O futuro a Deus pertence 4.3

Escrito em 1981

A segurança nacional voltou a ser ameaçada, não mais pelos opositores internos ou por potências estrangeiras. A maior ameaça à segurança nacional tornou-se o próprio governo.

E agora? O futuro a Deus pertence!

Escrito em 2016

E Lula, finalmente, venceu o primeiro turno. E venceu em todos os estados da União, exceto em Alagoas, no segundo turno. Venceu pela primeira vez e pela primeira vez com coligações conchavantes ou conchavos coligantes.

Os bons ventos continuavam a soprar sobre Bral-Búrdia. E o governo populista partiu para projetos faraônicos. Transposição do Rio São Francisco: projeto abandonado, reiniciado, abandonado; situação atual, sei lá. Construção de um porto em Cuba. Construção de uma estrada inútil interligando Brasil e Lima, Peru; inútil para a pretensa destinação de sua construção.

E as bolsas cresceram. Há desigualdade social, crie-se uma bolsa federal dentro do conceito “bolsa hoje, voto amanhã” “clientelismo hoje, voto amanhã”. As crianças terminam a escola obrigatória não alfabetizadas? Quotas universitárias nelas; “quota hoje, voto amanhã”. O direito ao certificado universitário inútil! O conceito, eleitor enganado, voto contado, levado ao extremo.

Nos foros internacionais Lula detonava. Afinal era um homem humilde que chegou ao posto mais alto de seu país. Internamente o comportamento de alguns governistas da coligação deixava transparecer o uso de formas escusas de obter apoio, através da compra de votos, no caso chamado de Mensalão (2005 – 2006) (3).

O primeiro reinado de Lula I, o único, chegou ao fim com a plateia aplaudindo e pedindo bis (4).

E o bis se fez. Candidatos em 2006, muitos, como sempre, afinal o pluripartidarismo atesta e solidifica a democracia e colabora com a conta corrente dos donos dos minipartidos. Para o segundo turno foram Lula, pela quinta vez candidato e Geraldo Alckmin, paulista de São Paulo, médico, vereador, secretário e prefeito de Pindamonhangaba, governador de S. Paulo, Secretário de Estado, jovem demais à época para ter tido envolvimento com a revolução de 1964, chato de se ouvir e inexpressivo, o antagonista perfeito para Lula vencer.

E Lula venceu o segundo turno.

O mundo recebeu ventos terríveis. De novo o maldito petróleo? Não, agora foram os bancos, os verdadeiros donos do mundo. E a brincadeira de multiplicar o investimento não deu certo. O banco A comprava do banco B e vendia a mesma coisa ao banco C, que vendia ao banco D etc. O mesmo produto era comercializado múltiplas vezes a preços crescentes. Os agentes enriqueciam com a participação nos lucros hipotéticos. Países tornavam-se paraísos econômicos. Um dia alguém quis o dinheiro, não apenas a transferência da dívida. E tudo desmoronou. Países faliram; empresas sérias, mas nem tanto, faliram; bancos faliram. A economia mundial entrou em crise. Lula disse: “Isto não é um tsunami, é uma marolinha para o Brasil”. E a economia bral-burdiana se recuperou com o incentivo ao consumo: compre o seu carro zero em 80 (oitenta) prestações mensais que cabem no seu bolso. E a economia bral-burdiana se recuperou com investimentos chineses: vende-se também a Bral-Búrdia em suaves prestações mensais.

E o país se mantinha estabilizado. Uma massa enorme de brasileiros saiu da pobreza. O número de brasileiros com emprego crescia. O apoio aos menos favorecidos crescia. Todos felizes, ou quase.

E Barack Obama chamou Lula de “O cara, o político mais popular da Terra”. E Lula, de dedo em riste, respondeu a Obama (não é possível ouvir o que foi dito) (5).

Em 2009, ventos duvidosos começam a soprar da Polícia Federal em direção a Brasília. E ameaçam balançar Bral-Búrdia. A Polícia Federal inicia investigações relacionadas a lavagem de dinheiro por um deputado de Londrina, Paraná. Aparentemente nada muito fora do normal.

Em 2010, eleições. Candidatos os muitos de sempre, afinal o pluripartidarismo … De um lado, pela impossibilidade de uma segunda reeleição do Criador, a sua Criatura, Dilma Rousseff, gaúcha de Minas Gerais, apresentada como pessoa capaz, de liderança inconteste, economista quase doutora (7), mãe do PAC, Programa de Aceleração do Crescimento, perseguida e torturada durante a revolução de 1964. Do outro lado, José Serra, inspirado nas três tentativas frustradas de Lula, partia para a sua segunda tentativa, abandonando mais uma vez um posto de governo em São Paulo para se candidatar à presidência.

Com o apoio de Lula e a máquina do Governo Federal ao seu lado, não havia chance para Serra; jamais haverá. E ele perdeu pela segunda vez.

