O futuro a Deus pertence 4.3

Escrito em 1981

A segurança nacional voltou a ser ameaçada, não mais pelos opositores internos ou por potências estrangeiras. A maior ameaça à segurança nacional tornou-se o próprio governo.

E agora? O futuro a Deus pertence!

Escrito em 2016

E Lula, finalmente, venceu o primeiro turno. E venceu em todos os estados da União, exceto em Alagoas, no segundo turno. Venceu pela primeira vez e pela primeira vez com coligações conchavantes ou conchavos coligantes.

Os bons ventos continuavam a soprar sobre Bral-Búrdia. E o governo populista partiu para projetos faraônicos. Transposição do Rio São Francisco: projeto abandonado, reiniciado, abandonado; situação atual, sei lá. Construção de um porto em Cuba. Construção de uma estrada inútil interligando Brasil e Lima, Peru; inútil para a pretensa destinação de sua construção.

E as bolsas cresceram. Há desigualdade social, crie-se uma bolsa federal dentro do conceito “bolsa hoje, voto amanhã” “clientelismo hoje, voto amanhã”. As crianças terminam a escola obrigatória não alfabetizadas? Quotas universitárias nelas; “quota hoje, voto amanhã”. O direito ao certificado universitário inútil! O conceito, eleitor enganado, voto contado, levado ao extremo.

Nos foros internacionais Lula detonava. Afinal era um homem humilde que chegou ao posto mais alto de seu país. Internamente o comportamento de alguns governistas da coligação deixava transparecer o uso de formas escusas de obter apoio, através da compra de votos, no caso chamado de Mensalão (2005 – 2006) (3).

O primeiro reinado de Lula I, o único, chegou ao fim com a plateia aplaudindo e pedindo bis (4).

E o bis se fez. Candidatos em 2006, muitos, como sempre, afinal o pluripartidarismo atesta e solidifica a democracia e colabora com a conta corrente dos donos dos minipartidos. Para o segundo turno foram Lula, pela quinta vez candidato e Geraldo Alckmin, paulista de São Paulo, médico, vereador, secretário e prefeito de Pindamonhangaba, governador de S. Paulo, Secretário de Estado, jovem demais à época para ter tido envolvimento com a revolução de 1964, chato de se ouvir e inexpressivo, o antagonista perfeito para Lula vencer.

E Lula venceu o segundo turno.

O mundo recebeu ventos terríveis. De novo o maldito petróleo? Não, agora foram os bancos, os verdadeiros donos do mundo. E a brincadeira de multiplicar o investimento não deu certo. O banco A comprava do banco B e vendia a mesma coisa ao banco C, que vendia ao banco D etc. O mesmo produto era comercializado múltiplas vezes a preços crescentes. Os agentes enriqueciam com a participação nos lucros hipotéticos. Países tornavam-se paraísos econômicos. Um dia alguém quis o dinheiro, não apenas a transferência da dívida. E tudo desmoronou. Países faliram; empresas sérias, mas nem tanto, faliram; bancos faliram. A economia mundial entrou em crise. Lula disse: “Isto não é um tsunami, é uma marolinha para o Brasil”. E a economia bral-burdiana se recuperou com o incentivo ao consumo: compre o seu carro zero em 80 (oitenta) prestações mensais que cabem no seu bolso. E a economia bral-burdiana se recuperou com investimentos chineses: vende-se também a Bral-Búrdia em suaves prestações mensais.

E o país se mantinha estabilizado. Uma massa enorme de brasileiros saiu da pobreza. O número de brasileiros com emprego crescia. O apoio aos menos favorecidos crescia. Todos felizes, ou quase.

E Barack Obama chamou Lula de “O cara, o político mais popular da Terra”. E Lula, de dedo em riste, respondeu a Obama (não é possível ouvir o que foi dito) (5).

Em 2009, ventos duvidosos começam a soprar da Polícia Federal em direção a Brasília. E ameaçam balançar Bral-Búrdia. A Polícia Federal inicia investigações relacionadas a lavagem de dinheiro por um deputado de Londrina, Paraná. Aparentemente nada muito fora do normal.

Em 2010, eleições. Candidatos os muitos de sempre, afinal o pluripartidarismo … De um lado, pela impossibilidade de uma segunda reeleição do Criador, a sua Criatura, Dilma Rousseff, gaúcha de Minas Gerais, apresentada como pessoa capaz, de liderança inconteste, economista quase doutora (7), mãe do PAC, Programa de Aceleração do Crescimento, perseguida e torturada durante a revolução de 1964. Do outro lado, José Serra, inspirado nas três tentativas frustradas de Lula, partia para a sua segunda tentativa, abandonando mais uma vez um posto de governo em São Paulo para se candidatar à presidência.

Com o apoio de Lula e a máquina do Governo Federal ao seu lado, não havia chance para Serra; jamais haverá. E ele perdeu pela segunda vez.

E lá se foi Dona Dilma. Talvez o seu maior legado do primeiro mandato tenha sido a criação de uma palavra nova na língua portuguesa. Ela passou a exigir ser chamada de presidenta. E se perpetrou mais um massacre na língua portuguesa. As trapalhadas de Dona Dilma estão registradas na Internet, em livros e também já foram abordadas neste blog em Era uma Vez e Era uma Vez, outra vez.

O clientelismo populista personificado pela gastança desenfreada somado aos ventos econômicos ruins soprando pelo mundo, em particular na China, levavam a economia brasileira a uma situação perigosa. Mas, por ser ano eleitoral, mentiu-se, para variar.

Os ventos ruins internos de 2009 se intensificaram e, em 2013 se transformaram em furacão. Ventos terríveis que permanecem até hoje e que muitos consideram ventos bons. São os ventos da oportunidade oferecida para Bral-Búrdia tornar-se um país íntegro. Em 2013, a investigação iniciada em 2009 identificou quatro doleiros atuantes em lavagem de dinheiro e, deles, chegou-se à identificação de um esquema imenso de corrupção nos altos escalões de Brasília, tendo como fonte principal de espoliação a Petrobrás (6). A Operação recebeu o nome de Lava-jato.

Antes que eu esqueça. E o país ia seguindo em frente. Comprava-se o que não se precisava, exportava-se a matéria prima para adquiri-la industrializada, incentivava-se a industrialização importando indústrias, investia-se em conhecimento copiando modelos externos, etc. etc.

Em 2014, nova eleição. Candidatos, muitos. No segundo turno a presidenta de um lado e adivinhe quem. Quebrou-se a regra, nem Serra, nem Alckmin; Aécio Neves, mineiro de Minas Gerais, economista, parente do presidente que salvaria o país, mas não tomou posse, Tancredo Neves, deputado federal, governador de Minas Gerais e pouco convincente ou, talvez, insípido, insoso e inodoro.

E Dilma venceu com 51,6% dos votos contra 48,4% para Aécio Neves. A divisão dos votos foi clara. Sul, Sudeste exceto Minas Gerais e Rio de Janeiro somados a Acre e Roraima deram maioria a Aécio. Norte e Nordeste, Minas e Rio de Janeiro apoiaram Dilma. Aécio perdeu em seu próprio estado.

O novo governo Dilma começou mal, evoluiu para péssimo e chegou a um pedido de impedimento para a presidenta ao final de 2015. Tantas trapalhadas e jogadas ilegais teriam consequências. Se não fosse por isso, ela deveria sofrer “impeachment” pelo final inacreditável de sua entrevista após a abertura dos trabalhos da ONU em setembro de 2015, quando ela sugeriu pesquisas para se guardar o vento em movimento e, com ele, movimentar usinas eólicas quando necessário (acessar Dilma e o vento no You Tube; há muitas coisas boas lá).

A economia afundou, a inflação voltou a crescer. O número de desempregados cresceu, muitos dos que haviam saído da pobreza durante o reinado de Lula, o criador, voltaram à pobreza no reinado de Dilma, a criatura. As pessoas voltaram a falar, falar, falar e ninguém a ouvir. Em maio de 2016 a presidenta foi afastada e o vice-presidente passou a exercer interinamente a presidência.

