Diálogos 9

Em Mudanças, de 27.12.15, apresentei as razões que me levaram aos Diálogos. Em Diálogos 1 – preâmbulo, de 10.1.16, iniciei a publicação dos diálogos escritos a partir de 29/3/82.

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P2. Sinto-me povo! SINTO-ME POVO! SOU POVO!

P1. Lógico que você é povo; qual outra coisa poderias ser?

Você é político? Não!                    Você é militar? Não!

Você tem parente bem situado? Não!                 Você tem parente político? Não!

Você é jogador de futebol? Não!            Você é técnico de futebol? Não!

Você é dirigente de time de futebol? Não!                     Você é juiz de futebol? Não!

Você é candidato a alguma coisa? Não!                          Você é parente de candidato? Não!

Você foi candidato a alguma coisa? Não!                        Você foi parente de candidato? Não!

Você é funcionário público não concursado? Não!

Você é parente de não concursado? Não?! INCRÍVEL!!!!

Em caso de problemas, você tem quem dê um jeitinho? Não!

Você é artista? Não!                      Você é cantor? Não!

Você é compositor? Não!                           Você é festivo? Não!

ÚLTIMA CHANCE             Você é BAIANO? NÃO!!!!!!

Então você é nada, ABSOLUTAMENTE NADA!

P2. Sou povo! Sou povo! Sou povo! Azar nosso, não é?

P1. Porque azar nosso? Temos liberdade de pensamento, temos liberdade para expressar a nossa opinião, temos liberdade de ir e vir. O que mais precisamos?

P2. E quando a coisa não funciona bem, isto é, não funciona como ele quer, o que escreve nos manda calar a boca em vermelho. E na versão digitada, em vermelho e com fonte diferenciada! (Diálogos 8)

P1. Não se preocupe, se o diálogo for publicado, a participação dele será censurada. Censores não gostam da cor vermelha. Ele não aparecerá.

P2. Não sei não, ele não é povo, sabia?

P1. É? E o que ele tem dos pré-requisitos acima para não ser povo?

P2. Muito, muito. Ele não pertence a qualquer instituição acima da lei, mas dizem que ele tem amigos influentes. Sabe, aquele pessoal que na hora do aperto ajuda a soltar o cinto?

P1. Conversa, ele é um reles professorzinho. Mas mesmo assim é melhor não ficar tendo ideias bobas em voz alta. Se ele entender que o vermelho pode complicar, ele passa a escrever os nossos diálogos em vermelho.

P2. Você percebeu que nós falamos, falamos, falamos, e ainda não comentamos a nossa situação atual?

P1. Qual situação atual?

P2. Esta situação que vivemos aqui. O Raabe, a Alemanha, o trabalho, o desânimo, o desinteresse, tudo.

P1. Melhor nem comentar. Se não falamos a respeito as coisas permanecem na penumbra; a tristeza continuará latente, mas não presente, apenas alfinetando de quando em vez, mas sem sangrar. Se começamos a falar muito a depressão poderá atingir limites insuportáveis. Deixa para mais tarde.

P2. É isso. Chega por hoje?!

 

Julho de 1982

 

P1. O tempo passou, o mundo continua o mesmo, sem grandes novidades …

 

Continua

 

Nota: Em algumas frases são referenciadas situações políticas, trajes, comportamentos e posturas típicas da época em que os diálogos foram escritos, primeira metade da década de 1980. Algumas delas tornaram-se moda, como barba mal aparada, uso de óculos Ray-Ban, governantes incompetentes. Outras, como bons modismos, desapareceram com o passar do tempo ou passaram a ser aceitos devido às mudanças de costumes.

 

Saúde e alegria a todos

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