Dear Mister President 1

O título surgiu instantaneamente em minha mente ao ler na Internet a manchete da Folha citada adiante. O tom a ser dado poderia ser de desalento ou de surpresa ou qualquer outro, mas deve ser efetivamente nenhum. Acredito que para pessoas com a nossa idade estas três palavras tragam lembranças significativas. Aos que não conviveram com tal período explico terem sido as três palavras acima proferidas de forma fortemente sensual e amorosa por Marilyn Monroe ao iniciar a sua participação em uma festa de aniversário de John F. Kennedy. Ela então símbolo sexual máximo de Hollywood nos anos 50-60, ele presidente dos EUA. Ambos tidos como amantes à época.  Faltou acrescentar ao título as palavras “do Brasil”.

Não tenho a pretensão de que o senhor ou um de seus auxiliares venha a ler o que está escrito. Mas, se tal frase chegasse aos seus ouvidos, na forma como está no título, as lembranças fariam o vosso ego inflar ainda mais.

No que me diz respeito, jamais tive grandes esperanças em seu governo, ora provisório, em breve definitivo. De quem conviveu com a incompetência desonesta  do governo anterior, como parte integrante dele, distante ou não, haveria mesmo muito pouco do que se esperar. E o senhor e seus auxiliares não necessitaram de muito tempo para confirmar a minha desesperança. Em menos de uma semana de governo um de seus ministros mais fortes teve suas fraquezas expostas e, sob acusação de corrupção, precisou ser trocado. Outros, também acusados de corrupção, não tomaram posse ou tomaram posse e foram afastados a seguir. Os compromissos eram mesmo tão fortes ou o objetivo foi apresentar o novo governo em seu mais amplo espectro? Isto é, mostrar o novo governo como mais do mesmo.

Mas, então, porque demorou tanto para eu me manifestar? Para ser sincero, pouco me preocupei com as suas trapalhadas reveladoras, Afinal, para quem conviveu com os governos Lula e Dilma, mais trapalhadas não fazem diferença. Mais do mesmo. Para quem acompanha, mesmo de longe, as trapalhadas de vossos colegas ao redor do mundo, mais trapalhadas não fazem diferença. Mais do mesmo. Estou no Reino Unido, não como turista, mas como pai em visita a filha e acompanho a trapalhada, Brexit, feita pelos seus colegas políticos no berço da democracia moderna. Mais do mesmo.

Mas, então, porque este texto? Acessei a Folha de S. Paulo pela internet e cruzei com “Temer pede que indústria priorize formados no exterior” (1). O sub-titulo elucida: “Para peemedebista mão de obra pode trazer informações tecnológicas”. Mais do mesmo.

A velha e inútil malandragem brasileira, a que nos levou para onde estamos há muito; para lugar algum. O vazio de ideias, ideais, propostas, intenções, objetivos. Já que nada de novo conseguimos desenvolver, vamos nos aproveitar daquilo que os outros desenvolveram e nos entregarão de mão beijada. Mesmo?  Dá para acreditar nisso?

Nós não precisamos mais de malandragem, precisamos de competência. A competência que falta na maioria das decisões tomadas nos vários níveis de governo.

Precisamos de honestidade, esta que o senhor perdeu a oportunidade de defender ao propor a malandragem de se aproveitar do conhecimento alheio.

Precisamos que o mais alto mandatário do país mostre confiança e orgulho das estruturas e pessoas que estão sob sua liderança.

Ou o senhor desconhece que as universidades brasileiras formam os engenheiros que o senhor sugeriu relegar a segundo plano quando de seu “pedido aos empresários”?

Não acredito que o senhor conheça muito sobre engenharia, minha área de formação. Possivelmente conheça o tanto que eu conheço sobre direito, a vossa área de formação. Porém, por favor, evite ridicularizar-se mais do que já foi feito ao longo de sua breve estada no poder transitório.

O Brasil precisa de líderes que, mesmo sem cacoete para tal, mostrem confiança no país e em seus liderados. Talvez com isso os brasileiros possam voltar a acreditar e confiar em alguma coisa.

Esforce-se, por favor, para acabar com o trágico período de mais do mesmo que temos vivido nas últimas décadas. Segundo vossas próprias palavras, em dois anos e meio se encerra o seu período no poder. Esforce-se para ser lembrado como alguém que conseguiu ultrapassar a fronteira da mediocridade, algo que a maioria de seus antecessores não conseguiu e nem demonstrou vontade para conseguir.

(1) Temer pede a empresários que … Gustavo Uribe Machado da Costa, Brasília, Folha de São Paulo, 08/07/2016; 18:39.

Saúde e alegria para todos

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