O futuro a Deus pertence 4.2

Escrito em 1981

A segurança nacional voltou a ser ameaçada, não mais pelos opositores internos ou por potências estrangeiras. A maior ameaça à segurança nacional tornou-se o próprio governo.

E agora? O futuro a Deus pertence!

Escrito em 2016

De qualquer forma, após dois anos o caçador de marajás ou Fernando I, o Breve, acabou apeado do poder e cassado por corrupção, denunciado por seu próprio irmão (1). No curto reinado, algumas trapalhadas econômicas, tentativas frustradas de reduzir a inflação e outros fracassos.

E o país ia seguindo em frente. Comprava-se o que não se precisava, exportava-se a matéria prima para adquiri-la industrializada, incentivava-se a industrialização importando indústrias, investia-se em conhecimento copiando modelos externos, etc. etc.

Assumiu o vice, Itamar Franco, um homem de topete. E para que não pairasse dúvidas sobre o seu futuro governo, manifestou imediatamente saudades do carrinho Volkswagen, chamado originalmente de besouro, e, no Brasil, de Fusca. Uma obra genial do Escritório Porsche, o Fusca nasceu ao início da década de 30, pouco antes da ascensão dos nazistas, 1933, ao poder (2). O primeiro veículo foi colocado no mercado em 1940, já durante a segunda guerra mundial e sua produção voltou-se para modelos de aplicação bélica. Em 1953 o Fusca passa a ser montado no Brasil; em 1959 54% das peças do veículo eram nacionais; em 1975, com o choque do petróleo, passa-se a buscar veículos com consumo reduzido; em 1985 a VW encerra a produção do Fusca, por obsolescência do projeto. Em 1993, por sugestão do Presidente da República, Itamar Franco, a VW volta a produzir o Fusca. Dizem que ele pretendia expor a todo o Brasil o seu compromisso com a modernidade. E a inflação campeava alegre, livre, leve e solta. Como seu Ministro das Relações Exteriores, Fernando Henrique Cardoso.

Bons ventos circularam por Bral-Búrdia. FINALMENTE! Quem é o culpado pelos bons ventos? Só pode ser Deus, afinal Deus é brasileiro!

Em um lance político magistral, Itamar, o do topete, passa o sociólogo Fernando Henrique Cardoso do Ministério das Relações Exteriores para o da Fazenda. Choque em Bral-Búrdia! O presidente mandou o Ministro Fernando Henrique Cardoso plantar batatas? E Fernando Henrique, assessorado por economistas loquazes, opera o milagre. E, como por passe de mágica, a inflação acabou em Bral-Búrdia! Obra divina! É a prova cabal de que Deus é brasileiro!

Apoiada no conceito vigente desde a época dos visitantes permanentes, ora batizado de “Planejamento Zero”, a economia crescia. A indústria de Bral-Búrdia passa a receber novos investimentos, representados por novas montadoras de veículos. A agricultura se espalhara pelo Brasil. Do Sul-Sudeste ela invadira o Centro-Oeste e o Nordeste. A pecuária acompanhou a agricultura. A flatulência bovina em Bral-Búrdia atinge cifras que comprometem o equilíbrio do meio ambiente mundial. Bral-Búrdia mudou mesmo de patamar, acreditavam todos.

Novas eleições presidenciais. Candidatos, muitos, afinal o pluripartidarismo atesta e solidifica a democracia. Consta que o pluripartidarismo também colabora com a conta corrente dos donos dos mini partidos. Dentre os muitos candidatos um líder nato, homem de origem humilde, nordestino, trabalhador metalúrgico, mutilado no trabalho, presidente de sindicato, opositor do regime militar, fundador de partido político de ideologia clara e definida, batalhador pelas causas dos pobres e mais; Luiz Inácio Lula da Silva, o Lula. Do outro lado Fernando Henrique Cardoso, paulista nascido no Rio de Janeiro em 1931 e morador em São Paulo desde 1940, descendente de militares políticos, culto, sociólogo, professor universitário, opositor da revolução de 1964, o antagonista perfeito para Lula.

E Lula continuou a sua peregrinação rumo à desmoralização explícita; perdeu pela segunda vez.

