Mudança de patamar – o início

Desde os anos 50 o Brasil se debate com problemas semelhantes, para não escrever com os mesmos problemas. Com o perdão do presidente Lula, certo de ter descoberto o Brasil em 1 de janeiro de 2013, ao tomar posse na presidência, desde o final da década de 50 nada de novo e impactante acontece no país. E já lá se vão sessenta e cinco anos.

O primeiro impacto da década de 50 foi a chegada da indústria automobilística. O segundo impacto foi a construção de Brasília, entre 1955 e 1960, por um Presidente da República visionário e sonhador.

E o país que trouxe para o Brasil a indústria automobilística poderia ter sido tomado como modelo pelos nossos dirigentes da época. A Alemanha havia perdido duas guerras mundiais; na primeira, 1914-1918, os vencedores exigiram reparações que levaram o país à penúria e a uma inflação absurda. Na segunda, o país foi dividido em algo como 2/3 sob administração dos USA, Inglaterra e França, a República Federal da Alemanha, e 1/3 sob administração soviética, a República Democrática da Alemanha, cuja proximidade com a democracia era discutível. Em 1952, quando havia ainda soldados alemães em campos de prisioneiros e boa parte da República Federal da Alemanha por reconstruir, a Volkswagen chegou ao Brasil para iniciar o processo brasileiro de industrialização, a partir de São Bernardo do Campo. Eles trouxeram ao Brasil o conhecimento e a competência obtida nas suas escolas, que sobreviveu às guerras, porque conhecimento somente pode ser destruído se todas as pessoas forem aniquiladas. Até hoje ainda não descobrimos tal verdade aqui no Brasil.

Brasília colocou o país em movimento. Pessoas de todos os cantos do Brasil afluíram para construir Brasília e por lá ficaram. Da mesma forma, durante boa parte da década de 60 houve um grande afluxo de nordestinos para São Paulo, atraídos pela demanda por mão de obra da indústria automobilística e da indústria civil. A demanda por energia, principalmente elétrica, levou à construção, entre 1960 e 1980, da maioria das usinas hidrelétricas hoje em operação no país. A demanda por conhecimento levou à criação de novas Escolas Superiores, de Engenharia para suprir o conhecimento tecnológico, muitas outras dedicadas às demais áreas do conhecimento. Empresas brasileiras foram criadas, paralelamente à chegada de empresas estrangeiras. A economia brasileira cresceu como jamais havia crescido antes.

O Brasil havia mudado de patamar, de país agrícola exportador de café, sujeito ao sobe-e-desce das cotações das sacas de grãos da bebida, passou a um país industrial, apesar da indústria ainda incipiente. A indústria civil desenvolveu competência suficiente para projetar e construir barragens de usinas hidrelétricas, instalações sofisticadas e outros produtos de alta tecnologia. Outras indústrias automobilísticas vieram para o país construir e vender seus veículos.

O novo patamar produziu reflexos ao longo de décadas.

Mas, aparentemente, os governantes não entenderam ser impossível crescer em espasmos ou aos trancos e barrancos. Não entenderam a necessidade de planejamento, de preparação do futuro, de analisar o presente para intuir o futuro e se preparar para ele. Agem eles como o proprietário de um veículo que prefere esperar quebrar para ficar lamentando enquanto espera o reboque para oficina mecânica, a fazer a chamada manutenção preventiva.

E, por falta de planejamento, não aconteceu uma segunda mudança de patamar. Aconteceu um retorno ao passado. O despreparo e o desinteresse do governo permitiram que um grande número de empresas brasileiras desaparecesse. Restaram as grandes construtoras, atoladas na tentativa de alguns de se apropriar dos bens da Petrobras. Os escritórios de projeto civil responsáveis pelos projetos das hidrelétricas desaparecem em meio à crise da década de 80. As indústrias Villares, que fabricavam elevadores, aço, máquinas de transformação de energia, motores de embarcações não existem mais. Os estaleiros brasileiros desapareceram. Outras indústrias desapareceram ou foram vendidas para empresas estrangeiras. A indústria automobilística nacional, a primeira a ser implantada em país sem tradição na área continua a apresentar nenhuma indústria de capital brasileiro. Enquanto isso, a indústria coreana, mais recente que a brasileira, vende-nos trens de metrô e instala no Brasil a sua indústria automobilística. E, mais recente ainda, a indústria automobilística chinesa já produz e vende por aqui seus produtos.

Do final do chamado período militar para cá o que se viu e vê é uma completa dissociação entre governo e governados. O governo governa para si e para a arrecadação de impostos. Justifica a volúpia por mais e mais impostos com o “apoio aos necessitados“. Demonstra absoluto desinteresse em qualquer coisa que não seja arrecadar. Mente, engana, se desmoraliza e continua repetindo a mesma ladainha de sempre. Quando as coisas vão mal, “eles” provocaram a situação sem “eu” saber. Quem são “eles”? A interpretação fica por conta do leitor. Quando as coisas vão bem, foi a minha, do governante, genialidade.

Na década de 60, o Brasil havia mudado de patamar, de país agrícola exportador de café sujeito ao sobe-e-desce das cotações das sacas de grãos da bebida, passou a um país industrial, apesar da indústria ainda incipiente. A partir da década de 1990, o Brasil retornou ao patamar anterior, de país agrícola e exportador de “commodities”. Não dependemos mais do café, ainda dependemos da nossa vocação agrícola como querem alguns, hoje com a soja à frente, e das nossas riquezas minerais. Com isso substituímos montanhas de minério de ferro por imensos buracos cheios de água escura, inaproveitável. Aparentemente abandonamos a tecnologia e nos atiramos nos braços de compradores e atravessadores que manipulam preços de commodities em bolsas de mercadorias no exterior. Pelo menos, neste caso, transferir a culpa para “eles” não é mentira, é só meia mentira.

Não é novela, mas continua na próxima semana.

Saúde e alegria a todos

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