Diálogos 21 (o último?)

Em Mudanças, de 27.12.15, apresentei as razões que me levaram aos Diálogos. Em Diálogos 1 – preâmbulo, de 10.1.16, iniciei a publicação dos diálogos escritos a partir de 29/3/82.

 

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 P2. CLAP, CLAP, CLAP, CLAP.

P1. Agradeço aos aplausos e considero a palestra encerrada. Boa noite!

 

P2. Por que noite? A palestra poderia ser realizada à tarde ou pela manhã!

P1. Minhas palestras para comunidades são realizadas sempre à noite.

P2. Ah! Se tomarmos a classificação acima aos acontecimentos no pós-guerra a coisa fica feia para os políticos em geral. O buraco para onde a economia mundial foi levada por eles e as soluções propostas e tentadas são uma triste prova de termos sido conduzidos por chefetes e gritões.

P1. Estamos em 1984, você já pensou sobre o futuro? Como as coisas se desenvolverão? O que existirá em alguns anos à frente? Como viverão as pessoas, quais serão as condições de vida, qual o relacionamento entre elas, qual a situação da sociedade? Você já pensou se o sistema consumista em que vivemos leva a a algum futuro, se é um modelo para muitos anos mais?

P2. Já. Mas continue.

P1. Quais as perspectivas futuras para um país como o Brasil ou para os países africanos mais desenvolvidos ou para a China, que começa a copiar os mais desenvolvidos? Como brasileiro analiso o nosso caso. Esquecido o passado, já que não adianta chorar o tempo perdido, a situação atual poderia ser considerada pouco aceitável. Acrescido o fato de o país estar endividado até o limite, parece-me interessante aproveitar o momento e tentar transportar o país do final do século 19 para o final do século 20, onde cronologicamente já estamos. A forma de implantar mudanças, porém, deve ser progressiva como se pretendeu implantar a democracia, porém com sensibilidade e capacidade de análise dos seus efeitos. Exatamente o contrário do que está sendo feito com a democracia.

P2. Para tanto, precisaríamos de um líder no comando, ou pelo menos de um bom chefe. Alguém com capacidade, sensibilidade e coragem, mas com ambições apenas históricas, satisfeito apenas com o oferecido pelo cargo.

P1. Tal estadista deveria escolher uma equipe de assessores que queiram e possam apenas ser, e deixá-los ser. Cada um dos assessores deve ter afinidade com a área de ação ou então capacidade suficiente para familiarizar-se com a sua área de atuação. Paralelamente deve-se permitir ao povo participar das decisões a serem tomadas, na medida em que se use adequadamente os meios de comunicação para mantê-lo devidamente informado e esclarecido. Sendo cada assessor responsável pela sua e apenas a sua área e existindo um plano de governo, que deve ter levado o estadista à sua posição por meio de eleições, a probabilidade de se obter resultados aceitáveis é boa.

P2. Como faremos para iniciar o processo em meio da confusão absoluta de leis, decretos, decretos-lei e tudo o mais?

 

E a reta final da tese de doutorado calou os dois debatedores.

Durante o período entre meados do ano de 1984 e o final de junho de 1985, tudo o que fiz foi finalizar cálculos, redigir e revisar o escrito em alemão e, com a ajuda de Roberto Campanelli, que fez a maioria dos desenhos e de Werner Braitsch, que fez a adequação final do redigido para a língua alemã, depositei a tese ao início de julho de 1985. Em tempo para saber que a apresentação somente poderia acontecer ao início de 1986.

Voltamos para o Brasil ao final de julho de 1985. Iniciei as aulas em agosto. Voltei para Munique ao final de janeiro e apresentei o trabalho na primeira semana de fevereiro de 1986. Retornei ao Brasil ao final de fevereiro e não mais tive a oportunidade de dialogar com P1 e P2.

 

Hoje, 5.3.2019, setenta e um ano completos, aposentado quatro dias por semana, talvez volte a dialogar com P1 e P2, ambos em condições idênticas às minhas. Preocupa-me apenas o fato de eles, como eu, estarem mais críticos e radicais do que éramos há cerca de 35 anos. Conseguirei suportar-nos?

 

Continua ?

 

Nota: Em algumas frases são referenciadas situações políticas, trajes, comportamentos e posturas típicas da época em que os diálogos foram escritos, primeira metade da década de 1980. Algumas delas tornaram-se moda, como barba mal aparada, uso de óculos Ray-Ban, governantes incompetentes. Outras, como bons modismos, desapareceram com o passar do tempo ou passaram a ser aceitos devido às mudanças de costumes.

 

Saúde e alegria a todos

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