E lá se foi Dona Dilma. Talvez o seu maior legado do primeiro mandato tenha sido a criação de uma palavra nova na língua portuguesa. Ela passou a exigir ser chamada de presidenta. E se perpetrou mais um massacre na língua portuguesa. As trapalhadas de Dona Dilma estão registradas na Internet, em livros e também já foram abordadas neste blog em Era uma Vez e Era uma Vez, outra vez.

O clientelismo populista personificado pela gastança desenfreada somado aos ventos econômicos ruins soprando pelo mundo, em particular na China, levavam a economia brasileira a uma situação perigosa. Mas, por ser ano eleitoral, mentiu-se, para variar.

Os ventos ruins internos de 2009 se intensificaram e, em 2013 se transformaram em furacão. Ventos terríveis que permanecem até hoje e que muitos consideram ventos bons. São os ventos da oportunidade oferecida para Bral-Búrdia tornar-se um país íntegro. Em 2013, a investigação iniciada em 2009 identificou quatro doleiros atuantes em lavagem de dinheiro e, deles, chegou-se à identificação de um esquema imenso de corrupção nos altos escalões de Brasília, tendo como fonte principal de espoliação a Petrobrás (6). A Operação recebeu o nome de Lava-jato.

Antes que eu esqueça. E o país ia seguindo em frente. Comprava-se o que não se precisava, exportava-se a matéria prima para adquiri-la industrializada, incentivava-se a industrialização importando indústrias, investia-se em conhecimento copiando modelos externos, etc. etc.

Em 2014, nova eleição. Candidatos, muitos. No segundo turno a presidenta de um lado e adivinhe quem. Quebrou-se a regra, nem Serra, nem Alckmin; Aécio Neves, mineiro de Minas Gerais, economista, parente do presidente que salvaria o país, mas não tomou posse, Tancredo Neves, deputado federal, governador de Minas Gerais e pouco convincente ou, talvez, insípido, insoso e inodoro.

E Dilma venceu com 51,6% dos votos contra 48,4% para Aécio Neves. A divisão dos votos foi clara. Sul, Sudeste exceto Minas Gerais e Rio de Janeiro somados a Acre e Roraima deram maioria a Aécio. Norte e Nordeste, Minas e Rio de Janeiro apoiaram Dilma. Aécio perdeu em seu próprio estado.

O novo governo Dilma começou mal, evoluiu para péssimo e chegou a um pedido de impedimento para a presidenta ao final de 2015. Tantas trapalhadas e jogadas ilegais teriam consequências. Se não fosse por isso, ela deveria sofrer “impeachment” pelo final inacreditável de sua entrevista após a abertura dos trabalhos da ONU em setembro de 2015, quando ela sugeriu pesquisas para se guardar o vento em movimento e, com ele, movimentar usinas eólicas quando necessário (acessar Dilma e o vento no You Tube; há muitas coisas boas lá).

A economia afundou, a inflação voltou a crescer. O número de desempregados cresceu, muitos dos que haviam saído da pobreza durante o reinado de Lula, o criador, voltaram à pobreza no reinado de Dilma, a criatura. As pessoas voltaram a falar, falar, falar e ninguém a ouvir. Em maio de 2016 a presidenta foi afastada e o vice-presidente passou a exercer interinamente a presidência.

Face à possibilidade iminente de passar a exercer interinamente a presidência, até o julgamento do impeachment da presidenta pelo Senado de Bral-Búrdia, o vice-presidente antecipou e negociou a formação de um ministério com menos ministros, porém qualificados. Dois dias após a posse de seu ministério, o interino teve de trocar dois ministros por acusações de corrupção e participação no esquema Lava-jato. Um terceiro já se foi e outros mais estão pendurados pelas mesmas razões. Quais foram os critérios do presidente interino para escolher seus ministros? O envolvimento com corrupção? Melhor acreditar que não houve critério, isto é, mais do mesmo de sempre.

O planejamento governamental, inexistente, conhecido por “Planejamento Zero”, busca tapar hoje os buracos de ontem e o povo, sempre ele, pode mais uma vez ser chamado a pagar as dívidas contraídas em seu nome, sem a sua consulta e que pouco reverteram a seu favor. A segurança institucional não parece estar ameaçada, porém o maior fator de insegurança não são mais os opositores internos ou potências estrangeiras. A maior ameaça à segurança nacional continua sendo o próprio governo.

E agora?

O futuro continua pertencendo apenas a Deus! Até quando os ba-gunços continuarão se omitindo?

 

(3) https://pt.wikipedia.org/wiki/Esc%C3%A2ndalo_do_Mensal%C3%A3o

(4) https://www.vagalume.com.br/gonzaguinha/pois-e-seu-ze.html

(5) https://www.youtube.com/watch?v=7vmuSZtiG4A

(6) http://lavajato.mpf.mp.br/atuacao-na-1a-instancia/investigacao/historico/por-onde-comecou

(7) http://www.estadao.com.br/noticias/geral,dilma-rousseff-admite-erro-em-curriculo,399151

 

Saúde e alegria a todos

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