O futuro a Deus pertence 4.3

Escrito em 1981

A segurança nacional voltou a ser ameaçada, não mais pelos opositores internos ou por potências estrangeiras. A maior ameaça à segurança nacional tornou-se o próprio governo.

E agora? O futuro a Deus pertence!

Escrito em 2016

E Lula, finalmente, venceu o primeiro turno. E venceu em todos os estados da União, exceto em Alagoas, no segundo turno. Venceu pela primeira vez e pela primeira vez com coligações conchavantes ou conchavos coligantes.

Os bons ventos continuavam a soprar sobre Bral-Búrdia. E o governo populista partiu para projetos faraônicos. Transposição do Rio São Francisco: projeto abandonado, reiniciado, abandonado; situação atual, sei lá. Construção de um porto em Cuba. Construção de uma estrada inútil interligando Brasil e Lima, Peru; inútil para a pretensa destinação de sua construção.

E as bolsas cresceram. Há desigualdade social, crie-se uma bolsa federal dentro do conceito “bolsa hoje, voto amanhã” “clientelismo hoje, voto amanhã”. As crianças terminam a escola obrigatória não alfabetizadas? Quotas universitárias nelas; “quota hoje, voto amanhã”. O direito ao certificado universitário inútil! O conceito, eleitor enganado, voto contado, levado ao extremo.

Nos foros internacionais Lula detonava. Afinal era um homem humilde que chegou ao posto mais alto de seu país. Internamente o comportamento de alguns governistas da coligação deixava transparecer o uso de formas escusas de obter apoio, através da compra de votos, no caso chamado de Mensalão (2005 – 2006) (3).

O primeiro reinado de Lula I, o único, chegou ao fim com a plateia aplaudindo e pedindo bis (4).

E o bis se fez. Candidatos em 2006, muitos, como sempre, afinal o pluripartidarismo atesta e solidifica a democracia e colabora com a conta corrente dos donos dos minipartidos. Para o segundo turno foram Lula, pela quinta vez candidato e Geraldo Alckmin, paulista de São Paulo, médico, vereador, secretário e prefeito de Pindamonhangaba, governador de S. Paulo, Secretário de Estado, jovem demais à época para ter tido envolvimento com a revolução de 1964, chato de se ouvir e inexpressivo, o antagonista perfeito para Lula vencer.

E Lula venceu o segundo turno.

O mundo recebeu ventos terríveis. De novo o maldito petróleo? Não, agora foram os bancos, os verdadeiros donos do mundo. E a brincadeira de multiplicar o investimento não deu certo. O banco A comprava do banco B e vendia a mesma coisa ao banco C, que vendia ao banco D etc. O mesmo produto era comercializado múltiplas vezes a preços crescentes. Os agentes enriqueciam com a participação nos lucros hipotéticos. Países tornavam-se paraísos econômicos. Um dia alguém quis o dinheiro, não apenas a transferência da dívida. E tudo desmoronou. Países faliram; empresas sérias, mas nem tanto, faliram; bancos faliram. A economia mundial entrou em crise. Lula disse: “Isto não é um tsunami, é uma marolinha para o Brasil”. E a economia bral-burdiana se recuperou com o incentivo ao consumo: compre o seu carro zero em 80 (oitenta) prestações mensais que cabem no seu bolso. E a economia bral-burdiana se recuperou com investimentos chineses: vende-se também a Bral-Búrdia em suaves prestações mensais.

E o país se mantinha estabilizado. Uma massa enorme de brasileiros saiu da pobreza. O número de brasileiros com emprego crescia. O apoio aos menos favorecidos crescia. Todos felizes, ou quase.

E Barack Obama chamou Lula de “O cara, o político mais popular da Terra”. E Lula, de dedo em riste, respondeu a Obama (não é possível ouvir o que foi dito) (5).

Em 2009, ventos duvidosos começam a soprar da Polícia Federal em direção a Brasília. E ameaçam balançar Bral-Búrdia. A Polícia Federal inicia investigações relacionadas a lavagem de dinheiro por um deputado de Londrina, Paraná. Aparentemente nada muito fora do normal.

