Diálogos 4

Em Mudanças, de 27.12.15, apresentei as razões que me levaram aos Diálogos. Em Diálogos 1 – preâmbulo, de 10.1.16, iniciei a publicação dos diálogos escritos a partir de 29/3/82. Recomenda-se ler os diálogos a partir do primeiro.

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P1. Como piada é até passável, mas não entendi os óculos escuros.

P2. O raciocínio é sério, não piada. E os óculos escuros devem impedir que se observe olhares de espanto do interlocutor.

P1. Se sério, o raciocínio é falho. Isto de um falar e o restante ouvir é monólogo, não diálogo.

P2. Tudo é uma questão de definição e pontos de vista. Com interlocutores como os citados o diálogo não ocorre por falha dos interlocutores. É o seu ponto de vista não haver diálogo. Ele, o interlocutor, é que não oferece condições de diálogo e impõe o monólogo. O diálogo é sempre possível! E o melhor interlocutor é uma porta. Constata-se diariamente tal verdade.

P1. Onde a constatação?

P2. Desculpe, mas não ficarei exemplificando a cada manifestação, caso contrário ainda me complico, mas basta um lançar d’olhos à cena mundial para se confirmar o que afirmei.

P1. Lá vem de novo o mau exemplo dos latino-americanos a justificar suas afirmações descabidas. Está na hora de você perceber que o mundo não se resume à América Latina, ou à Ásia. Tome a Europa ou os Estados Unidos como exemplo e quero ver como você justifica a sua última afirmação.

P2. Tomemos a Romênia, ou a Bulgária, ou a …

P1. Pronto, de novo os maus exemplos.

P2. Mas são da Europa, ou não?

P1. Lógico, mas da Europa do Leste, que vive sob pressão russa. E da Europa do lado de cá? Tente!

P2. Tomemos Portugal …

P1. OUTRO!

P2. A Espanha …

P1. NÃO! Chega de pessimismos!

P2. A Itália, por exemplo …

P1. CHEGA! Vá ser negativista no inferno! Não sabe de nada melhor?

P2. Sobre Turquia, Grécia, talvez nada deva ser dito. O que achas?

P1. Não. Sobre latinos nada, mesmo com turcos e gregos nada tendo a ver com latinos.

P2. A França, por exemplo, recém transplantada ao socialismo, já começa a dialogar por monólogos. O que o governo propõe não é aceito pelo povo, que já partiu para quebrar e arrebentar e …

P1. É LATINO!

P2. Na Inglaterra, desde há muito, alternam-se no poder a cada quatro anos governos conservadores e trabalhistas. Cada um representa a salvação do país ao início do mandato e a salvação é expulsa do poder ao final. A cada plano para a redução do desemprego tem-se mais pessoas desempregadas. Na Alemanha foi eleito um governo federal de centro-esquerda, com o partido de centro FDP associado ao de esquerda, SPD. Nos estados, os governos de direita, dos partidos CDU e CSU, são cada vez mais prestigiados pelo eleitorado. Como o peso dos governos estaduais é muito grande nas decisões federais, tudo está emperrado. Na Suécia, onde o socialismo rege a vida de cada um, o número de horas não trabalhadas é enorme. Chega. Contente?

P1. Ficou provado que as pessoas não se entendem, mas que o melhor interlocutor é uma porta…

Continua

Nota: Em algumas frases são referenciadas situações políticas, trajes, comportamentos e posturas típicas da época em que os diálogos foram escritos, primeira metade da década de 1980. Algumas delas tornaram-se moda, como barba mal aparada, uso de óculos Ray-Ban, governantes incompetentes. Outras, como bons modismos, desapareceram com o passar do tempo ou passaram a ser aceitos devido às mudanças de costumes.

 

Saúde e alegria a todos

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