Era uma vez, outra vez

Em Era uma vez, iniciei a saga da Família, criada pelo Guru e comandada, na aparência, pela Matriarca. A primeira parte da saga, publicada em 5.12.15, encerrou-se com a frase:

Paro por aqui, o que aconteceu em 2015 fica para depois. Depois começa agora.

Antes das eleições de 2014, para o reinado 2015-2018, a investigação sobre corrupção em empresas da Família, que não eram da Família, mas que a Família tratava como suas, tomava vulto cada vez maior. E se começava a questionar a honestidade dos irmãos, aqueles que, apesar de não terem laços de sangue poderiam ser da Família, deixá-la e com isso deixar de ser irmão e posteriormente voltar a fazer parte dela, voltando a ser irmão. A pouca habilidade política da Matriarca, rainha reeleita, somada à sua pouca habilidade econômica, acrescida da gastança desenfreada, levaram o reino a uma condição de penúria. Menos de seis meses após a coroação as coisas estavam ruins; muito ruins.

Ainda no primeiro reinado, a rainha havia desenvolvido uma inimizade visceral com um irmão curioso. Este irmão não era irmão e jamais havia sido irmão e possivelmente jamais seria, por jamais haver pertencido à Família nem ter sido ungido pelo Guru, porém negociava com a Família e os irmãos; apesar do ódio mútuo entre ele e a Matriarca. O irmão, que não era nem havia sido irmão, será a partir de agora chamado de Oráculo, com o maiúsculo, por sua capacidade de intuir o futuro. Quando de uma eleição para príncipe de uma das casas legislativas, a Matriarca pretendeu eleger um irmão na ativa. Oráculo já se havia apresentado como candidato. E venceu. O ódio mútuo cresceu. Aproveitando-se de sua capacidade para intuir o futuro, Oráculo cercou-se de incompetentes na chefia da sua casa legislativa, como seria provado em futuro próximo.

Enfraquecida por sua pouca habilidade, a Matriarca isolava-se cada vez mais. A economia afundava. As investigações se aproximavam mais e mais dos luminares da Família, do Guru, da Matriarca. Em determinado momento a casa, ou o palácio ocupado pela Família, estremeceu. A Matriarca foi acusada de crime de responsabilidade, por haver feito o milagre de pagar duas dívidas com o mesmo recurso. Ela precisaria ser retirada da posição que ocupava. Para piorar, o processo contra a Matriarca caiu nas mãos do odiado Oráculo, que poderia, agora, devolver à Matriarca as gentilezas outrora recebidas. E a carroça chegou à ladeira, levada com competência, honestidade (incomum nele) e prazer pelo Oráculo.

Neste momento, o Guru estremeceu mais do que o palácio. O seu nome, o seu legado, as suas aspirações de substituir a Matriarca em futuro próximo, estavam em perigo. O desemprego aumentava, a economia afundava, as perspectivas futuras se desfaziam. E ninguém perguntou ao Guru onde ele havia visto a competência na Matriarca para impô-la à Família na condição de rainha.

O Guru pôs-se a campo e passou a governar no lugar da Matriarca. Passou a negociar com a classe política uma forma de manter a Matriarca que, naquele momento estava completamente perdida e isolada. A investigação sobre corrupção na empresa da Família, mas que não era dela, expõe que, apesar das negativas, o Guru faz parte sim da Família. São divulgadas propriedades de alto valor do Guru que não estão em seu nome. Tais posses são confirmadas por altos executivos de empresas envolvidas na corrupção das empresas da Família, mas que não eram dela. A partir daí o Guru passou a estar sob risco de prisão. Em um ato desvairado, a Matriarca nomeia o Guru ministro. Em um segundo ato desvairado, ou muito burro segundo alguns, ela liga para o Guru. Por meio de uma mensagem em código aberto, pois todos a entenderam, ela o informa que o termo de posse estava sendo levado para ele, mas somente poderia ser usado em caso de necessidade (prisão) (2). Ministros não podem ser presos pela polícia, pois gozam de “foro privilegiado” ou, como escreveu George Orwell “são mais iguais”. O texto abaixo corresponde ao telefonema entre a Matriarca e o Guru, onde ela, mais uma vez, mostra a sua dificuldade em se explicar por palavras.

Dilma: “Alô.”

Lula: “Alô.”

Dilma: “Lula, deixa eu te falar uma coisa.”

Lula: “Fala, querida. Ahn?”

Dilma: “Seguinte, eu tô mandando o ‘Bessias’ junto com o papel pra gente ter ele, e só usa em caso de necessidade, que é o termo de posse, tá?!”

Lula:  “Uhum. Tá bom, tá bom.”

Dilma: “Só isso, você espera aí que ele tá indo aí.”

Lula: “Tá bom, eu tô aqui, fico aguardando.”

Dilma: “Tá?!”

Lula: “Tá bom.”

Dilma: “Tchau.”

Lula: “Tchau, querida.”

No dia seguinte a gravação é divulgada, pois havia escuta da Polícia nos telefones dos envolvidos no caso das empresas, aquelas que eram, apesar de não serem. O Guru não toma posse.

A derrocada se acelera. Em mais uma tentativa desvairada, os membros da Família, em uníssono, bradam sem descanso que o processo de destituição da Matriarca é um golpe.

A casa legislativa, presidida por um Oráculo feliz, acata o processo de destituição. A Matriarca deixa o seu trono, o Guru desparece, a Família deixa o poder. Dias depois o Oráculo é destituído por corrupção e substituído pelo seu sucessor natural. O sucessor, para reafirmar a intuição do Oráculo (cercar-se de incompetentes), mostra absoluta incompetência desde o seu primeiro instante na presidência e anula a sessão da casa legislativa que acatou o processo de destituição da Matriarca. Horas depois ele anula a anulação.

Este texto foi escrito há cerca de 10 dias, hoje sendo 25.5. Estamos sob nova direção, como se lê em botecos, lojas e outros estabelecimentos comerciais quando da troca de proprietários. A matriarca esperneia, o Guru se mostra magoado. O novo rei, antigo vice-rei, melhorou em muito o nível da língua portuguesa no governo. Esperemos que não fique só nisso. Melhor esperar.

Sugestões: Acessem as referências (1) e (2) para ler e ouvir as conversas entre o Guru e a Matriarca e o Guru e alguns de seus fiéis seguidores.

 

 

(1) https://pt.wikipedia.org/wiki/Opera%C3%A7%C3%A3o_Lava_Jato

(2) http://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2016/03/pf-libera-documento-que-mostra-ligacao-entre-lula-e-dilma.html

(3) http://g1.globo.com/politica/operacao-lava-jato/noticia/2016/03/grampo-de-lula-43-13h02.html

 

Saúde e alegria a todos

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