Diálogos 17

Em Mudanças, de 27.12.15, apresentei as razões que me levaram aos Diálogos. Em Diálogos 1 – preâmbulo, de 10.1.16, iniciei a publicação dos diálogos escritos a partir de 29/3/82.

 

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A publicação de Diálogos 16 aconteceu no dia 21.8.16. Diálogos 17 está sendo publicada em março de 2019, três anos depois. E, nesta mesma data serão publicados os Diálogos 18, 19, 20 e 21, com isso encerrando a série escrita entre 1982 e 1984. Aos poucos leitores, minhas desculpas pelo longo intervalo.

 

 P2. Foi só um exemplo. Infeliz, mas um exemplo.

P1. Passa.

P3. Por mim também.

P2. Desculpem, desculpem. Desculpem.

P1. Qual a sua opinião sobre as conversas com o Raabe?

P2. E a sua? A minha é a seguinte: A mulher do que escreve á sabia!

P1. Concordo. O comentário dela de que “ele terá o fim de semana para pensar q em alguma coisa”. Foi preciso e infalível.

P2. Mesmo na terça ele não saiu convencido.

P1. Apenas deixou barato.

P2. Você percebeu que o definido ao início dos diálogos não tem sido cumprido? Estamos escolhendo temas ao invés de deixá-los vir ao sabor das ondas.

P1. É verdade, mas você já experimentou ondas para conhecer-lhes o sabor?

P2. Como assim? Onda não se come ou bebe. Pelo menos nesse caso. Larga de bobagem, até parece que falta assunto!

P1. Tanto falta que demorou um tempão para voltarmos a papear. Parece que o que escreve anda pouco criativo.

P2. É a fase. Ele agora resolveu trabalhar sério e só consegue pensar no trabalho. A época das frustrações e do tempo livre para deixar a imaginação solta acabou. Ou pelo menos entrou em recesso. Ele esqueceu do Raabe, isto é, só se dedica a massacrá-lo com panfletos, decalques, charges e coisas parecidas.

P1. Ele vive agora o período de artista gráfico esporádico.

P2. E é bom que dê duro mesmo, assim a gente cai fora logo desta terra e deste instituto.

P1. Antes que o instituto desapareça e nos leve junto.

P2. Você viu a filosofia do que escreve hoje à tarde? Aquela “Die Idioten sind nie schuldig” (os idiotas jamais serão culpados) foi muito boa. A ideia é perfeita. Quem desconhece jamais poderá ser considerado culpado do que quer que seja.

P1. Pode-se dizer que a ignorância absolve. Mas mesmo assim é perigoso. Fica-se sempre ante a escolha ou a alternativa entre o que é ignorância, desconhecimento ou o que é desleixo, desinteresse. Por outro lado, pode-se tentar encaixar no termo ignorância a incapacidade ou a incompetência, o que levaria à impunidade absoluta. O que não ignora, mas é incompetente, também estaria absolvido.

P2. Mas o incompetente consciente jamais será um ignorante. Ele será desonesto, trapaceiro ou coisa que o valha, mas jamais ignorante ou idiota. Mesmo assim fica difícil tornar concretos tais adjetivos um tanto abstratos. Sob quais condições pode-se definir ou taxar alguém de ignorante, idiota, incompetente etc. Há necessidade de uma convivência longa e próxima com a pessoa para poder ser concluído algo a respeito. E quando o material coletado se revela suficiente para a classificação, a pessoa deixou o círculo ou atingiu uma posição tal que não mais é possível a classificação alcançá-la.

P1. Isto é, quando é provada a incapacidade do rei, ele já está coroado. Ou enterrado. Trágico, mas real. E o que fazer? Tentar conspirar contra o rei ou deixa-lo em paz no túmulo? Mostrar aos seus vassalos as provas obtidas? Difícil de se decidir, mesmo sabendo que poucos acreditarão em um possível futuro aristocrata ou mesmo possível futuro rei.

P2. Solução existe. Ridicularizar o rei, na sua ausência, e ir levando. De vez em quando umas alfinetadas no lombo do rei e mais não é possível.

… Passaram-se exatos 21 meses.

continua

 

Nota: Em algumas frases são referenciadas situações políticas, trajes, comportamentos e posturas típicas da época em que os diálogos foram escritos, primeira metade da década de 1980. Algumas delas tornaram-se moda, como barba mal aparada, uso de óculos Ray-Ban, governantes incompetentes. Outras, como bons modismos, desapareceram com o passar do tempo ou passaram a ser aceitos devido às mudanças de costumes.

 

Saúde e alegria a todos

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