E o país ia seguindo em frente. Comprava-se o que não se precisava, exportava-se a matéria prima para adquiri-la industrializada, incentivava-se a industrialização importando indústrias, investia-se em conhecimento copiando modelos externos, etc. etc.

Com uma inflação ridícula, ainda mais se comparada com os cerca de 80% ao mês de outrora, e uma ambição clara, Fernando II, o Sábio, circulava pelo mundo exibindo a sua cultura. Poderia ter sido um governo diferenciado se o poder não houvesse subido à sua cabeça e à de seu partido. E, em conjunto, passaram a batalhar pela possibilidade de reeleição. A oposição, que sempre se enxerga como futura situação, reclamou. Havia o perigo representado pela necessidade de se alterar a constituição. Mas o multipartidarismo consciente, consciente de seus interesses, falou mais alto. Aprovada (comprada?) a reeleição, mas apenas uma!

1998, novas eleições presidenciais. Candidatos, muitos, afinal o pluripartidarismo atesta e solidifica a democracia. Consta que o pluripartidarismo também colabora com a conta corrente dos donos dos mini partidos. Dentre os muitos candidatos um líder nato, homem de origem humilde, nordestino, trabalhador metalúrgico, mutilado no trabalho, presidente de sindicato, opositor do regime militar, fundador de partido político de ideologia clara e definida, batalhador pelas causas dos pobres e mais; Luiz Inácio Lula da Silva. Do outro lado Fernando Henrique Cardoso, paulista nascido no Rio de Janeiro em 1931 e morador em São Paulo desde 1940, descendente de militares políticos, culto, sociólogo, professor universitário, opositor da revolução de 1964, comprador da reeleição, o antagonista perfeito para Lula.

E Lula continuou a sua peregrinação rumo à desmoralização explícita; perdeu pela terceira vez. Diz-se que, ao perder pela terceira vez, Lula descobriu que um só partido não faz presidente, gritou que ”um é pouco, dois é bom, três é demais e quatro inaceitável” e abriu-se a conchavos. Havia atingido o limiar da desmoralização.

Os bons ventos continuavam soprando sobre Bral-Búrdia. Chegamos mesmo em um outro patamar. Podemos deixar a condição de coadjuvantes e aceitar o protagonismo político-econômico mundial. O protagonismo latino já havia se manifestado com a criação do Mercosul em 1991. O problema no Mercosul foi e é a existência de dois protagonistas adeptos do “Planejamento Zero” brigando para ser o primeiro nome a aparecer nos créditos. Além disso, o parceiro opositor de Bral-Búrdia, Bagunçón, vive o eterno dilema de tentar explicar ao mundo ser o único país europeu ao sul do equador, bem ao sul.

O segundo governo de Fernando II, o Sábio, foi seguindo sem maiores problemas aparentes, a menos da mácula e das sequelas das negociatas feitas para viabilizar a aprovação do segundo mandato.

Nas eleições presidenciais de 2002, para variar, muitos candidatos. Afinal, o pluripartidarismo atesta e solidifica a democracia e colabora com a conta corrente dos donos dos mini partidos. Pela quarta vez consecutiva, dentre os muitos candidatos um líder nato, homem de origem humilde, nordestino, trabalhador metalúrgico, mutilado no trabalho, presidente de sindicato, opositor do regime militar, fundador de partido político de ideologia clara e definida, batalhador pelas causas dos pobres, aberto a conchavos até com Paulo Salim Maluf e mais; Luiz Inácio Lula da Silva. Do outro lado José Serra, paulista, economista, ministro, secretário, perseguido pela revolução de 1964, exilado e inexpressivo, o antagonista perfeito para Lula vencer.

E Lula, finalmente, venceu o primeiro turno. E venceu em todos os estados da União, exceto em Alagoas, no segundo turno. Venceu pela primeira vez e pela primeira vez com coligações conchavantes ou conchavos coligantes.

continua

(1) http://acervo.oglobo.globo.com/fatos-historicos/presidente-collor-sofreu-impeachment-em-1992-foi-cassado-pelo-senado-9239073

(2) https://pt.wikipedia.org/wiki/Volkswagen_Fusca

Saúde e alegria a todos

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