Em 2010, eleições. Candidatos os muitos de sempre, afinal o pluripartidarismo … De um lado, pela impossibilidade de uma segunda reeleição do Criador, a sua Criatura, Dilma Rousseff, gaúcha de Minas Gerais, apresentada como pessoa capaz, de liderança inconteste, economista quase doutora (7), mãe do PAC, Programa de Aceleração do Crescimento, perseguida e torturada durante a revolução de 1964. Do outro lado, José Serra, inspirado nas três tentativas frustradas de Lula, partia para a sua segunda tentativa, abandonando mais uma vez um posto de governo em São Paulo para se candidatar à presidência.

Com o apoio de Lula e a máquina do Governo Federal ao seu lado, não havia chance para Serra; jamais haverá. E ele perdeu pela segunda vez.

E lá se foi Dona Dilma. Talvez o seu maior legado do primeiro mandato tenha sido a criação de uma palavra nova na língua portuguesa. Ela passou a exigir ser chamada de presidenta. E se perpetrou mais um massacre na língua portuguesa. As trapalhadas de Dona Dilma estão registradas na Internet, em livros e também já foram abordadas neste blog em Era uma Vez e Era uma Vez, outra vez.

O clientelismo populista personificado pela gastança desenfreada somado aos ventos econômicos ruins soprando pelo mundo, em particular na China, levavam a economia brasileira a uma situação perigosa. Mas, por ser ano eleitoral, mentiu-se, para variar.

Os ventos ruins internos de 2009 se intensificaram e, em 2013 se transformaram em furacão. Ventos terríveis que permanecem até hoje e que muitos consideram ventos bons. São os ventos da oportunidade oferecida para Bral-Búrdia tornar-se um país íntegro. Em 2013, a investigação iniciada em 2009 identificou quatro doleiros atuantes em lavagem de dinheiro e, deles, chegou-se à identificação de um esquema imenso de corrupção nos altos escalões de Brasília, tendo como fonte principal de espoliação a Petrobrás (6). A Operação recebeu o nome de Lava-jato.

Antes que eu esqueça. E o país ia seguindo em frente. Comprava-se o que não se precisava, exportava-se a matéria prima para adquiri-la industrializada, incentivava-se a industrialização importando indústrias, investia-se em conhecimento copiando modelos externos, etc. etc.

Em 2014, nova eleição. Candidatos, muitos. No segundo turno a presidenta de um lado e adivinhe quem. Quebrou-se a regra, nem Serra, nem Alckmin; Aécio Neves, mineiro de Minas Gerais, economista, parente do presidente que salvaria o país, mas não tomou posse, Tancredo Neves, deputado federal, governador de Minas Gerais e pouco convincente ou, talvez, insípido, insoso e inodoro.

E Dilma venceu com 51,6% dos votos contra 48,4% para Aécio Neves. A divisão dos votos foi clara. Sul, Sudeste exceto Minas Gerais e Rio de Janeiro somados a Acre e Roraima deram maioria a Aécio. Norte e Nordeste, Minas e Rio de Janeiro apoiaram Dilma. Aécio perdeu em seu próprio estado.

O novo governo Dilma começou mal, evoluiu para péssimo e chegou a um pedido de impedimento para a presidenta ao final de 2015. Tantas trapalhadas e jogadas ilegais teriam consequências. Se não fosse por isso, ela deveria sofrer “impeachment” pelo final inacreditável de sua entrevista após a abertura dos trabalhos da ONU em setembro de 2015, quando ela sugeriu pesquisas para se guardar o vento em movimento e, com ele, movimentar usinas eólicas quando necessário (acessar Dilma e o vento no You Tube; há muitas coisas boas lá).

