada para cumprir uma função determinada e não exatamente simples; ser a capital do Brasil. Tudo em Brasília é diferente, talvez devido a ter sido planejada na segunda metade da década de 1950. À época já se havia avançado muito em urbanismo e arquitetura para que se pudesse construir o que se vê por aqui. Pena que como todo projeto brasileiro executado, os gerentes se esquecem dele e o largam ao Deus dará. Brasília foi projetada para 500 000 habitantes e tem hoje cerca de 3 000 000, crescendo o dobro da média anual brasileira.

Não estou escrevendo para criticar os desmandos do poder público brasileiro. Não hoje e mesmo depois de ter lido que “Convenção do PSDB paulista vira ato de lançamento de Alckmin para 2018” (1). De novo? Mais uma vez? Nada novo, ou melhor?

De volta ao tema. Eu nunca havia sido um entusiasta dos critérios de avaliação de IES. O primeiro, que foi chamado de provão, criado pelo governo Fernando Henrique e aplicado para universitários a partir de 1996 era muito dinheiro jogado fora e pretendia basicamente avaliar uma empresa pelo seu produto. Esqueciam eles que o produto não era uma máquina ou um bem qualquer e sim um ser humano, que tem vontade própria e pode aceitar plena ou parcialmente ou rejeitar completamente o que lhes é apresentado. Esqueciam eles também que uma instituição de ensino superior é o fim de um processo de formação. E falhas ao início do processo levam a um produto final também falho. Isto ainda acontece hoje.

O governo Lula mudou o processo e com os novos critérios de avaliação das IES houve a necessidade de ser aumentado o número de avaliadores. Eu não acreditava no governo federal e na sua capacidade de fazer algo bem feito. E de muito antes do governo Lula. Sempre fui cético com todos os governos, municipais, estaduais e federais. Por outro lado, acredito que a desconfiança seja algo que não deve permanecer em qualquer relação. Deve-se, o mais rápido possível, transformar o ceticismo ou a dúvida em algo definitivo, crença ou desconfiança comprovada. Não consigo aceitar algo que ouvi muitas vezes, que se deve confiar desconfiando.

E eu me inscrevi para a capacitação para Avaliador Institucional do INEP. Certo de que confirmaria a minha desconfiança. As vagas foram preenchidas em algumas horas após o envio do e-mail de convocação e eu fiquei fora. Uma segunda vez também não foi possível por acontecer nas férias de julho e eu já ter algo programado. Enfim, em 2009 participei da capacitação em Brasília e pouco tempo depois realizei a minha primeira avaliação institucional em Curitiba. De lá para cá realizei algumas avaliações institucionais e algumas de curso.

A capacitação acabou com o meu ceticismo com relação ao INEP. Havia seriedade no trabalho, tanto por parte dos aplicadores das atividades, quanto por parte dos participantes de todo o Brasil. Posteriormente passei por capacitação para avaliar cursos, no caso de engenharia mecânica. As avaliações de que participei, tanto institucionais quanto de curso, me convenceram que, até o nível do INEP, há seriedade e vontade de melhorar a estrutura educacional superior no Brasil. Acima do INEP a desconfiança permanecerá para sempre, pois não pretendo ir além de onde estou hoje e não consigo dar crédito a políticos, não mais.

Em 2014 houve uma reestruturação no Instrumento de Avaliação Institucional Externa (IAIE), e que será discutido amanhã e terça para posterior aplicação. E, mais uma vez aflorou o meu ceticismo. Não adianta, são muitos exemplos de ineficiência ao longo de muito tempo para eu deixar de ser cético. Digo até que já não sou apenas cético, já sou “oitico” ou “nonico”.  Talvez “onzico”. Ontem à tarde li e comparei os dois IAIE, o vigente e o que o substituirá. E o novo é melhor do que o atual, apesar de conter mais palavras do que o necessário e muito “pedagogês”, ambos comentários típicos de engenheiro, reconheço.

Recomendo um acesso à página do INEP (2).

(1) http://www1.folha.uol.com.br/poder/2015/06/1642029-convencao-do-psdb-paulista-vira-ato-de-lancamento-de-alckmin-para-2018.shtml

(2) http://www.inep.gov.br/

Saúde e alegria a todos

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s