Em Machu Pichu

De há muito tempo eu pensava em visitar Machu Pichu. No dia 9 de julho de 2015 eu estava lá.

Passamos pelo controle de ingressos, seguimos cerca de 20 metros por um caminho construído para os turistas acessarem a cidade, ladeado pela montanha à esquerda e, protegido por parapeitos de madeira, o vale profundo à direita. Cerca de quinhentos metros abaixo via-se Machu Pichu Pueblo.

A cidade foi construída na encosta da montanha. Os seus dois únicos acessos ficavam na parte mais alta, em caminhos que levavam a Cuzco, cerca de setecentos metros acima de Machu Pichu. Hoje entra-se na cidade pelo seu centro, com relação à distribuição das construções na encosta. Não é possível dizer que, dobrando uma esquina a cidade de pedra se descortina à nossa frente. A cidade está distribuída em uma área relativamente grande, porém na encosta inclinada e, o que mais se faz ao visitá-la é subir e descer degraus.

As fotos 1 e 2 foram feitas do ponto mais alto da cidade, ao lado do posto da sentinela.

Featured image        1. Vista a partir da entrada da cidade (ponto mais alto)

Featured image        2. Vista a partir da entrada da cidade (ponto mais alto)

Consta que a cidade floresceu entre os anos de 1460 e 1540, tendo sido abandonada sem uma explicação plausível ou conhecida. Há citações de ocupação do local já no século XIII, o que explica a área construída, pois o que ali se vê não pode ter sido construído em cerca de 100 anos, considerando a falta de recursos de trabalho. Os incas não conheciam animais de carga e mesmo que os conhecessem seria muito difícil usá-los em um terreno íngreme como o de Machu Pichu.

Apesar de terem sido usadas as pedras disponíveis no local, não havia máquinas de transporte para movimentar os blocos usados nas construções. Tudo foi feito com mão de obra humana. O acabamento das pedras de algumas construções lembra trabalho de escultor; as pedras são duras e não havia outras ferramentas que não martelo e talhadeira para o trabalho bruto e cinzel para esculpir. A precisão dos encaixes, a qualidade das superfícies das pedras superpostas e o acabamento externo em curva encontrados na foto 3 atestam a elevada habilidade dos artesãos incas.

Featured image           3. Superfície curva

A qualidade do trabalho visto na foto 3 era, porém, privilégio da casta mais alta, nobres e sacerdotes. A população contentava-se com pedras irregulares superpostas para construção de suas moradias, conforme pode ser comparado na foto 4.

Featured image        4. Alternativas de superposição de pedras

A cultura inca desapareceu sem deixar para a posteridade o conhecimento adquirido e desenvolvido em várias áreas da tecnologia. As obras hidráulicas incas, de captação, transporte de água e irrigação encontradas em várias partes do Peru são reconhecidas hoje, com todo o conhecimento disponível na área, como de alta qualidade. A agricultura praticada em terraços, foto 5, única forma de plantar em encostas, associada à irrigação altamente desenvolvida, permitiu a produção de alimentos em ambientes inóspitos, com altitudes e temperaturas típicas a altitudes acima de 2000 metros.

Featured image          5. Terraços para agricultura

Além de plantarem, os incas também pesquisavam sobre a influência da altitude no desempenho das culturas ali cultivadas. Os terraços vistos na foto 6 foram construídos próximo ao pico da montanha encontrada ao fundo da foto 1.

Featured image            6. Terraços em grande altitude

O trabalho com metais, ouro, prata, cobre, processos de soldagem de ouro eram conhecidos e praticados pelos incas. Nada deste conhecimento sobreviveu ao final da civilização inca; restaram apenas os produtos do conhecimento acumulado e perdido. Talvez por esta razão alguns cogitam terem tido os incas contato com civilizações extra-terrestres.

Em dois pontos da cidade são encontrados locais de sacrifício, também humano, que eu não fotografei. Tais locais estão à entrada da cidade, em seu ponto mais alto ao lado do posto de sentinela e na parte oposta a esta, ao fundo e à direita da foto 1. Ao ler sobre Machu Pichu sempre estranhei as informações sobre uma cidade sagrada, onde os visitantes sentiam uma “energia boa” fluindo para si. Eu me perguntava o que poderia haver de divino e de energia boa em um local onde se fazia sacrifícios humanos regularmente. Não sou cético, mas sou engenheiro, o que talvez me faça “um técnico sem sentimentos” como ouvi há algum tempo de mãe de aluno. E, pior, não consigo entender o uso dado à palavra energia pelas pessoas, talvez por trabalhar tecnicamente com energia há quase meio século. Fato é que não senti ou recebi energia em Machu Pichu e sim deixei energia em Machu Pichu; não apenas eu. No retorno a Ollantaytambo o trem lotado mostrava pessoas cansadas por terem o dia todo subido e descido escadarias em grandes altitudes, sem estarem habituados a tais esforços.

Este foi o texto mais difícil de escrever dentre todos os escritos até agora. Fica a sensação de que poderia ser melhor, mas teria de ser mais amplo. Talvez volte a escrever mais sobre o Peru.

Uma visita a Machu Pichu se justifica sempre. No meu caso justificou-se pela possibilidade de vivenciar uma civilização desaparecida que criou muito, mas explicou pouco. Justificou-se ainda pela oportunidade de descobrir o Peru e que há ali muito mais do que Machu.

Como complementação insiro as fotos abaixo. Deveria estar inserida ainda uma décima foto, feita no Museu Larco, de Lima, altamente recomendado para interessados na cultura sul-americana pré-colombiana. A foto contém um texto interessante sobre sacrifícios humanos, porém a perda de qualidade na inserção impede a sua leitura.

Featured imageFeatured imageFeatured image7. Caminhos de Machu Pichu  8. Posto de guarda (alto)     9. Acesso a Machu Pichu

https://pt.wikipedia.org/wiki/Imp%C3%A9rio_Inca

http://www.museolarco.org/

 Saúde e alegria a todos.

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