A economia afundou, a inflação voltou a crescer. O número de desempregados cresceu, muitos dos que haviam saído da pobreza durante o reinado de Lula, o criador, voltaram à pobreza no reinado de Dilma, a criatura. As pessoas voltaram a falar, falar, falar e ninguém a ouvir. Em maio de 2016 a presidenta foi afastada e o vice-presidente passou a exercer interinamente a presidência.

Face à possibilidade iminente de passar a exercer interinamente a presidência, até o julgamento do impeachment da presidenta pelo Senado de Bral-Búrdia, o vice-presidente antecipou e negociou a formação de um ministério com menos ministros, porém qualificados. Dois dias após a posse de seu ministério, o interino teve de trocar dois ministros por acusações de corrupção e participação no esquema Lava-jato. Um terceiro já se foi e outros mais estão pendurados pelas mesmas razões. Quais foram os critérios do presidente interino para escolher seus ministros? O envolvimento com corrupção? Melhor acreditar que não houve critério, isto é, mais do mesmo de sempre.

O planejamento governamental, inexistente, conhecido por “Planejamento Zero”, busca tapar hoje os buracos de ontem e o povo, sempre ele, pode mais uma vez ser chamado a pagar as dívidas contraídas em seu nome, sem a sua consulta e que pouco reverteram a seu favor. A segurança institucional não parece estar ameaçada, porém o maior fator de insegurança não são mais os opositores internos ou potências estrangeiras. A maior ameaça à segurança nacional continua sendo o próprio governo.

E agora?

O futuro continua pertencendo apenas a Deus! Até quando os ba-gunços continuarão se omitindo?

 

(3) https://pt.wikipedia.org/wiki/Esc%C3%A2ndalo_do_Mensal%C3%A3o

(4) https://www.vagalume.com.br/gonzaguinha/pois-e-seu-ze.html

(5) https://www.youtube.com/watch?v=7vmuSZtiG4A

(6) http://lavajato.mpf.mp.br/atuacao-na-1a-instancia/investigacao/historico/por-onde-comecou

(7) http://www.estadao.com.br/noticias/geral,dilma-rousseff-admite-erro-em-curriculo,399151

 

Saúde e alegria a todos

Diálogos 16

Em Mudanças, de 27.12.15, apresentei as razões que me levaram aos Diálogos. Em Diálogos 1 – preâmbulo, de 10.1.16, iniciei a publicação dos diálogos escritos a partir de 29/3/82.

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 P2. Não acredito ser mais possível. Ele pegou gosto de escriba. E o fato de desaparecermos se ele parar de escrever é insignificante para nós. Quem sabe de nossa existência? Nem a mulher do que escreve sabe ainda de nós, ou melhor, leu de nós.

P1. O que escreve conhece a gente e apesar de pouco se manifestar e em vermelho, parece que compartilha com as nossas ideias.

P2. Mesmo quando divergimos, acredito que ele concorda com nós dois, ou nós duas? O que somos, afinal? Hermafroditas eu não aceito.

P1. Preconceito, é? O que escreve tem duas filhas, por que não sermos nós dois? Fica dois a dois.

P2. Não seria bom para ele. Ele ficaria com uma relação íntima com dois, o que não é bom perante o mundo.

P1. O mundo que vá para o inferno. Se for para ficar se dobrando às mesquinharias dele …

P2. Não é mais possível ser um radical radical no mundo de hoje. Seremos nós duas.

P1. Exijo um plebiscito. Não existe algo mais democrático do que um plebiscito.

P2. De novo? Agora é um caso simples de opinião e posicionamento pessoal. E mais, se podemos escolher entre masculino e feminino, não fará muita diferença ser isso ou aquilo. Eu quero ser nada, absolutamente nada!

P1. Nada de plebiscito. Também quero ser nada, absolutamente nada!

P2. Continuamos povo! Continuamos povo!

P1. Viva! Viva! Viva! Povo! Povo!

3.8.82

P2. É, ficamos um bom tempo sem falar. Parece que o que escreve não estava muito interessado em bancar o escriba.