Face à possibilidade iminente de passar a exercer interinamente a presidência, até o julgamento do impeachment da presidenta pelo Senado de Bral-Búrdia, o vice-presidente antecipou e negociou a formação de um ministério com menos ministros, porém qualificados. Dois dias após a posse de seu ministério, o interino teve de trocar dois ministros por acusações de corrupção e participação no esquema Lava-jato. Um terceiro já se foi e outros mais estão pendurados pelas mesmas razões. Quais foram os critérios do presidente interino para escolher seus ministros? O envolvimento com corrupção? Melhor acreditar que não houve critério, isto é, mais do mesmo de sempre.

O planejamento governamental, inexistente, conhecido por “Planejamento Zero”, busca tapar hoje os buracos de ontem e o povo, sempre ele, pode mais uma vez ser chamado a pagar as dívidas contraídas em seu nome, sem a sua consulta e que pouco reverteram a seu favor. A segurança institucional não parece estar ameaçada, porém o maior fator de insegurança não são mais os opositores internos ou potências estrangeiras. A maior ameaça à segurança nacional continua sendo o próprio governo.

E agora?

O futuro continua pertencendo apenas a Deus! Até quando os ba-gunços continuarão se omitindo?

 

(3) https://pt.wikipedia.org/wiki/Esc%C3%A2ndalo_do_Mensal%C3%A3o

(4) https://www.vagalume.com.br/gonzaguinha/pois-e-seu-ze.html

(5) https://www.youtube.com/watch?v=7vmuSZtiG4A

(6) http://lavajato.mpf.mp.br/atuacao-na-1a-instancia/investigacao/historico/por-onde-comecou

(7) http://www.estadao.com.br/noticias/geral,dilma-rousseff-admite-erro-em-curriculo,399151

 

Saúde e alegria a todos

Diálogos 15

Em Mudanças, de 27.12.15, apresentei as razões que me levaram aos Diálogos. Em Diálogos 1 – preâmbulo, de 10.1.16, iniciei a publicação dos diálogos escritos a partir de 29/3/82.

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 Adendo

Nem sempre o que se escreve retrata a nossa crença. Às vezes retrata uma reação a um estado de coisas tornado inaceitável e que ao ser apresentado na forma de aberração objetiva demonstrar o desconforto de quem escreve. O que aqui se inicia retrata a minha crença de 1982, que se mantém em 2016 e se manterá para sempre. O que escrevi sobre o Esquadrão Herodes, a ser estruturado nos Diálogos 12 e 13, expresso pelo debatedor P1, corresponde exatamente às duas primeiras frases acima. O Esquadrão Herodes foi escrito em 1981 e é uma reação ao que se fazia à época e se mantém até hoje e que levou ao estado de insegurança plena em que agora vivemos, isto é, poderia muito bem ter sido escrito hoje. O Esquadrão é uma proposta de solução simples e absurda, típica dos desejos do poder constituído, melhor chamado de poder incompetente, a qual eu jamais apoiaria. Este poder incompetente não atua para resolver problemas, quaisquer que sejam eles, desde sempre. O problema de segurança, porém, deve ser computado quase integralmente aos omissos que governam o estado de São Paulo e os demais estados e o próprio Brasil desde a década de 1950. Os governadores de São Paulo estão nomeados em Diálogos 11.

Final

P1. É fácil. Inicia-se com uma série de filmes, propaganda barata, mostrando ações e consequências de ações de marginais. …

E os comandos passaram para a página 8, terceira coluna, inferior.

Nova onda de demonstrações, debates, entrevistas. A mãe do astro vai aos meios de comunicação.

E os comandos desapareceram do noticiário. O astro, com olheiras profundas, sem dormir a vários dias, parte em descanso para o exterior. Cerca de vinte dias se passaram. Coincidindo com a partida do astro, uma novela atinge seus capítulos finais, uma outra se inicia (com tantas novelas na TV, sempre haverá uma se encerrando e outra se iniciando).

P2. E os comandos?

P1. Ninguém mais se lembra deles, suas ações já foram incorporadas ao dia-a-dia da população. Após cerca de um mês de atuação dos comandos, alguns saneadores já se tornaram Cavaleiros da Ordem do Bercinho e o primeiro salário, engordado pelos prêmios de produtividade, supera os dez salários mínimos regionais. A procura por caixas de papelão usadas nos supermercados próximos aos campos naturais de ação dos comandos cresceu de forma anormal.

P2. E o que aconteceu com o astro, afinal?

P1. Viu como funciona? Aconteceu nada! Uma semana após a partida ele retorna recuperado, é recebido calorosamente por todos, reassume o seu lugar no Olimpo e continua a sua vida divina.

P2. E todo o movimento feito a respeito de sua vida íntima?

P1. Ele voltou uma semana depois de partir. Em um mundo agitado como o que vivemos uma semana é uma eternidade. O máximo que pode acontecer é a sua vida íntima ter ido parar na oitava página, terceira coluna, inferior. Seu retorno, porém, estará na primeira página com foto colorida. Com isso ocupa-se dois espaços diferentes com o mesmo tema importante.

P3. Pessimismo agressivo! Será mesmo assim? Tanta acidez é corrosiva e deprimente. Uma finalização perfeita para uma proposta indecente de projeto.

P1. Não precisamos responder ao comentário do que escreve.

P2. Sem dúvida, está escrito em vermelho. Não tem futuro!

Mas eu pergunto a ele, quem é você, o que escreve? Eu, chamado por você de P2? É ele, chamado por você de P1? E eu respondo ao que escreve. Não! Quem escreve é você, isto é, a responsabilidade pelo que está escrito é sua. Você detém o poder e arca com a responsabilidade. Nós somos nada! Você já nos ameaçou censurar, agora nos chama de pessimistas, mas quem escreve é você. Sem você somos nada, nada.

P1. Calma lá! Assim também não, A coisa ficou confusa. Nós pensamos, ele escreve. A responsabilidade termina no trabalho mecânico de transpor as nossas ideias para o papel. O trabalho intelectual é nosso. Os responsáveis pelas ideias somos nós.

P2. Não refresca grande coisa se estamos presos a ele. Admita que isso seja publicado um dia.

P1. E daí?

P2. Se ele quiser, escreve na capa o seu nome, não o nosso. E aí a responsabilidade e o mérito passam a ser dele. Mesmo que escreva o nosso nome na capa, se o livro for um sucesso sempre poderá dizer que os nomes na capa são pseudônimos.

P1. Mas isto seria um comportamento imoral para conosco! Seria tirar proveito de nós! Seria usar-nos! Seria se apropriar de nosso trabalho sem nos recompensar por ele!

P2. Continuarei povo! Continuarei povo!

P1. Ah??? Ah!!! Eu também! Eu também! Um momento. Já não éramos povo?

P2. Éramos e continuamos, pois continuamos a ser explorados!

P1. Mas mesmo assim a responsabilidade do que é escrito não é do que escreve, ou melhor, a nossa relação com o que escreve é bem mais complexa.

P2. A nossa relação é íntima. Dependemos uns dos outros.

P1. Nem tanto, ele pode deixar de escrever e nós desaparecemos. Ninguém mais ouvirá de nós, ou melhor, ninguém mais lerá de nós.

P2. Não acredito ser mais possível. Ele pegou gosto de escriba. E o fato de desaparecermos se ele parar de escrever é insignificante para nós. Quem sabe de nossa existência? Nem a mulher do que escreve sabe ainda de nós, ou melhor, leu de nós.

 

Continua

 

Nota: Em algumas frases são referenciadas situações políticas, trajes, comportamentos e posturas típicas da época em que os diálogos foram escritos, primeira metade da década de 1980. Algumas delas tornaram-se moda, como barba mal aparada, uso de óculos Ray-Ban, governantes incompetentes. Outras, como bons modismos, desapareceram com o passar do tempo ou passaram a ser aceitos devido às mudanças de costumes.

