Diálogos 5

Em Mudanças, de 27.12.15, apresentei as razões que me levaram aos Diálogos. Em Diálogos 1 – preâmbulo, de 10.1.16, iniciei a publicação dos diálogos escritos a partir de 29/3/82.

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P1. Ficou provado que as pessoas não se entendem, mas que o melhor interlocutor é uma porta…

P2. Para isso preciso de um pouco mais de tempo. Nos países citados o diálogo não funciona. O proposto não é aceito, o dito é mal interpretado ou não ouvido, as pessoas não se dispõem a sacrifícios, e por aí vai. Ora, se ao invés de pessoas tivéssemos portas a nos ouvir, ou surdos, ou vacas de presépio, tudo ficaria mais fácil e rápido e com o mesmo resultado final. Veja os países comunistas ou os comunistas anticomunistas – calma -. Lá não há desencontro. Planeja-se sem discussão, definem-se os objetivos, executam-se os planos. Que não funcionam. Mas o diálogo, está provado, é mais fácil e eficiente com uma porta.

P1. É verdade, sou forçado a aceitar. Mas esse negócio de anticomunistas comunistas é realmente brutal.

P2. De forma alguma. Quais as características dos governos comunistas?

P1. Governo único e eterno, corrupção, manutenção de uma determinada casta no poder, repressão às posições divergentes, preocupação exagerada com a segurança nacional, qualificação de qualquer opositor como inimigo, incapacidade, retórica arcaica e descabida. Para ir não muito longe.

P2. E quais as características dos atuais governos da Argentina, Chile, Uruguai, Bolívia, Paraguai, Coréia do Sul, Paquistão? Só para não continuar e me complicar.

P1. Anticomunismo, ahhhh…, uhhh …. Sabe que a pior coisa é ter de ceder diante de fatos? Quando a gente cede e pode passar por altruísta e compreensivo, é verdadeiramente delicioso! Mas ser dobrado pelo peso de argumentos é brutal. Dói, machuca, sangra.

P2. Não deveria ser assim. O peso dos argumentos deve ser encarado como uma contribuição recebida e jamais como uma brutalidade sofrida. Além disso a única maneira de uma pessoa alterar a sua concepção sobre um problema qualquer é ser convencida e a seguir convencer-se que, inicialmente, a concepção recebida é boa e, a seguir, que a concepção recebida é melhor. Apenas ser boa é insuficiente se a nova concepção não influir sobre quem a recebe. Ser melhor que o já aceito também é insuficiente, pois pouco interessa substituir o ruim pelo menos ruim.

P1. Mesmo assim é dolorido.

P2. Com certeza. Esta dor é apenas a confirmação da prepotência e arrogância do ser humano; da sua incapacidade para perceber que não existem verdades definitivas, mesmo sendo estas verdades as suas próprias verdades. Basta apenas observar a velocidade com que o mundo se renova para entender que as verdades jamais permanecerão imutáveis.

P1. Curioso como algumas ideias são confirmadas diariamente. Os ingleses, mesmo sem Lord Hamilton e almirante Nelson, resolveram reagir à altura de um Império onde jamais o sol se põe à invasão argentina da Ilhas Falklands. Todo o povo inglês, convencido da imbecilidade, incompetência, ignorância e cretinice dos argentinos, apoiou o envio das tropas. Os incapazes jamais conseguiriam alvejar alguma coisa que tivesse a bandeira inglesa. Sangue inglês não correria. E os vingadores chegaram, esperaram e bombardearam. E lá se foi para o fundo uma velharia americana que servia aos argentinos, atingida pelos torpedos de um submarino nuclear inglês. Os dirigentes e o povo inglês lastimaram as perdas argentinas e afirmaram que tal ação havia sido necessária para proteger a esquadra vingadora. A guerra sem sangue nobre, apenas com sangue subdesenvolvido, continuava. Era a confirmação da superioridade europeia sobre a incivilidade latino-americana. A arrogância e a prepotência inglesa, agravada pela inexpressividade do país nos últimos decênios atingiu limites extremos.

P2. E você viu o que aconteceu dois dias depois: Um foguetinho francês de 60 mil dólares …

Continua

Nota: Em algumas frases são referenciadas situações políticas, trajes, comportamentos e posturas típicas da época em que os diálogos foram escritos, primeira metade da década de 1980. Algumas delas tornaram-se moda, como barba mal aparada, uso de óculos Ray-Ban, governantes incompetentes. Outras, como bons modismos, desapareceram com o passar do tempo ou passaram a ser aceitos devido às mudanças de costumes.

 

 Saúde e alegria a todos

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