P1. Parece que apesar da carta do irmão dele sobre a situação no Brasil e do entusiasmo inicial gerado por ela, a má vontade retornou.

P2. Mas depois das conversas com o orientador, a coisa melhorou e muito. Agora ele escreve, estuda, medita, discute consigo mesmo o que lê. Vamos ver se a coisa se mantém.

P1. Discute consigo não, discute conosco.

P2. Se você começa a minimizar a importância do que escreve, ele ainda acaba nos boicotando. É bom não esquecer de ser ele um técnico, nada além disso. Sem qualquer formação humanística, seja acadêmica ou pessoal por convivência. Um verdadeiro técnico, frio, calculista, insensível, poluidor, desinteressado dos seres humanos. Uma quase máquina que trabalha com máquinas. Um semi monstro.

P1.ÔÔÔhhh! Isso não te parece ser um pouco demais?

P2. Psiu! É só para ver a reação dele. Ou ele só se manifesta para censurar?

P1. Sei lá! Mas espero que ele tome a decisão correta e parta para resolver os seus problemas acadêmicos o mais rápido possível. Ele anda com umas ideias radicais e um título de doutor talvez o ajudasse, apesar de seu pouco valor.

P2. Também acho. Já pensou nós dois como conselheiros do que escreve? Já pensou se ele vira político ou coisa que o valha e nós seus conselheiros? Acabaremos tão famosos quanto os três que governam os Estados Unidos para o Ronald Reagan.

P1. Pensei que você não o desprezasse tanto, ou a mim, ou a você mesmo. Ele político e nós no mesmo nível dos conselheiros do Reagan é macabro.

P2. Foi só um exemplo. Infeliz, mas um exemplo.

P1. Passa.

P3. Por mim também.

 

continua

 

Nota: Em algumas frases são referenciadas situações políticas, trajes, comportamentos e posturas típicas da época em que os diálogos foram escritos, primeira metade da década de 1980. Algumas delas tornaram-se moda, como barba mal aparada, uso de óculos Ray-Ban, governantes incompetentes. Outras, como bons modismos, desapareceram com o passar do tempo ou passaram a ser aceitos devido às mudanças de costumes.

 

Saúde e alegria a todos

O futuro a Deus pertence 4.2

Escrito em 1981

A segurança nacional voltou a ser ameaçada, não mais pelos opositores internos ou por potências estrangeiras. A maior ameaça à segurança nacional tornou-se o próprio governo.

E agora? O futuro a Deus pertence!

Escrito em 2016

De qualquer forma, após dois anos o caçador de marajás ou Fernando I, o Breve, acabou apeado do poder e cassado por corrupção, denunciado por seu próprio irmão (1). No curto reinado, algumas trapalhadas econômicas, tentativas frustradas de reduzir a inflação e outros fracassos.

E o país ia seguindo em frente. Comprava-se o que não se precisava, exportava-se a matéria prima para adquiri-la industrializada, incentivava-se a industrialização importando indústrias, investia-se em conhecimento copiando modelos externos, etc. etc.

Assumiu o vice, Itamar Franco, um homem de topete. E para que não pairasse dúvidas sobre o seu futuro governo, manifestou imediatamente saudades do carrinho Volkswagen, chamado originalmente de besouro, e, no Brasil, de Fusca. Uma obra genial do Escritório Porsche, o Fusca nasceu ao início da década de 30, pouco antes da ascensão dos nazistas, 1933, ao poder (2). O primeiro veículo foi colocado no mercado em 1940, já durante a segunda guerra mundial e sua produção voltou-se para modelos de aplicação bélica. Em 1953 o Fusca passa a ser montado no Brasil; em 1959 54% das peças do veículo eram nacionais; em 1975, com o choque do petróleo, passa-se a buscar veículos com consumo reduzido; em 1985 a VW encerra a produção do Fusca, por obsolescência do projeto. Em 1993, por sugestão do Presidente da República, Itamar Franco, a VW volta a produzir o Fusca. Dizem que ele pretendia expor a todo o Brasil o seu compromisso com a modernidade. E a inflação campeava alegre, livre, leve e solta. Como seu Ministro das Relações Exteriores, Fernando Henrique Cardoso.