 

Saúde e alegria a todos

O futuro a Deus pertence 4.1

Escrito em 1981

A segurança nacional voltou a ser ameaçada, não mais pelos opositores internos ou por potências estrangeiras. A maior ameaça à segurança nacional tornou-se o próprio governo.

E agora? O futuro a Deus pertence!

Escrito em 2016

A ameaça governamental ao país passou a ser combatida internamente. Os cassados de 1968 estavam com seus direitos restituídos, muitos dos opositores que haviam deixado o país já haviam retornado. A economia ia mal, muito mal, ao início da década de 80. A situação política estava insustentável. A democracia plena de quase ditadura, dubiedade inexplicável comum em Bal-Gunça, associada ao pragmatismo dos ba-gunços do século XVI e dos balbúrdios atuais, tornou-se convenientemente intolerável. Os ventos terríveis de meados dos anos 70 continuavam a soprar.

Pausa: Esses ventos terríveis, econômicos ou não, não param de encher o saco desta bendita terra. E nenhum pai da pátria ainda se preocupou com eles!? Ou eles são convenientes?

O então dono do poder começou o que foi chamado de retorno lento e gradual à democracia. Retorno lento e gradual o suficiente para fazer o seu sucessor. Este, aparentemente feliz por poder cuidar de seus cavalos, dos quais dizia gostar mais que do povo, indicava tendências a devolver a Bral-Gunça a todos os balbúrdios ao final de seu mandato. Ao final de 1979 o bipartidarismo foi abolido e voltou-se ao regime multipartidário. O multipartidarismo permitiu a criação de partidos suficientes para acomodar as várias tendências políticas, que em Bral-Gunça beiram o infinito e variam de acordo com interesses específicos e de momento. Com isso, a quantidade de interesses em jogo e a quantidade de interessados em tantos e diversos interesses impedia qualquer entendimento; o que permanece até os nossos dias.

Paralelamente, a industrialização crescia, a produção agrícola acelerava. E Bral-Búrdia firmou-se em um novo patamar, acreditavam muitos. Fabricamos veículos! Construímos uma nova capital no centro do país! Gritavam todos. A indústria automobilística bral-burdiana começa a ganhar vulto. O júbilo patriótico crescia. Exportamos veículos, bradavam alguns. Para o Iraque, retrucavam outros. Consta que parte dos Passat exportados para o Iraque não foram pagos. Consta ainda que o calote aplicado pelo governo de Sadam Hussein ao Brasil não foi uma das causas das duas guerras do Golfo.

Na política a grande dúvida era pequena: como fazer a devolução da Bral-búrdia aos bagunços? Os opositores, agora mais livres, passaram a exigir eleições diretas. Por que? Porque apesar de o golpe de 1964 ter sido feito também em nome do povo, este passou todo o tempo sem poder escolher os seus governantes. E criou-se o movimento “DIRETAS JÁ”. A genialidade de presidente e vice poderem ser de partidos antagônicos havia sido abolida. Durante o regime militar, Tancredo Neves (1) havia pertencido ao partido da oposição, MDB, e José Sarney (2) ao da situação, ARENA. E, em eleição indireta foram eleitos Tancredo Neves, opositor do regime militar, para presidente e José Sarney, apoiador do regime militar, para seu vice, ambos já em novos partidos, de oposição.

Em uma manobra do destino, Tancredo Neves morre antes de tomar posse.

Pausa: Homem de sorte! Tivesse governado, teria sido mais uma decepção dentre todos os demais. Tornou-se, porém, a solução da qual Deus não nos permitiu usufruir.

O que fazer? Aceitar um situacionista de oposição ou um opositor da situação como presidente por quatro anos? Se o presidente e o vice não tomaram posse, o vice é o seu sucessor?

Sucessor de um presidente que não tomou posse? Oh maravilha para os bagunços! Voltamos aos bons e velhos tempos! Loquazes por natureza, os balbúrdios deliciavam-se com o poder do rádio e o poder da TV. Quantas informações para se cacarejar a respeito! Todos falavam de tudo e de todos, principalmente os políticos.

E Sarney tomou posse como presidente eleito, ou vice-presidente eleito. E seu governo foi inacreditavelmente esquecível, a menos da inflação galopante. Quatro anos depois, 1989, o povo foi chamado a escolher o seu sucessor. Candidatos, muitos.

Dentre os muitos candidatos um líder nato, homem de origem humilde, nordestino, trabalhador metalúrgico, mutilado no trabalho, presidente de sindicato, opositor do regime militar, fundador de partido político de ideologia clara e definida, batalhador pelas causas dos pobres e mais; Luiz Inácio Lula da Silva, o Lula, que em 1982 havia incorporado o apelido ao seu nome. Do outro lado Fernando Collor de Mello, alagoano nascido no Rio de Janeiro, filho de político federal, representante legítimo do sistema feudal vigente no nordeste brasileiro. Jovem, boa aparência, ousado, motociclista, rico, esposa jovem e atraente, o antagonista perfeito para Lula.

E Lula iniciou aí a sua peregrinação rumo à desmoralização explícita; perdeu.

Fernando Collor de Mello, duas vezes consoante dupla no seu nome! Uau! Teria sido ele a inspiração para a sanha dos pais brasileiros em duplicar consoantes nos nomes dos seus filhos? Nada consta a respeito. E ele chegou arrebentando. O caçador de marajás. O macho de motocicleta. O dono do cofre. O “que tinha aquilo roxo”! Dizem alguns que “aquilo roxo” jamais foi apresentado para confirmação de tonalidade. Dizem outros que aquilo roxo foi consequência de uma queda sobre uma cerca de fazenda. De qualquer forma, após dois anos o caçador ou Fernando I, o Breve, acabou apeado do poder e cassado por corrupção, denunciado por seu próprio irmão (1). No curto reinado, algumas trapalhadas econômicas, tentativas frustradas de reduzir a inflação e outros fracassos.

E o país ia seguindo em frente. Comprava-se o que não se precisava, exportava-se a matéria prima para adquiri-la industrializada, incentivava-se a industrialização importando indústrias, investia-se em conhecimento copiando modelos externos, etc. etc.

Pausa: Alguém pode estranhar a grafia variável do nome da terra sobre a qual se escreve. Afinal escreve-se Bal-gunça ou Bral-Gunça, bagunços ou ba-gunços ou Bal-búrdia ou …? Irrelevante se com esse ou com ze, se com jota ou com gê. Em Bral-Gunça, o que vale é o som. Como se escreve é secundário. Se no futuro alguém irá entender os escritos, sabe-se lá o que é futuro. O futuro a Deus pertence, não?

continua

(1) http://acervo.oglobo.globo.com/fatos-historicos/presidente-collor-sofreu-impeachment-em-1992-foi-cassado-pelo-senado-9239073

Saúde e alegria a todos

O futuro a Deus pertence 3

Escrito em 1981

Antes do término do mandato e em nome do mesmo povo, agora não consultado, os governantes eram depostos.

E o país ia seguindo em frente. Comprava-se o que não se precisava, exportava-se a matéria prima para adquiri-la industrializada, incentivava-se a industrialização importando indústrias, investia-se em conhecimento copiando modelos externos, etc. etc.; e isto continua até os dias de hoje.

Além disso a industrialização começava a reduzir a produção agrícola. E Bral-Búrdia trocou de patamar, acreditavam muitos. Fabricamos veículos! Construímos uma nova capital no centro do país! Gritavam todos. A indústria automobilística bral-gunciana começa a ganhar vulto. O júbilo patriótico cresce.

