Diálogos 1 – preâmbulo

Em Mudanças, de 27.12.15, apresentei as razões que me levaram aos Diálogos. Nesta publicação, Diálogos 1 – preâmbulo, de 12.1.16, inicio a publicação dos diálogos escritos a partir de 29/3/82.

 

Consta que, lançada à época dos gregos, a moda de escrever diálogos manteve-se até o início do período de dominação romana. A partir de então, começaram a aparecer seres diferenciados, auto intitulados gênios, que transformaram os diálogos em monólogos, visto não existirem mortais com nível suficiente para dialogar com eles.

Um pouco mais de tempo e, apesar da existência dos gênios, apareceram os absolutistas. Senhores absolutos de tudo o que se movesse ou permanecesse estático sobre o Universo. Estes sequer monologavam, apenas emitiam ordens e o resto, isto é, tudo e todos menos o absolutista, obedecia.

Mais algum tempo e surgiram os políticos e os generais. Políticos e generais eram castas distintas, porém com características semelhantes. Em algumas situações as duas entidades eram encontradas em um único ser, o que pode levar-nos a entender porque apenas em casos raros, muito raros, políticos generais ou generais políticos dão certo.

Os políticos dialogam com o povo em época de eleições e consideram-se absolutamente capazes de captar os desejos populares, mesmo sem prestar atenção ao diálogo. Por infelicidade, para o povo, o período de entendimento entre ambos dura apenas uma campanha eleitoral por período médio de quatro anos.

Os generais, mais políticos e recatados, têm plena consciência do superficialismo do diálogo com o povo. Sua capacidade de percepção dos problemas populares é tão grande, acham os generais, que mesmo não perguntando eles ouvem todas as respostas. Psiquiatras diriam serem tais casos passíveis de internação e, por esta razão, os generais evitam qualquer aproximação com seres humanos e psiquiatras. Mesmo assim, apresentam-se como ferozes defensores do diálogo. Talvez mais ferozes do que defensores.

Com tantas interpretações e deturpações, resolvi também escrever os meus diálogos. Por que não?

Se me torno famoso, meus diálogos, por piores que possam ser, serão eternamente lembrados. Não me torno famoso e os meus diálogos terão a mesma importância de um discurso do presidente de El Salvador para o povo salvadorenho; ou do presidente da Bolívia para os bolivianos, ou do presidente do Chile para os chilenos, ou do presidente da Argentina … Melhorar parar por aqui, pois já saí do Pacífico em direção ao Atlântico e se tomar rumo norte via Uruguai … Afinal não pretendo ficar muito tempo na Alemanha.

Outro problema é a ordenação dos temas. Faço-o por ordem cronológica, ornitológica, necrológica ou o que? Ou faço a ordenação sem ordem, o que me parece uma solução mais ordenada.

Dou título a cada tema? Se sim, acabo ordenando! Optei pela solução mais ordeira, sem título.

Ordenando as decisões, temos:

  1. os temas não serão ordenados.
  2. Os temas, desordenados, não terão títulos.
  3. Os assuntos serão ao acaso.

Resumo: Os temas, escritos ao sabor das ondas, serão desordenados e sem títulos.

  1. Espere aí, sabor de quais ondas se estamos pelo menos 300 quilômetros da praia mais próxima?
  2. Ora. Isto é apenas uma figura de linguagem.

Continua

Nota do autor: Caro leitor, não se esqueça que os Diálogos foram escritos a partir de março de 1982. À época, o Brasil vivia os estertores de cerca de 20 anos de governos militares que conseguiram em 1964 tirar o Brasil da desorganização, do risco do comunismo, da corrupção, da confusão econômica etc. E, em 1985, devolveram o Brasil aos políticos, não ao povo, nas mesmas condições em que o haviam usurpado em 1964. 20 anos para sair de um ponto e voltar a ele. Bastaria ter deixado tudo como estava.

 

Saúde e alegria a todos

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