O que é bom para … 1

O que é bom para um cidadão é bom para a coletividade ou o que é bom para a coletividade é bom para cada um de seus componentes?

A resposta a esta frase é, a meu ver, fundamental para qualquer coletividade, seja esta coletividade um país, um estado, cidades, grandes ou pequenas empresas, famílias. A partir da resposta, simples, porque as duas respostas possíveis são auto excludentes, pode-se identificar a situação das referidas coletividades.

Estou convicto que o bem coletivo se sobrepõe ao bem individual. Em uma coletividade onde cada um se vê e comporta como uma entidade, sem se preocupar com o próximo ou com a unidade com a qual está ligado, os problemas de relacionamento e de progresso são maiores. Exemplos há em grande número.

Em uma pequena coletividade composta por pessoas com elos maiores do que apenas interesses pessoais, uma família estruturada por exemplo, torna-se fácil gerenciar a prática do bem individual. Pequenas correções de rumo permitem satisfazer a todos, desde que todos estejam interessados em abrir mão de algumas coisas em favor da satisfação dos demais, satisfação não plena devido aos acordos necessários, mas uma satisfação possível e de agrado de todos.

Em grandes coletividades, como países, estados, cidades, grandes ou pequenas empresas, torna-se impossível gerenciar a prática do bem individual. As correções de rumo, simples e de fácil negociação em coletividades pequenas, tornam-se impossíveis nas maiores. Os componentes das grandes coletividades não se conhecem, em sua maioria; não há ou há tênues afinidades pessoais. Não é possível consultar a todos e passa-se a aplicar estatística. A satisfação de todos é substituída pela satisfação da maioria. Para uma coletividade de dez, dez por cento de insatisfeitos é igual a um. Negocia-se com esse um. Para uma coletividade de dez mil, dez por cento de insatisfeitos é igual a mil. Não é possível negociar com mil. Em uma coletividade de cerca de 200 milhões de cidadãos, representada por cerca de 100 milhões de adultos, dez por cento de insatisfeitos correspondem a 10 milhões de pessoas. Como se negocia com 10 milhões?

A impossibilidade de negociação pessoal leva à aplicação de um segundo recurso, possível de há algum tempo em virtude da sociedade de comunicação em que vivemos. Aplica-se propaganda maciça na tentativa de convencer a audiência do real esforço da estrutura no poder dos países, estados, cidades, grandes ou pequenas empresas para buscar a felicidade de cada um. Mas aqui tem-se novamente a intervenção da estatística. A propaganda diversificada pelos vários veículos disponíveis atinge a praticamente todos, porém não convence a todos. Alguns a rejeitam pela forma, outros pelo conteúdo, outros pelo conjunto forma e conteúdo, outros simplesmente por acreditarem na impossibilidade da satisfação de todos. Ao final, gasta-se muito com propaganda, sem resultados proporcionais aos gastos.

Estou convicto que o bem coletivo se sobrepõe ao bem individual.

Em estruturas onde os componentes não são seres considerados racionais, estruturas físicas residenciais ou industriais por exemplo, compostas por vigas, pilares, fixações e outros elementos estruturais, o melhor para a estrutura será sempre o melhor para os seus componentes. Afinal esta estrutura nada mais é do que uma série de componentes interligados trabalhando para o conjunto se manter estável.

Porém, para que seja possível ter um grande número de pessoas convictas de que o melhor para a estrutura é o melhor para os seus componentes necessita-se de muito mais. Necessita-se de lideranças. Lideranças não apenas carismáticas, ou pretensamente carismáticas, ou auto convencidas de seu carisma. As lideranças, não uma única liderança, devem ser, além de efetivamente carismáticas, convincentes. Mais convincentes pela honestidade de propostas e de comportamento do que carismáticas. Convincentes não apenas pela palavra, ou menos pela palavra e muito mais pelo exemplo. Com isso tem-se a possibilidade de convencer as pessoas, pela palavra e principalmente pelo exemplo, de que o melhor para a estrutura é o melhor para cada um de seus componentes. Caso contrário é perder tempo.

Em uma estrutura composta por homens – desculpem-me os feministas ou politicamente corretos, mas homens se refere a seres humanos e eu me recuso a escrever homens e mulheres – leis regulam as suas relações. As leis devem ser simples, claras e objetivas e devem ter para todos o mesmo peso e importância. O seu desrespeito deve levar os desrespeitosos aos tribunais e, após julgamento, libertá-los ou puni-los. Se encarcerados, as instituições correcionais devem oferecer a efetiva possibilidade de correção de comportamento.

Em uma estrutura humana, a capacidade de compreensão de problemas complexos por parte de seus componentes deve ser implementada ano a ano. Tal capacidade somente pode ser obtida com políticas educacionais que objetivem o fortalecimento da estrutura e jamais apenas a satisfação dos componentes.

O detalhamento de como deve ser uma sociedade justa e eficiente, voltada para o bem-estar de todos através da busca do melhor para toda a sociedade transcende o objetivo deste blog e a competência do seu redator. Porém, apenas a busca do melhor e mais eficiente pode levar ao progresso efetivo.

Se o bem individual se sobrepuser ao coletivo, a vida pode se tornar muito desagradável.

Saúde e alegria a todos

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