Volkswagen, Ford, General Motors, Mercedez-Benz (Daimler-Benz) faziam os balbúrdios vibrar. E ninguém notou que os nomes das empresas nada tinham de bral-gunciano. Mas, bradavam os entusiastas, para que “inventar a roda” se já existem aqueles que têm experiência na fabricação de veículos? Vamos trazê-los para construir veículos para nós, com nossa mão-de-obra. E, mais uma vez recebemos ajuda externa, agora de empresas ao invés de pessoas, que como no passado interessavam-se em trazer aos balbúrdios uma cultura tecnológica avançada e conceitos modernos de produção, sem nada exigir em troca; nada além dos direitos dos projetos, royalties, enviados para a matriz e preços muito acima do cobrado para os mesmos veículos comercializados no exterior. O governo, sempre ávido por mais dinheiro, impôs taxações elevadíssimas sobre os veículos e manteve a extorsão nos preços de venda dos veículos.

A capital ficou pronta em tempo recorde, ou quase, e foi inaugurada como o novo orgulho dos balbúrdios. Na inauguração encerrava-se também o período de gestação do que viria a ser o melhor amigo dos senhores da terra, a INFLAÇÃO.

O povo, convocado às urnas elegeu presidente e vice com votações espantosas. Em uma ação de inteligência extrema, alguém havia feito ser aprovada a possibilidade de serem votados e eleitos presidente e vice de partidos antagônicos. E isto aconteceu. O presidente eleito prometeu um governo inovador, ágil e criativo. Agilmente usou a sua criatividade para inovar; oito meses depois da posse abandonava o cargo. Consta que o seu objetivo era de ser aclamado ditador, mas deu azar.

A época era ruim. Loquazes por natureza, os balbúrdios deliciavam-se com o poder do rádio e o poder emergente da TV. Quantas informações para se cacarejar a respeito! Todos falavam de tudo e de todos, principalmente os políticos.

O vice, chamado a não assumir a presidência, recusou. Depois de idas e vindas, tomou posse o vice-presidente, de tendências esquerdistas e contra a vontade dos anticomunistas. Talvez o vice tenha recebido tal caracterização, esquerdista, por ser canhoto ou algo semelhante. E a inflação crescia.

Os políticos manobraram. Tentaram, inventaram, mudaram a constituição, pariram o parlamentarismo, mudaram a constituição de novo, enterraram o parlamentarismo. Haja criatividade inútil. Não deu mais. Cerca de quatro anos depois das eleições e em nome do povo, mas sem consulta-lo, o presidente foi apeado do poder. O movimento que derrubou o presidente e instalou o os militares no poder por cerca de 20 anos foi chamado de “Revolução de 31 de março”. Consta que muitos a veem mais como uma revolução de primeiro de abril.

A explicação para a mudança era simples. Inflação alta, descontrole governamental, ameaça à segurança nacional, falta de planejamento etc. etc. Os novos comandantes do país reduziram a falação, reorientaram a máquina governamental, empreenderam o desenvolvimento, dizem. Poucos entenderam e vários insistiam em ser contra. Comunistas, desejavam lançar a Bal-gunça no caos e tomar o poder, instalar um governo de partido único, controlar os demais poderes, eliminar os opositores e implantar uma ditadura. Exatamente o que acabara de ser feito. Os opositores tomaram em armas e tentaram seguir o modelo cubano, quando um punhado de homens em um iate invadiram a ilha e tomaram o poder com a ajuda do povo, dizem.

Os novos donos do poder sentiram-se desafiados. Permitir a vitória dos revoltosos seria permitir banhar de sangue o deserto verde e líquido. E reagiram. Aparentemente os revoltosos desconheciam certas peculiaridades de Bal-Gunça e dos balbúrdios.. Bal-Gunça não era uma ilha, visto que o nome Ilha de Santa Cruz havia sido abandonado há séculos atrás, depois de os colonizadores terem pressentido que a área da então Bral-Búrdia era relativamente elevada. Eles também não deviam entender muito de logística e, principalmente, desconheciam o pragmatismo dos balbúrdios e também a peculiaridade de seu caráter. Estes, sob ameaça abriam mão de suas crenças e também faziam o que bem entendiam, preocupando-se apenas consigo mesmo, como outrora constatado pelos colonizadores (O futuro a Deus pertence 1).

Os revoltosos perderam, como era de se esperar, menos por eles.

Durante o combate à contrarrevolução os novos governantes fecharam todos os partidos, colocaram o legislativo e o judiciário a serviço do povo, representado por eles mesmos, perseguiram os que pensavam diferente, cassaram direitos políticos e canalizaram o banho de sangue para os esgotos, mantendo o deserto verde e líquido quase limpo. Tempos depois uniram-se em um partido fictício, mas real e de sigla ARENA, aos políticos mais desclassificados, os que abriam mão de suas convicções à primeira ameaça e implantaram a democracia ditatorial de quase partido único.

A Bral-Gunça progredia. Comprava-se o desnecessário, exportava-se a matéria prima para adquiri-la industrializada, incentivava-se a industrialização importando indústrias e exportando dividendos, investia-se em conhecimento copiando modelos externos, etc. etc.; o que se vivencia até hoje.

A Bral-Gunça progredia. Ninguém falava e tinha-se a impressão de que todos prestavam atenção. Ao que? Certas coisas não devem ser perguntadas.

Pausa: Alguém pode estranhar a grafia variável do nome da terra sobre a qual escrevemos. Afinal escreve-se Bal-gunça ou Bral-Gunça, bagunços ou ba-gunços ou Bal-búrdia ou …? Irrelevante se com s ou com z. Em Bral-Gunca, o que vale é o som. Como se escreve é secundário. Se no futuro alguém irá entender os escritos, sabe-se lá o que é futuro. O futuro a Deus pertence, não?

Milagre, milagre, a inflação foi reduzida a míseros 15% ao ano. Milagre apenas explicado pela capacidade dos senhores da terra ora no poder.

O mundo recebeu ventos terríveis. O preço do petróleo duplicou, triplicou, quadruplicou. Não, quintuplicou. Decuplicou e mais. De US$ 2,00 o barril passou para US$ 30,00. O milagre começou a provar que os ba-gunços do século XVI tinham razão em aceitar apenas a quase-conversão. Milagres não são fabricados; acontecem?

A inflação disparou. As pessoas voltaram a falar, falar, falar e ninguém a ouvir.

O planejamento governamental foi reduzido a tapar hoje os buracos de ontem e o povo, sempre ele, foi chamado a pagar as dívidas contraídas em seu nome, sem a sua consulta e que pouco reverteram a seu favor. A segurança nacional voltou a ser ameaçada, não mais pelos opositores internos ou por potências estrangeiras. A maior ameaça à segurança nacional tornou-se o próprio governo.

E agora?

O futuro a Deus pertence!

 

 

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O futuro a Deus pertence 4 deverá ser publicado em algum momento, com a atualização das condições de Bal-gunça para os dias atuais. Não deverá ser difícil, pois continuam se repetindo os problemas de sempre. E o final do novo texto já está escrito; será a repetição  do texto acima, a partir de “O planejamento …”.

Saúde e alegria a todos

Diálogos 13

Em Mudanças, de 27.12.15, apresentei as razões que me levaram aos Diálogos. Em Diálogos 1 – preâmbulo, de 10.1.16, iniciei a publicação dos diálogos escritos a partir de 29/3/82.

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 Adendo

Nem sempre o que se escreve retrata a nossa crença. Às vezes retrata uma reação a um estado de coisas tornado inaceitável e que ao ser apresentado na forma de aberração objetiva demonstrar o desconforto de quem escreve. O que aqui se inicia retrata a minha crença de 1982, que se mantém em 2016 e se manterá para sempre. O que escrevi sobre o Esquadrão Herodes, a ser estruturado nos Diálogos 12 e 13, expresso pelo debatedor P1, corresponde exatamente às duas primeiras frases acima. O Esquadrão Herodes foi escrito em 1981 e é uma reação ao que se fazia à época e se mantém até hoje e que levou ao estado de insegurança plena em que agora vivemos, isto é, poderia muito bem ter sido escrito hoje. O Esquadrão é uma proposta de solução simples e absurda, típica dos desejos do poder constituído, melhor chamado de poder incompetente, a qual eu jamais apoiaria. Este poder incompetente não atua para resolver problemas, quaisquer que sejam eles, desde sempre. O problema de segurança, porém, deve ser computado quase integralmente aos omissos que governam o estado de São Paulo e os demais estados e o próprio Brasil desde a década de 1950. Os governadores de São Paulo estão nomeados em Diálogos 11.

