Ano Novo

Ano Novo, ou quando tudo será diferente!

Início de uma nova vida. O mundo irá mudar. Todos mudarão. A mudança no dia primeiro de janeiro nada tem com religião, todos participarão sem constrangimentos.

Nós, brasileiros, iremos praticar todos os rituais antigos e recentes para termos um ano novo, novo. Por novo talvez diferente? Para melhor, lógico. Para melhor o que ou em que?

2016 em especial precisa de muitos saltos sobre ondas na praia. Se não me engano, deve-se saltar sete ondas. Ondas suaves, pois caso contrário não será possível saltá-las. Por que não oito ou seis? Porque devem ser sete, alguém propôs algum dia. E quantas vezes deve-se saltar sete ondinhas? Não faço ideia, mas talvez quanto mais vezes saltarmos sete ondinhas, melhor. Não custa tentar.

2016 em especial precisa de muita roupa branca na transição de 2015. Se não me engano, roupa de baixo, mas pelo que ouvi de uma vendedora de roupas há alguns dias, amarelo também serve.  Mas não era roupa de baixo, era uma camisa. Então a roupa de baixo deve ser branca e a de cima deve ser amarela, ou pode ser amarela. E a roupa de baixo, pode ser amarela? Ou a de cima e a de baixo devem ou podem ser brancas e/ou amarelas? Mas não custa tentar.

Quando da passagem de 2015 para 2016, alguns jogarão flores ao mar, outros alimentos, outros ainda jogarão flores e alimentos. As flores e os alimentos irão agradar aos deuses das águas que, corruptíveis, retribuirão aos doadores tudo o que eles desejam. Os monoteístas passarão a ser politeístas, mas só por alguns minutos. Poucos minutos de politeísmo por ano são aceitáveis por Deus. Não custa tentar.

Muitos dizem que tais comportamentos fazem parte das festividades de final de ano, quando se renovam as esperanças por mudanças e melhorias, isto é, o que se faz nesta época, ou nestas horas, não deve ser levado a sério. As festividades fazem parte de ações turísticas que objetivam elevar a arrecadação de alguns municípios com o turismo e as pessoas que delas participam buscam alegria, companhia, e por aí vai.

É verdade o que se diz, como também é verdade que há pessoas em busca de melhoria de vida através dos pulinhos, das oferendas, das cores das roupas, de baixo ou de cima ou de baixo e de cima. E estes acabam por se frustrar, na maioria das vezes. Na maioria das vezes porque algumas vezes mudanças ocorrem por ações externas às práticas supersticiosas, mas são atribuídas a estas.

Não há e jamais haverá mudança que não seja impelida por mudanças. Não é possível mudar de casa, se não houver um esforço diferente daquele do dia-a-dia, ou seja, se a rotina diária não for alterada pela procura de uma nova casa. Não basta querer para se obter algo. Não basta ter fé para se obter algo. Deve-se fazer algo para se obter alguma coisa.

Da mesma forma que uma série de pessoas, de variados graus de conhecimento, responsabilidade profissional ou social, espera pelo retorno de um investimento que não foi feito, ou determinado que fosse feito, querer não é poder sem um movimento no sentido de se poder o que se quer.

No pain no gain, como dizem os do norte, que buscamos copiar descaradamente. E a tradução para o português é sempre sem dor não há ganho. Eu prefiro sem investimento, não há retorno. (1)

Saltando ondinhas conseguiremos acabar com a corrupção endêmica que grassa no Brasil desde sempre e que, “se Deus quiser”, um dia acabará? Vestindo cuecas brancas conseguiremos que o repulsivíssimo senhor Eduardo Cunha, mui indigno presidente da Câmara do Deputados, passe a nos respeitar e na manhã de primeiro de janeiro de 2016 convoque a imprensa para declarar-se corrupto e entregar-se à Justiça. Vestindo calcinhas brancas, as mulheres brasileiras conseguirão que, a partir de primeiro de janeiro de 2016, os improvisos da presidenta Dilma passem a ser entendidos por todos, inclusive pelos puxa-sacos que a aplaudem apenas por imposição profissional? Com as oferendas aos deuses das águas (e o monoteísmo?), primeiro de janeiro de 2016 amanhecerá com todos os reservatórios de água, para tratamento e distribuição e para geração hidrelétrica, em seu nível máximo?

Será que, se todos os brasileiros ao arremessarem oferendas aos deuses das águas quando da passagem de ano vestirem roupas de baixo brancas e saltarem ondinhas, em um dia primeiro de janeiro de um ano futuro qualquer, o Brasil despertará mudado, com os brasileiros entendendo que é impossível ser o único habitante de um país com um número de habitantes superior a duzentos milhões?

Feliz Ano Novo a todos os que se esforçam para que o Ano Novo seja diferente. Ou o Ano Novo será apenas igual ao Ano Velho!

 

(1) http://www.teclasap.com.br/o-que-no-pain-no-gain-quer-dizer/

 

Saúde e alegria a todos

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