Diálogos 16

Em Mudanças, de 27.12.15, apresentei as razões que me levaram aos Diálogos. Em Diálogos 1 – preâmbulo, de 10.1.16, iniciei a publicação dos diálogos escritos a partir de 29/3/82.

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 P2. Não acredito ser mais possível. Ele pegou gosto de escriba. E o fato de desaparecermos se ele parar de escrever é insignificante para nós. Quem sabe de nossa existência? Nem a mulher do que escreve sabe ainda de nós, ou melhor, leu de nós.

P1. O que escreve conhece a gente e apesar de pouco se manifestar e em vermelho, parece que compartilha com as nossas ideias.

P2. Mesmo quando divergimos, acredito que ele concorda com nós dois, ou nós duas? O que somos, afinal? Hermafroditas eu não aceito.

P1. Preconceito, é? O que escreve tem duas filhas, por que não sermos nós dois? Fica dois a dois.

P2. Não seria bom para ele. Ele ficaria com uma relação íntima com dois, o que não é bom perante o mundo.

P1. O mundo que vá para o inferno. Se for para ficar se dobrando às mesquinharias dele …

P2. Não é mais possível ser um radical radical no mundo de hoje. Seremos nós duas.

P1. Exijo um plebiscito. Não existe algo mais democrático do que um plebiscito.

P2. De novo? Agora é um caso simples de opinião e posicionamento pessoal. E mais, se podemos escolher entre masculino e feminino, não fará muita diferença ser isso ou aquilo. Eu quero ser nada, absolutamente nada!

P1. Nada de plebiscito. Também quero ser nada, absolutamente nada!

P2. Continuamos povo! Continuamos povo!

P1. Viva! Viva! Viva! Povo! Povo!

3.8.82

P2. É, ficamos um bom tempo sem falar. Parece que o que escreve não estava muito interessado em bancar o escriba.

P1. Parece que apesar da carta do irmão dele sobre a situação no Brasil e do entusiasmo inicial gerado por ela, a má vontade retornou.

P2. Mas depois das conversas com o orientador, a coisa melhorou e muito. Agora ele escreve, estuda, medita, discute consigo mesmo o que lê. Vamos ver se a coisa se mantém.

P1. Discute consigo não, discute conosco.

P2. Se você começa a minimizar a importância do que escreve, ele ainda acaba nos boicotando. É bom não esquecer de ser ele um técnico, nada além disso. Sem qualquer formação humanística, seja acadêmica ou pessoal por convivência. Um verdadeiro técnico, frio, calculista, insensível, poluidor, desinteressado dos seres humanos. Uma quase máquina que trabalha com máquinas. Um semi monstro.

P1.ÔÔÔhhh! Isso não te parece ser um pouco demais?

P2. Psiu! É só para ver a reação dele. Ou ele só se manifesta para censurar?

P1. Sei lá! Mas espero que ele tome a decisão correta e parta para resolver os seus problemas acadêmicos o mais rápido possível. Ele anda com umas ideias radicais e um título de doutor talvez o ajudasse, apesar de seu pouco valor.

P2. Também acho. Já pensou nós dois como conselheiros do que escreve? Já pensou se ele vira político ou coisa que o valha e nós seus conselheiros? Acabaremos tão famosos quanto os três que governam os Estados Unidos para o Ronald Reagan.

P1. Pensei que você não o desprezasse tanto, ou a mim, ou a você mesmo. Ele político e nós no mesmo nível dos conselheiros do Reagan é macabro.

P2. Foi só um exemplo. Infeliz, mas um exemplo.

P1. Passa.

P3. Por mim também.

 

continua

 

Nota: Em algumas frases são referenciadas situações políticas, trajes, comportamentos e posturas típicas da época em que os diálogos foram escritos, primeira metade da década de 1980. Algumas delas tornaram-se moda, como barba mal aparada, uso de óculos Ray-Ban, governantes incompetentes. Outras, como bons modismos, desapareceram com o passar do tempo ou passaram a ser aceitos devido às mudanças de costumes.

 

Saúde e alegria a todos

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