Final

PROJETO: ESQUADRÃO HERODES (continuação)

(ou ide a ele as criancinhas ou que pelo menos sumam daqui)

Art. 1

Art. 2

Art. 3

Art. 4

 4 – Dos meios de comunicação dos Comandos Pilatus (CP);

I – Três rádios de longo alcance para comunicações a distâncias de até 500 km (quinhentos quilômetros), um para cada saneador, com, no mínimo 5 (cinco) baterias de reserva);

II – Três “walkie-talkie”, um para cada saneador, com, no mínimo 5 (cinco) baterias de reserva);

III – Um alto falante com alcance de, no mínimo, 200 m (duzentos metros).

Art. 5 –  Das condições de trabalho do Esquadrão Herodes (EH);

  • 1 – Todos os saneadores terão uma jornada de trabalho de 8 (oito) horas diárias, 5 (cinco) dias por semana, com dois dias de descanso;

I – As jornadas de trabalho dos vários Comandos Pilatus (CP) serão organizadas pelo superintendente do Esquadrão Herodes (EH) local, de tal forma que haja sempre, ao menos, 10 (dez Comandos Pilatus (CP) de plantão durante as 24 (vinte e quatro) horas do dia, todos os dias da semana.

II – Cada saneador poderá ser convocado para ações extraordinárias a qualquer m0mento, estando ou não em seu horário de trabalho.

  • 2 – Cada saneador receberá um salário fixo equivalente a 8 (oito) salários mínimos locais;

I – Cada saneador terá direito a um prêmio mensal de produtividade a ser acrescido ao salário e equivalente a 1/3 (um terço) do prêmio de produtividade de seu Comando Pilatus (CP);

  • 3 – Os uniformes serão fornecidos pelos Departamentos de Limpeza Pública (DLP), devendo ser trocados semanalmente e renovados semestralmente. Em casos de dedicação extrema ao trabalho, os uniformes poderão ser trocados a qualquer tempo.

Art. 6 – Dos direitos dos Esquadrões Herodes (EH)

Todos. Isto significa terem os Esquadrões Herodes (EH) e os Comandos Pilatus (CP) total liberdade para agir conforme as situações de trabalho assim o exigirem.

Art. 7 – Dos sistemas de apoio dos Esquadrões Herodes (EH)

Quando em cumprimento do dever, cada saneador componente de um Comando Pilatus (CP) tem o direito de requisitar os recursos que julgar necessário para a boa execução de sua tarefa saneadora. Os que porventura se recusarem a acatar as requisições dos saneadores serão processados por obstrução da justiça.

Art. 8 – Dos objetivos específicos dos Esquadrões Herodes (EH)

Os esquadrões Herodes (EH) serão mobilizados para ações de saneamento a serem aplicadas em favor de recém-nascidos ou crianças até um mês de vida provenientes de lares onde a renda líquida mensal per capita seja igual ou inferior a um salário mínimo local. A idade deverá ser comprovada por certidão de nascimento original, autenticada. O objetivo primordial da mobilização do Esquadrão Herodes (EH) é poupar a estas crianças uma vida de privações e infelicidade e indiretamente possibilitar a melhoria do nível de vida e segurança a todos os demais e também livrar o poder incompetente do lastro de tentar enganar o povo fingindo estar interessado em resolver o problema de segurança pública.

Art. 9 – Das condecorações específicas do Esquadrão Herodes (EH)

Em casos de dedicação acima do dever, o superintendente poderá, a partir de testemunhos idôneos, atribuir aos saneadores as seguintes condecorações, por ordem crescente de mérito.

I – Chupeta de bronze;

II – Chupeta de prata;

III – Chupeta de ouro, segundo grau;

IV – Chupeta de ouro, primeiro grau;

V – Cavaleiro da Ordem do Bercinho.

Art. 10 – É vedada toda e qualquer contestação, recurso judicial ou qualquer questionamento às ações patrióticas dos Esquadrões Herodes (EH).

Art. 11 – Casos omissos devem ser regulamentados por legislação específica.

Art. 12 – Revogadas todas as disposições em contrário.

P1. Qual a sua opinião a respeito do projeto?

P2. Prático, objetivo, lógico. A princípio parece um pouco estranho o Esquadrão Herodes ficar sob controle dos Departamentos de Limpeza Pública, mas os objetivos esclarecem a possível dúvida. Porque é proibido o uso de sirenes? Para não assustar as criancinhas?!

P1. Não só! Considere a possibilidade de o Esquadrão precisar agir em uma maternidade.

P3. Abjeto, porém, adequado para os governantes incompetentes. Corre-se o risco de ter tal projeto proposto em alguma Assembleia Legislativa ou na própria Câmara Federal.

 

Continua

 

Nota: Em algumas frases são referenciadas situações políticas, trajes, comportamentos e posturas típicas da época em que os diálogos foram escritos, primeira metade da década de 1980. Algumas delas tornaram-se moda, como barba mal aparada, uso de óculos Ray-Ban, governantes incompetentes. Outras, como bons modismos, desapareceram com o passar do tempo ou passaram a ser aceitos devido às mudanças de costumes.

 

Saúde e alegria a todos

O futuro a Deus pertence 2

Escrito em 1981

Importou-se a mão de obra necessária! Novamente a grandiosidade da religião (deturpada) se impôs.

Na procura por povos adeptos do trabalho estimulado, isto é, sem recompensa além de chão para dormir e lavagem para comer, encontrou-se os ideais. Negros, assemelhados a macacos, só poderiam ter sido criados por deus para servir aqueles que pensassem por eles. Importem-nos!

E assim se fez. Ao longo do tempo sequestrados na África chegavam mais e mais negros estimulados a trabalhar por livre escolha para os bagunços em troca de chão, sobras de comida e chicote.

A Bral-Búrdia, agora rebatizada de Bal-Gunça em homenagem aos bagunços; poucos entenderam a razão do uso do ífem se a homenagem era aos sem ífem; ia de vento em popa. De vez em quando grupos pequenos de ba-gunços, que já haviam perdido até a elevada taxa de natalidade, eram exterminados. Outras vezes importava-se enxadas sem cabo e sem lâminas. Outras vezes ainda eram comprados navios de guerra especiais para guardar as fronteiras de Bal-Gunça com os países andinos, onde não existia mar ou rios de fronteira. Desnecessário escrever que tais práticas permanecem até os nossos tempos.

Ventos fortes agitaram a Bal-Gunça. O filho do chefe dos bagunços liberta a Bal-Gunça dos visitantes permanentes. Todos ficaram maravilhados esquecendo-se serem os bagunços os próprios visitantes permanentes. O chefe dos bagunços havia aconselhado seu filho para que, em caso de independência iminente, fosse ele o libertador para evitar que “um aventureiro lançasse mão” de tal ação e do país. Aparentemente até hoje o conselho do chefe dos bagunços foi ouvido apenas por seu filho lá por 1820. Cansado dos aventureiros o filho do chefe dos bagunços abdicou do trono de Bal-Gunça após poucos anos e retornou à origem. Deixou seu filho, ainda criança, como sucessor. E Bal-Gunça continuou prosperando, apoiada em uma agricultura ajudada por muitas terras férteis e muitos negros chicoteados.

O alto custo de manutenção dos negros, cansados das reuniões chicoteadas, chão para dormir e restos para comer, transformou-os em seres humanos e eles foram libertos. Todos, ou quase todos, ficaram maravilhados. Muitos se esqueceram que os negros, livres de serem malcuidados pelos seus senhores, de repente passariam a cuidar de si e a continuar trabalhando para os antigos donos. Tal desinteresse por consequências de ações oficiais, ou não, permanece até os dias de hoje.