Bons ventos circularam por Bral-Búrdia. FINALMENTE! Quem é o culpado pelos bons ventos? Só pode ser Deus, afinal Deus é brasileiro!

Em um lance político magistral, Itamar, o do topete, passa o sociólogo Fernando Henrique Cardoso do Ministério das Relações Exteriores para o da Fazenda. Choque em Bral-Búrdia! O presidente mandou o Ministro Fernando Henrique Cardoso plantar batatas? E Fernando Henrique, assessorado por economistas loquazes, opera o milagre. E, como por passe de mágica, a inflação acabou em Bral-Búrdia! Obra divina! É a prova cabal de que Deus é brasileiro!

Apoiada no conceito vigente desde a época dos visitantes permanentes, ora batizado de “Planejamento Zero”, a economia crescia. A indústria de Bral-Búrdia passa a receber novos investimentos, representados por novas montadoras de veículos. A agricultura se espalhara pelo Brasil. Do Sul-Sudeste ela invadira o Centro-Oeste e o Nordeste. A pecuária acompanhou a agricultura. A flatulência bovina em Bral-Búrdia atinge cifras que comprometem o equilíbrio do meio ambiente mundial. Bral-Búrdia mudou mesmo de patamar, acreditavam todos.

Novas eleições presidenciais. Candidatos, muitos, afinal o pluripartidarismo atesta e solidifica a democracia. Consta que o pluripartidarismo também colabora com a conta corrente dos donos dos mini partidos. Dentre os muitos candidatos um líder nato, homem de origem humilde, nordestino, trabalhador metalúrgico, mutilado no trabalho, presidente de sindicato, opositor do regime militar, fundador de partido político de ideologia clara e definida, batalhador pelas causas dos pobres e mais; Luiz Inácio Lula da Silva, o Lula. Do outro lado Fernando Henrique Cardoso, paulista nascido no Rio de Janeiro em 1931 e morador em São Paulo desde 1940, descendente de militares políticos, culto, sociólogo, professor universitário, opositor da revolução de 1964, o antagonista perfeito para Lula.

E Lula continuou a sua peregrinação rumo à desmoralização explícita; perdeu pela segunda vez.

E o país ia seguindo em frente. Comprava-se o que não se precisava, exportava-se a matéria prima para adquiri-la industrializada, incentivava-se a industrialização importando indústrias, investia-se em conhecimento copiando modelos externos, etc. etc.

Com uma inflação ridícula, ainda mais se comparada com os cerca de 80% ao mês de outrora, e uma ambição clara, Fernando II, o Sábio, circulava pelo mundo exibindo a sua cultura. Poderia ter sido um governo diferenciado se o poder não houvesse subido à sua cabeça e à de seu partido. E, em conjunto, passaram a batalhar pela possibilidade de reeleição. A oposição, que sempre se enxerga como futura situação, reclamou. Havia o perigo representado pela necessidade de se alterar a constituição. Mas o multipartidarismo consciente, consciente de seus interesses, falou mais alto. Aprovada (comprada?) a reeleição, mas apenas uma!

1998, novas eleições presidenciais. Candidatos, muitos, afinal o pluripartidarismo atesta e solidifica a democracia. Consta que o pluripartidarismo também colabora com a conta corrente dos donos dos mini partidos. Dentre os muitos candidatos um líder nato, homem de origem humilde, nordestino, trabalhador metalúrgico, mutilado no trabalho, presidente de sindicato, opositor do regime militar, fundador de partido político de ideologia clara e definida, batalhador pelas causas dos pobres e mais; Luiz Inácio Lula da Silva. Do outro lado Fernando Henrique Cardoso, paulista nascido no Rio de Janeiro em 1931 e morador em São Paulo desde 1940, descendente de militares políticos, culto, sociólogo, professor universitário, opositor da revolução de 1964, comprador da reeleição, o antagonista perfeito para Lula.

