Diálogos 10

Em Mudanças, de 27.12.15, apresentei as razões que me levaram aos Diálogos. Em Diálogos 1 – preâmbulo, de 10.1.16, iniciei a publicação dos diálogos escritos a partir de 29/3/82.

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Julho de 1982

P1. O tempo passou, o mundo continua o mesmo, sem grandes novidades …

 

P1. O tempo passou, o mundo continua o mesmo, sem grandes novidades. A monotonia começa a ser opressiva, sequer podemos reclamar da chuva irritante dos verões passados; não chove e o tempo está lindo. E para movimentar o pessoal do Instituto, nada. Nada além da já desinteressante matança no Oriente Médio. Só nos resta continuar o nosso diálogo.

P2. É isso aí, ainda mais depois da carta recebida ontem expondo as perspectivas futuras para o Brasil. Uma loucura, não achas? O que escreve ficou quase pirado, abalado com certeza!

P1. E hoje já desandou a estudar como um doido. Parece trouxa, tentando recuperar o tempo desperdiçado. Não sei porque ele fica tão indeciso em partir para o trabalho.

P2. Fale baixo senão ele escreve em vermelho! Mas, respondendo a sua dúvida, acredito que agora vai.

P1. Espero! Quanto a falar baixo, não há problema. O trouxa tomou uma cerveja e está com sono. Ele agora escreve o que dissermos, sem pensar muito a respeito.

P2. Mesmo assim. Mas você viu como anda a situação no Brasil? A coisa anda feia!?

P1. Que coisa? A política? A economia? O desemprego? A sem-vergonhice? A manipulação? A pobreza? Tudo e mais alguma coisa? O que?

P2. Agressividade desnecessária. Tudo, absolutamente tudo, como também cada coisa em separado. A política, por exemplo, está parecendo uma piada. Pelo menos vista daqui da Alemanha.

P1. De perto deve estar parecendo duas piadas.

P2. Todos fazem convenções, todos fazem festas, o governo trapaceia, a oposição não se entende. O povo, incapaz de se interessar por algo tornado propositalmente desinteressante para não atrair o seu interesse, não está nem aí. Até me lembra versos do Juca Chaves:

Todos falam

Poucos ouvem

A verdade é sempre igual

É que existe um só …

Para mil …

P1. O que significam os pontinhos? Na letra original tem-se Beethoven inicialmente e Carlos Imperial a seguir. Isto é, um ótimo e um péssimo compositor.

P2. É que eu queria dois políticos para as reticências, mas não é fácil achar um bom exemplo entre eles, ainda que rime com ouvem.

P1. Mas maus exemplos que rimem com igual temos aos montes.

P2. Sem mais. Temos maus exemplos para rimar com qualquer coisa. Desde canivete, que rima com “virgem Margareth” (Margareth Thatcher) até balde, que rima com “cowboy Ronald” (Ronald Reagan).

P1. As rimas são criminosas, mas até que vão bem.

Por exemplo:

O presidente dos Estados Unidos

É uma merda, um balde

É o cowboy Ronald

Melhor se em mineirês:

U presidentchi duis Estados Unidos

É ua méuda, um baudgi

É o couboi Ronaudgi.

P2. Também um crime os seus versinhos. Mudando de assunto, o que você pensa sobre a criminalidade no Brasil?

Continua

 

 

Nota: Em algumas frases são referenciadas situações políticas, trajes, comportamentos e posturas típicas da época em que os diálogos foram escritos, primeira metade da década de 1980. Algumas delas tornaram-se moda, como barba mal aparada, uso de óculos Ray-Ban, governantes incompetentes. Outras, como bons modismos, desapareceram com o passar do tempo ou passaram a ser aceitos devido às mudanças de costumes.

 

Saúde e alegria a todos

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