As coisas políticas não iam bem em Bal-Gunça, a quantidade de interesses em jogo e a quantidade de interessados em tantos e diversos interesses impedia qualquer entendimento; o que permanece até os nossos dias. Essa do neto do chefe dos visitantes permanentes, mesmo sendo filho do libertador, mandar no país, não fazia sentido. Apeie-se o homem do poder e que seja dado ao povo o direito de escolher todos os seus dirigentes.

E um soldado de nobre estirpe, monarquista convicto, sobe em seu cavalo e proclama a república. Consta que o objetivo era apenas pressionar o Imperador por interesses de amigos e seus próprios. Mas a ação não deu certo e a Bal-Gunça virou república. Seu primeiro presidente, um marechal monarquista. O povo, pela primeira vez lembrado para a escolha de seus dirigentes; e daí até nossos dias só lembrado nessa época; já apresentava um caráter e comportamento peculiar. Fazia o que bem entendia, por influência dos ba-gunços, preocupando-se apenas consigo mesmo, influência dos bagunços, e ia tocando a vida.

O povo de Bal-Gunça, os balbúrdios, era composto por várias camadas de habitantes, cada uma com origens diferentes. Os estrangeiros em extinção, outrora chamados de ba-gunços; os senhores da terra, legítimos e únicos habitantes do país desde tempos imemoriais, outrora bagunços, e os visitantes, homens e mulheres que, chegados há pouco, estavam conhecendo o país permanentemente. O termo visitante permanente havia sido abolido pelos senhores da terra por ser “historicamente incorreto”.

E o país ia seguindo em frente. Comprava-se o desnecessário, vendia-se navios de matéria prima para com o auferido adquirir cestas de produtos industrializados com a matéria prima vendida, incentivava-se a industrialização importando indústrias, investia-se em conhecimento copiando modelos externos, etc. etc.; e isto continua até os dias de hoje.

Pausa: Alguém pode estranhar a grafia variável do nome da terra sobre a qual escrevemos. Afinal escreve-se Bal-gunça ou Bral-Gunça, bagunços ou ba-gunços ou Bal-búrdia ou …? Irrelevante se com s ou com z. Em Bral-Gunca, o que vale é o som. Como se escreve é secundário. Se no futuro alguém irá entender os escritos, sabe-se lá o que é futuro. O futuro a Deus pertence, não?

Os governos sucediam-se tranquilamente. O povo, chamado a votar para escolher os seus governantes, os escolhia por períodos fixos de cinco anos. Antes do término do mandato e em nome do mesmo povo, agora não consultado, os governantes eram depostos.

 

Continua

Saúde e alegria a todos

Diálogos 12

Em Mudanças, de 27.12.15, apresentei as razões que me levaram aos Diálogos. Em Diálogos 1 – preâmbulo, de 10.1.16, iniciei a publicação dos diálogos escritos a partir de 29/3/82.

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 Adendo

Nem sempre o que se escreve retrata a nossa crença.  Às vezes retrata uma reação a um estado de coisas tornado inaceitável e que ao ser apresentado na forma de aberração objetiva demonstrar o desconforto de quem escreve. O que aqui se inicia retrata a minha crença de 1982, que se mantém em 2016 e se manterá para sempre. O que escrevi sobre o Esquadrão Herodes, a ser estruturado nos Diálogos 12 e 13, expresso pelo debatedor P1, corresponde exatamente ao caso acima. O Esquadrão Herodes foi escrito em 1981 e é uma reação ao que se fazia à época e se mantém até hoje e que levou ao estado de insegurança plena em que agora vivemos, isto é, poderia muito bem ter sido escrito hoje. O Esquadrão é uma proposta de solução simples e absurda, típica dos desejos do poder constituído, melhor chamado de poder incompetente, a qual eu jamais apoiaria. Este poder incompetente não atua para resolver problemas, quaisquer que sejam eles, desde sempre. O problema de segurança, porém, deve ser computado quase integralmente aos omissos que governam o estado de São Paulo e os demais estados e o próprio Brasil desde a década de 1950. Os governadores de São Paulo estão nomeados em Diálogos 11.

Final

P2. Mas então só com controle de natalidade!

P1. Explico o projeto em detalhes. Ele poderia até ser lançado como um dos famosos projetos IMPACTO, que consagraram o milagre brasileiro do primeiro período Delfim Neto. Rádio, TV e jornal à disposição do governo para a grande campanha nacional de imobilização dos pobres e paupérrimos.   A SOLUÇÃO PARA O BURACO BRASILEIRO!

 

PROJETO: ESQUADRÃO HERODES

(ou ide a ele as criancinhas ou que pelo menos sumam daqui)

Art. 1 – Dissolvam-se os esquadrões da morte (EM) e congêneres em todos os estados da federação. Seus nobres integrantes serão colocados à disposição dos respectivos Departamentos de Limpeza Pública (DLP) das prefeituras municipais.

Art. 2 – Crie-se o Esquadrão Herodes (EH). Os membros desta força de elite serão recrutados entre os membros dos recém extintos EM, agora à disposição dos DLP.

Art. 3 – Da organização do Esquadrão Herodes (EH);

  • 1 – Os EH serão subordinados aos DLP;
  • 2 – O comando do EH de cada município ficará a cargo de um superintendente (SEH), podendo este ser civil, militar ou general;
  • 3 – Cada EH será composto por, no mínimo 200 (duzentos) comandos independentes, denominados Comandos Pilatus (CP), subordinados diretamente ao superintendente (SEH) do Esquadrão Herodes (EH) do respectivo município;

I – A identificação de cada Comando Pilatus (CP) será feita com numeração em algarismos romanos, em homenagem ao romano Poncius Pilatus, conforme Comando Pilatus Quinze: CP-XV; Comando Pilatus cento e oitenta e oito: CP-CLXXXVIII;

  • 4 – O cargo de superintendente (SEH) dos EH será de confiança do atual dono da pátria ou, em caso de delegação especial deste, do atual dono do estado ou, em caso de delegação especial deste, do atual dono do município ou, em caso de delegação especial deste, de um seu amigo.
  • 5 – Cada Comando Pilatus (CP) será constituído por 3 (três) membros, denominados saneadores;
  • 6 – Em cada Comando Pilatus (CP) haverá um comandante, o saneador mor (SM) e dois assessores, os saneadores juniores (SJ).

Art. 4 – Do equipamento de trabalho dos Esquadro Herodes (EH);

  • 1 – Do material rodante dos Comandos Pilatus;

I – Um veículo blindado sobre pneus modelo Cascavel ou similar;

II- Três motocicletas de, no mínimo, 400 cc (quatrocentas cilindradas), uma para cada saneador;

III – Um carro funerário cinza, modelo Ford Belina ou similar;

IV – Uma carreta acoplável à traseira do veículo blindado com dimensões suficientes para acomodar todo o equipamento encontrado em §2 e o veículo definido em §1 – III;

V – Em todos estes veículos é vedada a instalação de sirenes ou similares;

  • 2 – Do material de defesa pessoal dos Comandos Pilatus (CP);

I – Os equipamentos inerentes aos veículos blindados;

II – Três bazucas, uma para cada saneador, com farta munição;

III – Uma metralhadora pesada, de uso exclusivo do saneador mor (SM);

IV – Três pistolas automáticas calibre 45, uma para cada saneador, com farta munição;

V – Três revólveres calibre 38, cano curto, um para cada saneador, com farta munição;

VI – Três pistolas automáticas calibre 6,25, uma para cada saneador, com farta munição;

VII – Três revólveres oxidados calibre 22, um para cada saneador, com farta munição;

VIII – Três metralhadoras leves, portáteis e com baioneta, uma para cada saneador, com farta munição;

IX – Três punhais de lâmina longa, 30 cm (trinta centímetros), cromado e com bainha em couro natural, uma para cada saneador;

