Mudança de patamar – o retorno

O texto publicado na semana anterior, sob título “Mudança de patamar – o início”, começa com a frase: O primeiro impacto da década de 50 foi a chegada da indústria automobilística. O segundo impacto foi a construção de Brasília, entre 1955 e 1960, por um Presidente da República visionário e sonhador. Ele se encerra com o parágrafo: Na década de 60, o Brasil havia iniciado a mudança de patamar, de país agrícola exportador de café sujeito ao sobe-e-desce das cotações das sacas de grãos da bebida, mostrou-se como um potencial país industrial, apesar da indústria ainda incipiente. A partir da década de 1990, o Brasil retornou ao patamar anterior, de país agrícola e exportador de “commodities”. Hoje não dependemos mais do café, mas ainda dependemos da nossa vocação agrícola como querem alguns, com a soja à frente, e das nossas riquezas minerais. Com isso substituímos montanhas de minério de ferro por imensos buracos cheios de água escura, inaproveitável. Aparentemente abandonamos a tecnologia e nos atiramos nos braços de compradores e atravessadores que manipulam preços de “commodities” em bolsas de mercadorias no exterior. Pelo menos, neste caso, transferir a culpa para “eles” não é mentira, é só meia mentira.

O próximo parágrafo dá continuidade a ele.

Hoje, setembro de 2015, estamos no fim do governo Dilma Roussef, apesar de as próximas eleições presidenciais acontecerem apenas em outubro de 2018. A meu ver devem ser rejeitadas as manobras e tentativas de deposição da senhora presidente, visto que substituir pilantras por pilantras não leva a lugar algum e substituir pilantras por militares representa o retrocesso a 1964, quando os militares tinham em mãos o poder de higienizar a política brasileira e uniram-se aos piores para manter o poder e lançar as bases da situação atual, voluntaria ou involuntariamente. Higienizar não por destruição física, mas por impedimento legal.

Quatro anos de final de governo serão horríveis, ainda mais com a incompetência e desonestidade que cerca o poder em Brasília.

As perspectivas não são boas para o governo a tomar posse em 2018. Más perspectivas para o Brasil, não para os futuros governantes, já em movimento para candidatura.

Pela situação, PT, o rei das obviedades, Luís Inácio Lula da Silva declarou mais de uma vez na semana de 23 a 30 de agosto que se necessário irá se candidatar para lutar contra o retorno da atual oposição ao poder.

Pela oposição, PSDB, candidatam-se a candidato Aécio Neves, ex-governador de Minas Gerais e derrotado em seu próprio estado pela presidente Dilma Roussef nas eleições de 2014. O segundo e eterno candidato a qualquer coisa, no momento senador da república por São Paulo, José Serra, predispõe-se a abandonar o Senado para governar o Brasil. Pelo menos ele não prometeu terminar o mandato e com isso não precisará das desculpas esfarrapadas dadas quando largou a prefeitura da cidade de São Paulo para se candidatar a governador do estado, após prometer cumprir todo o mandato. E, correndo por fora, mas sem querer ficar de fora, o atual governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Aquele que manipula estatísticas para justificar qualquer coisa. Aquele que em entrevistas enfatiza todas as palavras, na vã tentativa de ser menos monótono do que sempre foi e continua sendo.

Considerando-se quem já se movimenta pelo PSDB, o ex-presidente Lula deveria ser aplaudido pela sua predisposição à luta. Mas considerando-se que o lutador é o ex-presidente Lula, tal se torna impossível.

E, apenas como observador altamente interessado, o PMDB. Interessado em saber quem ganha para se oferecer humildemente como aliado. Isto feito, manter-se-á no poder, o que vale!

Esperar por uma nova e terceira mudança de patamar na economia, agora para melhor já que conseguimos subir na primeira e descer na segunda, parece-me inútil face aos governantes e seus assessores presentes e futuros. Corrigindo, presentes e passados, pois a política brasileira, como o Brasil, não se preocupa com o futuro. A realidade pode ser vista nas candidaturas à presidência da república e aos governos dos estados. Não há ou não é permitido o aparecimento de novas lideranças nos principais partidos.

Pelo PT, Lula se candidatou e foi derrotado em 1989, 1994 e 1998. Candidatou-se e venceu em 2002 e 2006. Já se oferece como candidato para 2018. A liderança apoiada por ele, Dilma Roussef, venceu em 2010 e 2014. E esta liderança está mentindo desde a eleição de 2014 para justificar mentiras anteriores à eleição e lidera nada, ou melhor, está refém dos presidentes da Câmara e do Senado.

Pelo PSDB, Aécio perdeu de Dilma em 2014, Alckmin perdeu de Lula em 2006 e Serra perdeu de Lula em 2002 e de Dilma em 2010.

Antes de uma mudança de patamar na economia, devemos buscar uma mudança de patamar na política brasileira. E mudar política significa mudar políticos. E mudar políticos significa analisar os pretendentes e selecioná-los adequadamente. Para tanto, as pessoas precisam aprender a pensar, com o que as escolas deixaram de se preocupar. Então, para mudar a política precisamos mudar as escolas. Porém, as escolas fazem o que as famílias exigem, alguns psicólogos defendem e os políticos executam, com um olho nos votos e o outro na elevação de impostos. Pensar não está no cardápio.

Não parece fácil. Não será fácil! Não será fácil principalmente porque em um estado de direito, as mudanças partem do legislativo e são implantadas pelo executivo, sob observação do judiciário. E estes três poderes não perdem a oportunidade de demonstrar desinteresse em abrir mão de suas regalias, justas ou não. Não foi por esquecimento que o povo deixou de ser citado como observador; ele foi deixado de fora porque pouco se interessa pelo que ocorre no país e consigo mesmo.

Saúde e alegria a todos

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