Brasileiro e corintiano

Preâmbulo: Nada publiquei entre 5.7.15 e 22.7.15, hoje. Desculpem-me os poucos leitores. É minha intenção escrever a respeito da viagem feita entre 5.7 e 13.7 e que me impediu de publicar. Viajo na próxima sexta e acredito que falharei em algumas datas. Desculpo-me antecipadamente. De volta ao tema previsto para 5.7.15, não terminado em tempo por correções e revisões de provas e publicado agora.

Há muito ouço que não existe educação por palavras, a menos que as palavras sejam seguidas por exemplos. Ou até que, deixando-se de lado as palavras, a educação se dá pelo exemplo. Deve-se aqui considerar educação sob ótica mais abrangente. Não apenas educação de crianças ou adolescentes, mas também orientações e influências sobre comportamento, honestidade, seriedade e outros atributos que fazem do ser humano um ser confiável ou, melhor, um ser racional confiável.

O título objetiva traçar um paralelo a meu ver indiscutível, entre o comportamento identificável nos governantes brasileiros e na direção do time de futebol Corinthians. Poderia ser Brasil e Confederação Brasileira de Futebol, ou Brasil e Botafogo do RJ, ou Brasil e qualquer outro esporte ou clube esportivo. Corinthians por eu acompanhar mais de perto as coisas corintianas. Mais de perto hoje significa mais de longe do que ontem, pois não há paciência que resista tanto sobe e desce pelas mesmas razões.

Hoje ambos, Brasil e Corinthians, se debatem com os mesmos problemas, recorrentes há anos. Problemas de decisões equivocadas, mas que de forma semelhante, mas por outros dirigentes, foram tomadas várias vezes ao longo do passado. Decisões equivocadas que levaram a problemas, que foram sanados, mesmo que parcialmente. E, uma vez saneados os problemas, mesmo que parcialmente, os equívocos foram repetidos ou repetidos de forma agravada e levaram a problemas, que foram saneados … Aparentemente o ciclo vicioso, ou “ciclo diabólico” segundo os alemães, jamais será rompido; no Brasil ou Corinthians.

A economia brasileira vai de vento em popa, como sempre. Melhor seria de cima a baixo. Uma vez lá em cima, mas não tão lá, pois somos sempre os últimos dentre os emergentes, de vez em quando cá em baixo, mas bem em baixo. A crise econômica de 2008, chamada de marolinha pelo então Presidente da República, foi rapidamente dominada e resolvida com a mágica da redução do valor das parcelas para compra de veículo zero quilometro. “Compre agora e pague a perder de vista”. A então ministra, hoje presidente, afirmava sobre o Brasil que: “Nós fomos o primeiro a sair da crise e o último a entrar nela” (1).

Em 2008 o Corinthians foi rebaixado para a segunda divisão do campeonato brasileiro de futebol. Muitos choraram, a tristeza foi grande. Eu não fiquei triste porque a única recompensa para a incompetência é a redução de nível. Na verdade, não é redução de nível, mas a chegada oficial ao nível em que já estava. A nova direção, que havia sido empossada pouco antes do final do Campeonato Brasileiro, não foi responsável pelo rebaixamento. E, mãos à obra, mudou tudo. E o Corinthians foi campeão nacional da segunda e da primeira divisões, campeão paulista, brasileiro, da libertadores, mundial, duas vezes paulista, da Recopa Sul Americana, da Copa do Brasil.

O Brasil sediou um evento mundial e, apesar das promessas não cumpridas com relação a infraestrutura, e 7 x 1 à parte, o vexame organizacional não foi retumbante. E a Copa do Mundo se iniciou no novo estádio do Corinthians, em Itaquera, onde, a meu ver, deveria mesmo ser construído. O time do povo, em meio aos melhores representantes do povo.

Maravilha, Brasil e Corinthians finalmente tomaram jeito. Mesmo?

Final de 2014. Brasil balança economicamente, problemas são escondidos, promessas pré-eleitorais são feitas.

Final de 2014. Corinthians se prepara para eleições. Dívidas com o governo federal se elevam. A construção do estádio deve ser paga, apesar de um sem número de desinformados por escolha pessoal terem bradado aos quatro ventos que o estádio seria construído com dinheiro público.. Pagamentos de impostos, não feitos pelas gestões de após 2009, oneram ainda mais o clube.

Novembro de 2014. A presidente se reelege. As mentiras pré-eleitorais revelam-se. O Brasil entra em processo de crise econômica. Um novo plano de ajuste econômico é parido, mais um. O gênio agora chama-se Joaquim Levy, contra quem nada tenho, isto é, nada contra, nada a favor. Milhares perdem seus empregos etc.

Fevereiro de 2015. Eleito o novo presidente do Corinthians. O clube corre atrás de compradores para seus jogadores. Vende jogador júnior para time do exterior, caça compradores para seus jogadores. Perde o centro avante Guerrero.

Não foi a primeira vez que Brasil e Corinthians passaram por tais problemas. Será a última?

Eu respondo a pergunta feita por mim: NÃO É MAIS POSSÍVEL ACREDITAR QUE SIM.

(1) http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/tag/marolinha/

Saúde e alegria a todos

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