X – Três navalhas marca Solingen ou similar com cabo de madrepérola, uma para cada saneador;

XI – Bombas de gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral em número suficiente para dispersar multidões de até 10 000 pessoas;

  • 2 – Do fardamento dos Comandos Pilatus (CP);

I – O fardamento, a ser chamado exclusivamente de Uniforme, será composto de calça, camisa, jaqueta, cinto, meias e sapatos brancos;

II – Ao lado esquerdo da camisa e da jaqueta será bordado o brasão de armas do Esquadrão Herodes;

III – O brasão de armas do Esquadrão Herodes será formado por uma caveira com uma chupeta na boca. Cruzando sobre a caveira, em ângulo de 45 graus, uma vassoura e uma pá de limpeza doméstica;

  • 2 – Dos meios de comunicação dos Comandos Pilatus (CP);

 

Continua

 

Nota: Em algumas frases são referenciadas situações políticas, trajes, comportamentos e posturas típicas da época em que os diálogos foram escritos, primeira metade da década de 1980. Algumas delas tornaram-se moda, como barba mal aparada, uso de óculos Ray-Ban, governantes incompetentes. Outras, como bons modismos, desapareceram com o passar do tempo ou passaram a ser aceitos devido às mudanças de costumes.

Saúde e alegria a todos

O futuro a Deus pertence 1

Escrito em 1981

Há muito tempo, em um lugar chamado Bral-Búrdia, perdido nos confins da Arábia, daí seu nome, entre as montanhas posteriormente conhecidas como Andes e a grande água, posteriormente conhecida como Oceano Atlântico, viviam povos nômades dispersos por um deserto de árvores e rios caudalosos.

Estes nômades formavam um grupo curioso de nômades. Enquanto os nômades de outros lugares viviam a andar sem se fixar em lugar algum, os nômades de Bral-Búrdia mantinham-se fixos sem se deslocar a lugar algum.

O fator geográfico, desertos verdes com rios caudalosos, aliado à peculiaridade do povo, nômades fixos, conferia ao lugar características únicas entre seus vizinhos. Os habitantes de Bral-Búrdia, chamados de ba-gunços, viviam contentes e produziam o suficiente, o suficiente para manter a taxa de natalidade de Bral-Búrdia como uma das mais altas entre seus vizinhos.

Certo dia as coisas mudaram. Bral-Búrdia foi descoberta. E as coisas deixaram de ser fáceis para os ba-gunços. Logo após o descobrimento chegaram os colonizadores, pessoas cujo único interesse era trazer aos ba-gunços uma cultura avançada e uma religião moderna, monoteísta, sem nada exigir em troca; nada além de tudo o que de bom e de melhor Bral-Búrdia pudesse ter.

Pouco tempo passou e os colonizadores constataram que os ba-gunços não eram muito chegados ao trabalho. Os compreensivos visitantes, que com o tempo passaram a ser conhecidos como visitantes permanentes, concluíram que, face à situação de momento e com os piedosos ensinamentos da religião moderna recém trazida, estava na hora de ensinar os ba-gunços a trabalhar, na porrada. Mantida a situação vigente, os ba-gunços não teriam chance de sobrevivência no mundo que os piedosos visitantes permanentes começavam a impor.

Aproveitando a quase conversão dos ba-gunços à religião moderna, tentou-se durante reuniões conjuntas convencer os ba-gunços que uma enxada na mão ajudava a abrir caminho para o paraíso. O sucesso da tentativa não foi estrondoso, longe disso. Os ba-gunços não conseguiam se convencer das vantagens de se trocar uma cadeira de balanço por uma enxada e, além disso argumentavam descaradamente: – Mim só quase convertido, essa de paraíso mim ainda não entende.

Piedosos, magnânimos, altruístas e interessados em ter empregados que trabalhassem em seu lugar e a custo zero, os visitantes, cada vez mais permanentes, conseguiram finalmente conscientizar os ba-gunços. Estes, de boa vontade e com os arcabuzes às suas costas, resolveram aplainar o caminho para o paraíso com a enxada oferecida pelos visitantes a ir para o inferno mais cedo. Séculos depois este pragmatismo permanece como uma das principais características dos habitantes da outrora Bral-Búrdia.

E assim foi feito. Mas por pouco tempo. Os visitantes permanentes, já quase convencidos de serem os verdadeiros donos da terra, perceberam que os ba-gunços não haviam mesmo nascido para o trabalho, situação que em algumas regiões da outrora Bral-Búrdia permanece até os nossos dias. Obrigados a trabalhar, morriam cedo, na boa vida viviam muito mais tempo. De uma forma ou de outra, não eram produtivos.

Os visitantes permanentes, já autodenominados bagunços, sem ífem para se diferenciarem dos invasores ba-gunços, resolveram importar mão de obra.

Nesta época já existiam alguns estudiosos interessados no que acontecia em Bral-Búrdia. Bral-Búrdia mesmo não tinha estudioso algum, situação que os órgãos públicos procuram manter até hoje. Cientistas e estudiosos de países distantes, alguns sem sequer saber escrever o próprio nome, viajavam para Bral-Búrdia com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento da região, ampliar os seus próprios conhecimentos e as suas posses, situação que permanece até os nossos dias. Um desses estudiosos, vindo de uma região distante, apavorado com a incultura, barbárie e incivilização tanto dos invasores ba-gunços, quanto dos habitantes bagunços, jurou que voltaria imediatamente à sua terra, assim que se tornasse milionário. O sábio acrescentou estar ainda decepcionado com o céu noturno de Bral-Búrdia, com um número muito menor de estrelas a iluminar a noite bralburdiana, do que o que ocorria no hemisfério norte.

Outro estudioso, no considerado primeiro trabalho científico sério sobre Bral-Búrdia, escreveu: “É uma terra curiosa, a Bral-Búrdia. O deserto rico em rios caudalosos e vegetação exuberante, o povo nômade fixo desde o início dos tempos, os visitantes permanentes que tomaram o controle total da vida no país, tornam esta terra difícil de se entender. Mas, mesmo assim, devido à sua riqueza em matérias primas e facilidade de adaptação às sugestões impostas pelos bagunços aos ba-gunços e pelos estrangeiros aos bagunços, acredito ser este o país do futuro; frase ouvida até os nossos dias.

Importou-se a mão de obra necessária! Novamente a grandiosidade da religião (deturpada) se impôs.

Continua

 

Saúde e alegria a todos

Diálogos 11

Em Mudanças, de 27.12.15, apresentei as razões que me levaram aos Diálogos. Em Diálogos 1 – preâmbulo, de 10.1.16, iniciei a publicação dos diálogos escritos a partir de 29/3/82.

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 Adendo

Nem sempre o que se escreve retrata a nossa crença.  Às vezes retrata uma reação a um estado de coisas tornado inaceitável e que ao ser apresentado na forma de aberração objetiva demonstrar o desconforto de quem escreve. O que aqui se inicia retrata a minha crença de 1982, que se mantém em 2016 e se manterá para sempre. O que escrevi sobre o Esquadrão Herodes, a ser estruturado nos Diálogos 12 e 13, expresso pelo debatedor P1, corresponde exatamente ao descrito nas duas primeiras frases. O Esquadrão Herodes foi escrito em 1981 e é uma reação ao que se fazia à época e se mantém até hoje e que levou ao estado de insegurança plena em que agora vivemos, isto é, poderia muito bem ter sido escrito hoje. O Esquadrão é uma proposta de solução simples e absurda, típica dos desejos do poder constituído, melhor chamado de poder incompetente, a qual eu jamais apoiaria. Este poder incompetente não atua para resolver problemas, quaisquer que sejam eles, desde sempre. O problema de segurança, porém, deve ser computado quase integralmente aos omissos que governam o estado de São Paulo e os demais estados  e o próprio Brasil desde a década de 1950. Os governadores de São Paulo estão indicados a seguir. Jânio da Silva Quadros (1955-1959), Carlos Alberto de Carvalho Pinto (1959-1963), Ademar Pereira de Barros (1963-1966), Laudo Natel (1966-1967), Roberto de Abreu Sodré (1967-1971), Laudo Natel (1971-1975), Paulo Egydio Martins (1975-1979), Paulo Salim Maluf (1979-1982), José Maria Marin (1982-1983), André Franco Montoro (1983-1987), Orestes Quércia (1987-1991), Luis Antônio Fleury Filho (1991-1995), Mário Covas (1995-1999) (1999-2001), Geraldo Alckmin (2003-2006), Cláudio Lembo (2006-2007), José Serra (2007-2010), Alberto Goldman (2010-2011), Geraldo Alckmin (2011-2015) (2015 – em exercício) (1). O governador de São Paulo pleiteia candidatar-se à presidência do Brasil, o ex-governador Serra, hoje ministro das relações exteriores, também pleiteia a candidatura à presidência. O ex-governador de Minas Gerais, Aécio Neves, idem. O ex-presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva pretendia. Estamos bem, Brasil.