E Lula continuou a sua peregrinação rumo à desmoralização explícita; perdeu pela terceira vez. Diz-se que, ao perder pela terceira vez, Lula descobriu que um só partido não faz presidente, gritou que ”um é pouco, dois é bom, três é demais e quatro inaceitável” e abriu-se a conchavos. Havia atingido o limiar da desmoralização.

Os bons ventos continuavam soprando sobre Bral-Búrdia. Chegamos mesmo em um outro patamar. Podemos deixar a condição de coadjuvantes e aceitar o protagonismo político-econômico mundial. O protagonismo latino já havia se manifestado com a criação do Mercosul em 1991. O problema no Mercosul foi e é a existência de dois protagonistas adeptos do “Planejamento Zero” brigando para ser o primeiro nome a aparecer nos créditos. Além disso, o parceiro opositor de Bral-Búrdia, Bagunçón, vive o eterno dilema de tentar explicar ao mundo ser o único país europeu ao sul do equador, bem ao sul.

O segundo governo de Fernando II, o Sábio, foi seguindo sem maiores problemas aparentes, a menos da mácula e das sequelas das negociatas feitas para viabilizar a aprovação do segundo mandato.

Nas eleições presidenciais de 2002, para variar, muitos candidatos. Afinal, o pluripartidarismo atesta e solidifica a democracia e colabora com a conta corrente dos donos dos mini partidos. Pela quarta vez consecutiva, dentre os muitos candidatos um líder nato, homem de origem humilde, nordestino, trabalhador metalúrgico, mutilado no trabalho, presidente de sindicato, opositor do regime militar, fundador de partido político de ideologia clara e definida, batalhador pelas causas dos pobres, aberto a conchavos até com Paulo Salim Maluf e mais; Luiz Inácio Lula da Silva. Do outro lado José Serra, paulista, economista, ministro, secretário, perseguido pela revolução de 1964, exilado e inexpressivo, o antagonista perfeito para Lula vencer.

E Lula, finalmente, venceu o primeiro turno. E venceu em todos os estados da União, exceto em Alagoas, no segundo turno. Venceu pela primeira vez e pela primeira vez com coligações conchavantes ou conchavos coligantes.

continua

(1) http://acervo.oglobo.globo.com/fatos-historicos/presidente-collor-sofreu-impeachment-em-1992-foi-cassado-pelo-senado-9239073

(2) https://pt.wikipedia.org/wiki/Volkswagen_Fusca

Saúde e alegria a todos

Diálogos 15

Em Mudanças, de 27.12.15, apresentei as razões que me levaram aos Diálogos. Em Diálogos 1 – preâmbulo, de 10.1.16, iniciei a publicação dos diálogos escritos a partir de 29/3/82.

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 Adendo

Nem sempre o que se escreve retrata a nossa crença. Às vezes retrata uma reação a um estado de coisas tornado inaceitável e que ao ser apresentado na forma de aberração objetiva demonstrar o desconforto de quem escreve. O que aqui se inicia retrata a minha crença de 1982, que se mantém em 2016 e se manterá para sempre. O que escrevi sobre o Esquadrão Herodes, a ser estruturado nos Diálogos 12 e 13, expresso pelo debatedor P1, corresponde exatamente às duas primeiras frases acima. O Esquadrão Herodes foi escrito em 1981 e é uma reação ao que se fazia à época e se mantém até hoje e que levou ao estado de insegurança plena em que agora vivemos, isto é, poderia muito bem ter sido escrito hoje. O Esquadrão é uma proposta de solução simples e absurda, típica dos desejos do poder constituído, melhor chamado de poder incompetente, a qual eu jamais apoiaria. Este poder incompetente não atua para resolver problemas, quaisquer que sejam eles, desde sempre. O problema de segurança, porém, deve ser computado quase integralmente aos omissos que governam o estado de São Paulo e os demais estados e o próprio Brasil desde a década de 1950. Os governadores de São Paulo estão nomeados em Diálogos 11.

