Diálogos 7

Em Mudanças, de 27.12.15, apresentei as razões que me levaram aos Diálogos. Em Diálogos 1 – preâmbulo, de 10.1.16, iniciei a publicação dos diálogos escritos a partir de 29/3/82.

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P1. Mesmo assim foi uma vitória.

P2. Eu diria que os ingleses podem afirmar terem ganho a guerra da Malvinas-Falklands, como dizem que ganharam a II Guerra Mundial. Como a II Grande Guerra foi o início do fim para a Inglaterra, pode ser que as Falklands seja o final do fim. Pelo menos a estação intermediária já é. [1]

P1. Relendo o que já foi escrito, pode-se dizer que dialogamos bastante.

P2. É verdade.

P1. Só que nisso tudo, duas coisas chamaram a minha atenção. Uma delas é que um de nós domina um assunto enquanto o outro pouco contribui para ele. Mudado o assunto, muda o dominador.

P2. Isto é o que se poderia chamar de “alternância no poder”. Base da democracia desejada publicamente por todos e odiada em silêncio pelas “situações” no poder.

P1. Engano! Os nossos diálogos podem simular uma alternância de poder, mas uma alternância falha, pois a participação da oposição é muito fraca.

P2. Perfeito. Este tipo de alternância de poder praticado nos nossos diálogos é o odiado publicamente pela oposição e desejado ardentemente e em silêncio pela situação. É uma prática comum em muitos lugares.

P1. Verdade. A outra coisa que não me agradou foi a quantidade de tracinhos à frente das nossas ideias. Parecem ideias traçadas. (originalmente foram colocados travessões indicativos de fala, abandonados na digitalização e os debatedores eram identificados por 1 e 2))

P2. Bom, a partir de agora não se escreve as ideias com travessão.

P1. Pronto já partiste para uma solução unilateral, antidemocrática, ditatorial, ao impor uma solução, a sua solução, para um problema levantado por mim. Já que nós dois trocamos ideias e são as nossas ideias escritas com travessão, nada melhor do que uma solução negociada entre os afetados pelo problema.

P2. Não precisa ser tão didático! Afinal a única solução para o teu problema é aquela que eu apresentei. Assim, não há necessidade de discutir o que quer que seja. Sendo única a solução, esta deve ser posta em prática imediatamente. Tempo é dinheiro e não se deve ficar discutindo o que está resolvido de antemão. Além disso, enquanto discutimos os tracinhos indesejados por você permanecem.

P1. E por falar em didatismo?! A sua solução não é única! Existe ainda a possibilidade de eu me convencer, ou ser convencido, a manter o tracinho, melhor dito, o travessão. Ou então podemos concluir que um outro símbolo ou texto seja melhor que os tracinhos. Dar nomes a nós dois e ao início de cada frase escrever a inicial de cada nome. Ou usar uma letra diferente, gótica por exemplo, para cada um. Ou eleger duas cores, verde e vermelho, e a contribuição de cada um seria redigida com a respectiva tinta colorida.  O grande mal da solução não pensada e não discutida é estar ela limitada ao conhecimento e criatividade de poucos, com chances de não ser a melhor.

P2. Certo, concordo, mea culpa, mea culpa, mea máxima culpa! Só que a proposta das cores, particularmente a vermelha, não é exatamente feliz. Se os nossos diálogos forem algum dia impressos, o escrito em vermelho poderá ser censurado e eliminado independentemente do conteúdo. Uma má embalagem prejudica o produto.

P1. Mesmo ideias nada tendo a ver com goiabada.

Continua

[1] Ao final de Diálogos 6 são encontradas três observações relativas ao escrito no período da guerra das Malvinas; a segunda observação está transcrita a seguir, para corrigir o redigido em 1982.

2. Em 1983 completaram-se 50 anos da chegada dos nazistas ao poder na Alemanha. A TV alemã apresentou durante todo o ano programas relativos ao nazismo e à II Guerra Mundial, em uma frequência de alguns por semana. Tive a oportunidade de assistir a quase todos. A partir de então tenho lido muito sobre a história dos países europeus mais envolvidos na II Guerra, Alemanha e Grã-Bretanha. Devo, a partir do conhecimento adquirido após a redação das palavras encontradas no texto acima, corrigi-las. Os ingleses não ganharam a II Guerra Mundial. Eles impediram, sozinhos, a vitória do nazismo, algo muito mais significativo. O conhecimento adquirido por mim sobre Alemanha e Grã-Bretanha levam-me a respeitá-los muito mais hoje do que o fazia ao início dos anos 80.

Nota: Em algumas frases são referenciadas situações políticas, trajes, comportamentos e posturas típicas da época em que os diálogos foram escritos, primeira metade da década de 1980. Algumas delas tornaram-se moda, como barba mal aparada, uso de óculos Ray-Ban, governantes incompetentes. Outras, como bons modismos, desapareceram com o passar do tempo ou passaram a ser aceitos devido às mudanças de costumes.

Saúde e alegria a todos

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