Final

 

P2. Também um crime os seus versinhos. Mudando de assunto, o que você pensa sobre a criminalidade no Brasil?

 

P1. Incapacidade do governo, apenas. Recursos para acabar com o a criminalidade existem, tanto materiais quanto logísticos. Falta apenas um pouco de criatividade, só isso.

P2. Concordo em parte. Não há dúvida que falta criatividade ao governo, e muito mais, mas você não deve esquecer que a situação da economia brasileira é pouco confortável. Não há dinheiro disponível para obras sociais, o que há está disponível para pagar dívidas e juros de dívidas. Além disso os recursos; também para pagar viagens de ministros conseguirem novas dívidas, digo empréstimos, para pagar velhas dívidas, servem para pagar a propaganda para convencer o povo de que as dívidas foram feitas em seu benefício (do povo, não da propaganda). Com que dinheiro, então, resolver o problema? Não há dinheiro disponível para obras sociais, o que há está disponível para pagar dívidas internas, isto é, enriquecer mais e mais os bancos credores e os corruptos do Brasil (versão 2016).

P1. Calma! O problema da criminalidade no Brasil é para ser resolvido ao longo do tempo. Pelo menos em uma geração, cerca de 25 anos. Se correr tudo bem, os primeiros resultados serão sentidos em cerca de 10 anos a partir da implantação de meu projeto. E os gastos para colocar o projeto em movimento seriam insignificantes, pois toda a infraestrutura já está â disposição. E paralelamente uma série de outros benefícios sociais adviriam. Redução da pobreza, redução dos bairros periféricos, redução do índice de natalidade, aumento da renda per capita do país, aumento do número de veículos per capita no país, aumento do número de eletrodomésticos per capita no país, aumento do número de políticos per capita no país, aumento do número de tudo per capita no país, aumento até do per capita per capita no país. Uma maravilha!

P2. Você não deve se esquecer que o controle da natalidade é mal visto no Brasil.

P1. E que nós somos o maior país católico do mundo. E que a Igreja Católica condena o controle da natalidade. Eu sei! Mas o meu projeto não se relaciona com controle de natalidade, ou melhor, nada tem a ver com isso.

P2. A única forma de aumentar o qualquer coisa per capita é reduzir o número de capitas no país. Ou então aumentar o produto …

P1. Nada de aumentar o produto nacional bruto ou delicado ou o que quer que seja. O meu projeto objetiva reduzir o número de capitas.

P2. Mas então só com controle de natalidade!

P1. Explico o projeto em detalhes. Ele poderia até ser lançado como um dos famosos projetos IMPACTO, que consagraram o milagre brasileiro do primeiro período Delfim Neto. Rádio, TV e jornal à disposição do governo para a grande campanha nacional de imobilização dos pobres e paupérrimos.   A SOLUÇÃO PARA O BURACO BRASILEIRO!

Continua

(1) https://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_governadores_de_S%C3%A3o_Paulo

Nota: Em algumas frases são referenciadas situações políticas, trajes, comportamentos e posturas típicas da época em que os diálogos foram escritos, primeira metade da década de 1980. Algumas delas tornaram-se moda, como barba mal aparada, uso de óculos Ray-Ban, governantes incompetentes. Outras, como bons modismos, desapareceram com o passar do tempo ou passaram a ser aceitos devido às mudanças de costumes.

Saúde e alegria a todos

Diálogos 9

Em Mudanças, de 27.12.15, apresentei as razões que me levaram aos Diálogos. Em Diálogos 1 – preâmbulo, de 10.1.16, iniciei a publicação dos diálogos escritos a partir de 29/3/82.

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P2. Sinto-me povo! SINTO-ME POVO! SOU POVO!

P1. Lógico que você é povo; qual outra coisa poderias ser?

Você é político? Não!                    Você é militar? Não!

Você tem parente bem situado? Não!                 Você tem parente político? Não!

Você é jogador de futebol? Não!            Você é técnico de futebol? Não!

Você é dirigente de time de futebol? Não!                     Você é juiz de futebol? Não!

Você é candidato a alguma coisa? Não!                          Você é parente de candidato? Não!

Você foi candidato a alguma coisa? Não!                        Você foi parente de candidato? Não!

Você é funcionário público não concursado? Não!

Você é parente de não concursado? Não?! INCRÍVEL!!!!

Em caso de problemas, você tem quem dê um jeitinho? Não!

Você é artista? Não!                      Você é cantor? Não!

Você é compositor? Não!                           Você é festivo? Não!

ÚLTIMA CHANCE             Você é BAIANO? NÃO!!!!!!

Então você é nada, ABSOLUTAMENTE NADA!

P2. Sou povo! Sou povo! Sou povo! Azar nosso, não é?

P1. Porque azar nosso? Temos liberdade de pensamento, temos liberdade para expressar a nossa opinião, temos liberdade de ir e vir. O que mais precisamos?

P2. E quando a coisa não funciona bem, isto é, não funciona como ele quer, o que escreve nos manda calar a boca em vermelho. E na versão digitada, em vermelho e com fonte diferenciada! (Diálogos 8)

P1. Não se preocupe, se o diálogo for publicado, a participação dele será censurada. Censores não gostam da cor vermelha. Ele não aparecerá.

P2. Não sei não, ele não é povo, sabia?

P1. É? E o que ele tem dos pré-requisitos acima para não ser povo?

P2. Muito, muito. Ele não pertence a qualquer instituição acima da lei, mas dizem que ele tem amigos influentes. Sabe, aquele pessoal que na hora do aperto ajuda a soltar o cinto?

P1. Conversa, ele é um reles professorzinho. Mas mesmo assim é melhor não ficar tendo ideias bobas em voz alta. Se ele entender que o vermelho pode complicar, ele passa a escrever os nossos diálogos em vermelho.

P2. Você percebeu que nós falamos, falamos, falamos, e ainda não comentamos a nossa situação atual?

P1. Qual situação atual?

P2. Esta situação que vivemos aqui. O Raabe, a Alemanha, o trabalho, o desânimo, o desinteresse, tudo.

P1. Melhor nem comentar. Se não falamos a respeito as coisas permanecem na penumbra; a tristeza continuará latente, mas não presente, apenas alfinetando de quando em vez, mas sem sangrar. Se começamos a falar muito a depressão poderá atingir limites insuportáveis. Deixa para mais tarde.

P2. É isso. Chega por hoje?!

 

Julho de 1982

 

P1. O tempo passou, o mundo continua o mesmo, sem grandes novidades …

 

Continua

 

Nota: Em algumas frases são referenciadas situações políticas, trajes, comportamentos e posturas típicas da época em que os diálogos foram escritos, primeira metade da década de 1980. Algumas delas tornaram-se moda, como barba mal aparada, uso de óculos Ray-Ban, governantes incompetentes. Outras, como bons modismos, desapareceram com o passar do tempo ou passaram a ser aceitos devido às mudanças de costumes.

 

Saúde e alegria a todos