Diálogos 19

Em Mudanças, de 27.12.15, apresentei as razões que me levaram aos Diálogos. Em Diálogos 1 – preâmbulo, de 10.1.16, iniciei a publicação dos diálogos escritos a partir de 29/3/82.

 

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 P1. … Os ministros do Interior e da Justiça queriam ser presidente da República. Os demais são apenas figurantes. Nesse meio composto por homens que não são, mas gostariam de ser, ou que são o que não queriam ser, as consequências são claras e ruins.

O do Planejamento queria ir e foi. O da Agricultura trocou de posto e para a Agricultura foi um que não deveria ir. O da Fazenda não conseguiu o que queria e, querendo ir, foi. Para a Fazenda foi outro que não deveria ter ido. O da Previdência Social financiou a sua eleição com dinheiro público e tornou-se o que queria ser. O da Agricultura, Fazenda e Planejamento desistiu de ser governador e dedicou-se a afundar o país. O da Justiça tentou mostrar saúde e acabou enterrado. O novo da Justiça, cotado para dar peso ao PDS em Minas Gerais, mostrou total incapacidade, sequer conseguindo notar concentrações de centenas de milhares de pessoas.

O ministro do Interior luta para ser presidente, assim como o das Minas e Energia luta para esconder as orelhas e o da Indústria e Comércio luta para ser notado.

Enfim, como ninguém queria o que recebeu, o Brasil recebeu o que não queria.

P2. Eu não queria cortar a sua exposição, mas o nome do presidente é João Figueiredo, porque João sem cara?

P1. Parece-me inadequado dizer que alguém não tem vergonha na cara. Tal julgamento é muito relativo. O que é justo para mim pode não ser para outros. Assim, se alguém não tem cara, falta como atestar a existência de alguma coisa nela.

P2. Li algum dia em uma Isto É, que o presidente considera ato de homem de estado manter o mesmo ministério. Neste momento lembrei-me de outro general homem de estado, o general Médici, pai do milagre brasileiro, ou tio afastado dele. Ele sempre respondia a perguntas sobre mudanças de ministério com a máxima futebolística: “Time que ganha não se muda”. O João não muda o time apesar da absoluta falta de vitórias. O que significa jamais mudar o time, independentemente dos resultados.

P1. Aí está a solução para os times de futebol semifalidos. Para que pagar reservas? Para que ter reservas?

P2. Para casos de contusão. Veja os exemplos Simonsen, Richibiter, Portela e outros. Além disso os reservas também precisam viver.

P1. Reservas para cá, titulares para lá, tudo muda e nada se altera. Se até há pouco o Brasil parecia perdido como cego em tiroteio, hoje as coisas se complicaram tanto que o Brasil parece estar perdido em um tiroteio de cegos.

P2. Não só o Brasil, o mundo está assim. Não existe liderança em lugar algum, todos reagem como carneiros ao ouvir uivos de lobos; disparam em qualquer direção e todos juntos. Isso acontece com todos, seja com os comandados pelas múmias ocidentais ou com os comandados pelas múmias moscovitas.

P1. Por pura falta de líderes e lideranças. Agora identificaremos e classificaremos os vários tipos de líderes políticos.

Prezados leitoras e leitores, senhoras e senhores, damas e cavalheiros, moçoilas e mancebos; respeitável público. A AIA, Associação do Incapazes Anônimos, tem a honra de poder trazer-lhes a aplaudida palestra sob título “Classificação da liderança política mundial”, proferida pelo renomado pensador e filósofo P1.

 

continua

 

Nota: Em algumas frases são referenciadas situações políticas, trajes, comportamentos e posturas típicas da época em que os diálogos foram escritos, primeira metade da década de 1980. Algumas delas tornaram-se moda, como barba mal aparada, uso de óculos Ray-Ban, governantes incompetentes. Outras, como bons modismos, desapareceram com o passar do tempo ou passaram a ser aceitos devido às mudanças de costumes.

 

Saúde e alegria a todos

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