Até Machu Pichu

De há muito tempo eu pensava em visitar Machu Pichu. Não me lembro desde quando. E sempre, por alguma razão, eu deixava para uma próxima oportunidade. Até o momento em que eu percebi que não sou eterno e estou, a cada dia, me afastando mais do ano de chegada.

A possibilidade de viajarmos com Mariana e Jim criou a oportunidade de irmos ao Peru. O objetivo era Machu Pichu, mas ficamos dois dias e meio em Lima, um dia e meio em Cuzco, 2 dias em Ollantaytambo e um dia em Machu Pichu. Alguns afirmariam que deu para ver tudo. Vimos o mínimo, mas o máximo possível. E estou satisfeito, com Machu Pichu, com certeza. Com Cuzco e seus 3400 metros de altura, também; mais por haver muito mais a ser visto em outros lugares fora do Peru do que de eu estar satisfeito com o que vi. Com Lima, não sei.

Gostei muito do Peru, da educação das pessoas, e dos bairros de classe média onde estivemos hospedados e por onde circulamos a pé. Andamos bastante; nada melhor para se ter uma impressão sobre o povo do que estar com ele. Vimos, à distância, os bairros pobres. Para ser sincero, basta-me a pobreza construída ao longo dos anos no Brasil e com a qual eu me relaciono regularmente.

Ao início de julho de 2015 no Peru, um real comprava 0,95 soles. Hoje, 1 de agosto, o real deve estar valendo menos. Pode-se pagar em soles ou em dólares americanos. A conversão, 3 soles = 1 dólar, é feita de forma honesta, segundo os valores de câmbio do dia e em qualquer lugar que se deseje pagar em dólares. No comercio e em serviços, quando possível, a palavra é negociar. O preço do táxi entre Cuzco e Ollanta, cerca de 60 km, começou custando US$ 120,00; preço final $ 120,00 soles.

A ida a Machu Pichu se inicia em Lima, onde desembarca a maioria dos turistas. Cerca de quatro horas de voo de SP e desembarcamos em Lima. O aeroporto, construído na década de 80 é acanhado, como os seus contemporâneos terminais 1 e 2 de Cumbica. A organização e o nível de ruído também se assemelham com Cumbica. Tenho a impressão que este tipo de comportamento é característica latina, pois já o vivenciei em vários locais, latinos, seja na América, seja na Europa. Passados os vários controles, somos assediados por taxistas ainda no interior do aeroporto. Como não há controle de taxistas nem há taxímetro, qualquer um pode ser taxista. E a solução é negociar.

O aeroporto de Cuzco é pouco mais do que um campo de pouso. Pista grande, instalações acanhadas para a quantidade de pousos diários que afluem para lá. Um taxista comentou que há a pretensão de transformá-lo em um aeroporto internacional de verdade, pois no nome consta ser ele internacional. O voo até Cuzco é curioso. O avião decola de Lima, ao nível do mar, e em pouco tempo passa a sobrevoar os Andes. E o que se vê são montanhas e vales. Depois de algum tempo o comandante informa sobre a preparação para o pouso. E o que se vê são montanhas e vales. Em processo de descida, o avião se aproxima cada vez mais dos picos, ladeados por vales e o que se vê são montanhas e vales. Depois de uns quinze minutos, talvez menos, vê-se a pista e pousamos. E desaparece a dúvida sobre a existência de um aeroporto em Cuzco.

Desembarcamos a 3400 metros de altitude, o Jim negociou, entramos no táxi e seguimos direto para Ollanta, a 2800 metros de altitude. Problemas com altitude, nenhum. O planejamento da Mariana foi perfeito. E pode-se concluir que, uma vez ambientados a 2800 metros, teremos menos problemas ou nenhum, quando voltarmos para permanecer dois dias em Cuzco.

A única forma de se chegar a Machu Pichu é percorrer os cerca de 60 km de trem entre Ollanta, cidade mais próxima a Aguas Calientes ou Machu Pichu Pueblo (2050 m) ao pé da montanha Machu Pichu. Em Aguas Calientes toma-se um micro-ônibus para percorrer o trajeto ascendente até a chamada cidade sagrada dos incas (2400 m). Cerca de 20 minutos depois somos deixados ao lado do restaurante e das facilidades oferecidas aos turistas. Caminha-se no máximo 100 metros para chegar ao único acesso controlado da cidade. O bilhete de entrada permite entrar e sair durante todo o dia.

Não há banheiros públicos no interior da cidade, apenas do lado de fora. Os banheiros são insuficientes para o número de turistas, como pudemos vivenciar quando de nossa visita. Não é permitido entrar com bolsas e sacolas na cidade, porém pode-se guardá-las em locais específicos do lado de fora ou logo ao cruzar o controle de ingresso. Não é possível entrar com comida na cidade. Mas, somos latinos, e os guardas fazem vistas grossas para pessoas comendo no interior da cidade, desde que levando consigo o lixo gerado. O cuidado dos guardas da cidade para com a preservação da cidade e com o comportamento dos que fazem gracinha com a própria vida é digna de aplausos. Afinal, a cidade foi construída em pedra na encosta de uma montanha e o se tem quase sempre ao lado são vales profundos e nenhuma proteção contra falta de bom senso.

A primeira pergunta que me veio à cabeça foi simples: como foi possível construir aquela cidade, naquele lugar e ao redor do ano de 1500?

Desculpem-me, mas acabamos de entrar em Machu Pichu. Acredito que precisarei de mais outro tanto de palavras para falar sobre a cidade. Por esta razão paro por aqui; na próxima semana entraremos em Machu Pichu.

  Saúde e alegria a todos.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s