Diálogos 12

Em Mudanças, de 27.12.15, apresentei as razões que me levaram aos Diálogos. Em Diálogos 1 – preâmbulo, de 10.1.16, iniciei a publicação dos diálogos escritos a partir de 29/3/82.

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 Adendo

Nem sempre o que se escreve retrata a nossa crença.  Às vezes retrata uma reação a um estado de coisas tornado inaceitável e que ao ser apresentado na forma de aberração objetiva demonstrar o desconforto de quem escreve. O que aqui se inicia retrata a minha crença de 1982, que se mantém em 2016 e se manterá para sempre. O que escrevi sobre o Esquadrão Herodes, a ser estruturado nos Diálogos 12 e 13, expresso pelo debatedor P1, corresponde exatamente ao caso acima. O Esquadrão Herodes foi escrito em 1981 e é uma reação ao que se fazia à época e se mantém até hoje e que levou ao estado de insegurança plena em que agora vivemos, isto é, poderia muito bem ter sido escrito hoje. O Esquadrão é uma proposta de solução simples e absurda, típica dos desejos do poder constituído, melhor chamado de poder incompetente, a qual eu jamais apoiaria. Este poder incompetente não atua para resolver problemas, quaisquer que sejam eles, desde sempre. O problema de segurança, porém, deve ser computado quase integralmente aos omissos que governam o estado de São Paulo e os demais estados e o próprio Brasil desde a década de 1950. Os governadores de São Paulo estão nomeados em Diálogos 11.

Final

P2. Mas então só com controle de natalidade!

P1. Explico o projeto em detalhes. Ele poderia até ser lançado como um dos famosos projetos IMPACTO, que consagraram o milagre brasileiro do primeiro período Delfim Neto. Rádio, TV e jornal à disposição do governo para a grande campanha nacional de imobilização dos pobres e paupérrimos.   A SOLUÇÃO PARA O BURACO BRASILEIRO!

 

PROJETO: ESQUADRÃO HERODES

(ou ide a ele as criancinhas ou que pelo menos sumam daqui)

Art. 1 – Dissolvam-se os esquadrões da morte (EM) e congêneres em todos os estados da federação. Seus nobres integrantes serão colocados à disposição dos respectivos Departamentos de Limpeza Pública (DLP) das prefeituras municipais.

Art. 2 – Crie-se o Esquadrão Herodes (EH). Os membros desta força de elite serão recrutados entre os membros dos recém extintos EM, agora à disposição dos DLP.

Art. 3 – Da organização do Esquadrão Herodes (EH);

  • 1 – Os EH serão subordinados aos DLP;
  • 2 – O comando do EH de cada município ficará a cargo de um superintendente (SEH), podendo este ser civil, militar ou general;
  • 3 – Cada EH será composto por, no mínimo 200 (duzentos) comandos independentes, denominados Comandos Pilatus (CP), subordinados diretamente ao superintendente (SEH) do Esquadrão Herodes (EH) do respectivo município;

I – A identificação de cada Comando Pilatus (CP) será feita com numeração em algarismos romanos, em homenagem ao romano Poncius Pilatus, conforme Comando Pilatus Quinze: CP-XV; Comando Pilatus cento e oitenta e oito: CP-CLXXXVIII;

  • 4 – O cargo de superintendente (SEH) dos EH será de confiança do atual dono da pátria ou, em caso de delegação especial deste, do atual dono do estado ou, em caso de delegação especial deste, do atual dono do município ou, em caso de delegação especial deste, de um seu amigo.
  • 5 – Cada Comando Pilatus (CP) será constituído por 3 (três) membros, denominados saneadores;
  • 6 – Em cada Comando Pilatus (CP) haverá um comandante, o saneador mor (SM) e dois assessores, os saneadores juniores (SJ).

Art. 4 – Do equipamento de trabalho dos Esquadro Herodes (EH);

  • 1 – Do material rodante dos Comandos Pilatus;

I – Um veículo blindado sobre pneus modelo Cascavel ou similar;

II- Três motocicletas de, no mínimo, 400 cc (quatrocentas cilindradas), uma para cada saneador;

III – Um carro funerário cinza, modelo Ford Belina ou similar;

IV – Uma carreta acoplável à traseira do veículo blindado com dimensões suficientes para acomodar todo o equipamento encontrado em §2 e o veículo definido em §1 – III;

V – Em todos estes veículos é vedada a instalação de sirenes ou similares;

  • 2 – Do material de defesa pessoal dos Comandos Pilatus (CP);

I – Os equipamentos inerentes aos veículos blindados;

II – Três bazucas, uma para cada saneador, com farta munição;

III – Uma metralhadora pesada, de uso exclusivo do saneador mor (SM);

IV – Três pistolas automáticas calibre 45, uma para cada saneador, com farta munição;

V – Três revólveres calibre 38, cano curto, um para cada saneador, com farta munição;

VI – Três pistolas automáticas calibre 6,25, uma para cada saneador, com farta munição;

VII – Três revólveres oxidados calibre 22, um para cada saneador, com farta munição;

VIII – Três metralhadoras leves, portáteis e com baioneta, uma para cada saneador, com farta munição;

IX – Três punhais de lâmina longa, 30 cm (trinta centímetros), cromado e com bainha em couro natural, uma para cada saneador;

X – Três navalhas marca Solingen ou similar com cabo de madrepérola, uma para cada saneador;

XI – Bombas de gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral em número suficiente para dispersar multidões de até 10 000 pessoas;

  • 2 – Do fardamento dos Comandos Pilatus (CP);

I – O fardamento, a ser chamado exclusivamente de Uniforme, será composto de calça, camisa, jaqueta, cinto, meias e sapatos brancos;

II – Ao lado esquerdo da camisa e da jaqueta será bordado o brasão de armas do Esquadrão Herodes;

III – O brasão de armas do Esquadrão Herodes será formado por uma caveira com uma chupeta na boca. Cruzando sobre a caveira, em ângulo de 45 graus, uma vassoura e uma pá de limpeza doméstica;

  • 2 – Dos meios de comunicação dos Comandos Pilatus (CP);

 

Continua

 

Nota: Em algumas frases são referenciadas situações políticas, trajes, comportamentos e posturas típicas da época em que os diálogos foram escritos, primeira metade da década de 1980. Algumas delas tornaram-se moda, como barba mal aparada, uso de óculos Ray-Ban, governantes incompetentes. Outras, como bons modismos, desapareceram com o passar do tempo ou passaram a ser aceitos devido às mudanças de costumes.

Saúde e alegria a todos

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