Escolas

Inicio com um parágrafo do post 32 Brasil ou brasileiros: Educação não é sinônimo de escola e vice-versa. Ou, para os que consideram escola sinônimo de educação, deve haver duas escolas. As pessoas são educadas em suas casas, por suas famílias, para as relações interpessoais. Na escola do lar, se assim o preferirem. O conhecimento livresco é apresentado nas escolas pelos professores. Apresentado, não ensinado. Talvez os professores dos primeiros cursos infantis possam ser chamados de educadores. A partir do curso básico tal expressão, educador, torna-se mais sem sentido quanto maior a idade dos estudantes e mais independentes eles forem. O uso da palavra educador para professores universitários é típica de um modismo que infelizmente não seguiu a regra dos modismos; não desapareceu rápido.

Da caracterização de “ensinar”, encontrada no Dicionário Prático Brasileiro, parte Dicionário Houaiss, ensinar abrange tanto oferecer os cuidados necessários ao pleno desenvolvimento da personalidade, quanto transmitir conhecimentos. Sob esta ótica todos os seres humanos são educadores, pois todos se ocupam de todos; às vezes intrometendo-se até demais na vida alheia. Não gostaria de chamar um chato palpiteiro e enxerido de educador. O educador existe se ele tiver sob sua orientação um ou mais aprendizes. Precisamos caracterizar aprender ou aprendiz.

Da caracterização de “aprendiz”, encontrada no Dicionário Prático Brasileiro”, parte Dicionário Houaiss, conclui-se ser o aprendiz alguém que busca formar-se em alguma das áreas do conhecimento e/ou da habilidade. Assim, um aprendiz é aquele que atenta e interessadamente aprende e progride com a ajuda do seu educador. Um aprendiz modelo Dicionário Prático Brasileiro segunda parte, aquele que ensina antes de aprender, que acha que sabe, não está comprometido com atenta e interessadamente aprender e progredir. Aqueles a quem o hipotético aprendiz está ligado jamais serão educadores, por maior que seja a sua vontade e competência para educar, pois falta-lhes a única ferramenta necessária à educação, ou melhor, o aprendizado se consumar. A vontade do aprendiz.

Estou cada vez mais nadando contra a corrente. Como é possível afirmar que professor não ensina? Em linguagem atual, como é possível afirmar que professor não passa conhecimento? Como é possível tentar tirar da boca dos alunos a expressão “o professor não sabe passar o conhecimento”? Como é possível responsabilizar o aluno como o principal agente de sua educação, ou melhor, aprendizado?

Sugiro ao leitor uma experiência simples, como já fiz no passado. Peça a este alguém, defensor do professor passador para lhe “passar” uma informação qualquer, desconhecida por você, quando você a solicitar. Diga ainda que, ao finalizar a “passagem da informação”, a pessoa toque o seu ombro. Ato contínuo, vire-se de costas para a pessoa, tape os ouvidos, feche os olhos e peça a informação. Ao encarar novamente o interlocutor esteja com os ouvidos preparados para as críticas, que abrangerão falta de educação, desinteresse, grosseria e outras expressões semelhantes. Por que você não aprendeu o que a pessoa ensinou? Apenas porque você não quis. O ato de aprender passa por querer aprender. Por esta razão um professor não ensina; um professor ajuda a aprender. Mas apenas podem ser ajudados aqueles que querem e permitem ser ajudados.

Este não é um problema brasileiro, é um problema ocidental, aparentemente. A sociedade ocidental parece estar enfastiada, preocupada mais com a diversão do que com o trabalho. Que os países ricos estejam enfastiados pode-se até tentar justificar, mas que os pobres também o estejam, soa a mim absurdo. E que os pobres dos países pobres estejam enfastiados ultrapassa a minha compreensão. Discute-se basicamente ganhos nos últimos semestres dos cursos das escolas profissionalizantes.

Apresento a seguir parte de uma conversa com um aluno que havia me procurado para pedir explicações sobre um determinado assunto.

– Isso é muito difícil, disse o aluno, acho que não vou perder tempo. Se cair na prova, não faço a questão.

– Esqueça a prova, as escolas aceitam metade como ótimo. E se algum dia você tiver de resolver profissionalmente um problema que exija o conhecimento que você pretende desprezar?

A resposta não tardou: – Eu peço para um colega resolver para mim.

– Para viabilizar o salário, o seu colega deverá estar envolvido com alguma outra atividade. Se ele parar para resolver o seu trabalho, quem fará o dele?

Não houve resposta. O difícil continuou desconhecido.

 

Saúde e alegria a todos

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