Final

P1. É fácil. Inicia-se com uma série de filmes, propaganda barata, mostrando ações e consequências de ações de marginais. …

E os comandos passaram para a página 8, terceira coluna, inferior.

Nova onda de demonstrações, debates, entrevistas. A mãe do astro vai aos meios de comunicação.

E os comandos desapareceram do noticiário. O astro, com olheiras profundas, sem dormir a vários dias, parte em descanso para o exterior. Cerca de vinte dias se passaram. Coincidindo com a partida do astro, uma novela atinge seus capítulos finais, uma outra se inicia (com tantas novelas na TV, sempre haverá uma se encerrando e outra se iniciando).

P2. E os comandos?

P1. Ninguém mais se lembra deles, suas ações já foram incorporadas ao dia-a-dia da população. Após cerca de um mês de atuação dos comandos, alguns saneadores já se tornaram Cavaleiros da Ordem do Bercinho e o primeiro salário, engordado pelos prêmios de produtividade, supera os dez salários mínimos regionais. A procura por caixas de papelão usadas nos supermercados próximos aos campos naturais de ação dos comandos cresceu de forma anormal.

P2. E o que aconteceu com o astro, afinal?

P1. Viu como funciona? Aconteceu nada! Uma semana após a partida ele retorna recuperado, é recebido calorosamente por todos, reassume o seu lugar no Olimpo e continua a sua vida divina.

P2. E todo o movimento feito a respeito de sua vida íntima?

P1. Ele voltou uma semana depois de partir. Em um mundo agitado como o que vivemos uma semana é uma eternidade. O máximo que pode acontecer é a sua vida íntima ter ido parar na oitava página, terceira coluna, inferior. Seu retorno, porém, estará na primeira página com foto colorida. Com isso ocupa-se dois espaços diferentes com o mesmo tema importante.

P3. Pessimismo agressivo! Será mesmo assim? Tanta acidez é corrosiva e deprimente. Uma finalização perfeita para uma proposta indecente de projeto.

P1. Não precisamos responder ao comentário do que escreve.

P2. Sem dúvida, está escrito em vermelho. Não tem futuro!

Mas eu pergunto a ele, quem é você, o que escreve? Eu, chamado por você de P2? É ele, chamado por você de P1? E eu respondo ao que escreve. Não! Quem escreve é você, isto é, a responsabilidade pelo que está escrito é sua. Você detém o poder e arca com a responsabilidade. Nós somos nada! Você já nos ameaçou censurar, agora nos chama de pessimistas, mas quem escreve é você. Sem você somos nada, nada.

P1. Calma lá! Assim também não, A coisa ficou confusa. Nós pensamos, ele escreve. A responsabilidade termina no trabalho mecânico de transpor as nossas ideias para o papel. O trabalho intelectual é nosso. Os responsáveis pelas ideias somos nós.

P2. Não refresca grande coisa se estamos presos a ele. Admita que isso seja publicado um dia.

P1. E daí?

P2. Se ele quiser, escreve na capa o seu nome, não o nosso. E aí a responsabilidade e o mérito passam a ser dele. Mesmo que escreva o nosso nome na capa, se o livro for um sucesso sempre poderá dizer que os nomes na capa são pseudônimos.

P1. Mas isto seria um comportamento imoral para conosco! Seria tirar proveito de nós! Seria usar-nos! Seria se apropriar de nosso trabalho sem nos recompensar por ele!

P2. Continuarei povo! Continuarei povo!

P1. Ah??? Ah!!! Eu também! Eu também! Um momento. Já não éramos povo?

P2. Éramos e continuamos, pois continuamos a ser explorados!

P1. Mas mesmo assim a responsabilidade do que é escrito não é do que escreve, ou melhor, a nossa relação com o que escreve é bem mais complexa.

P2. A nossa relação é íntima. Dependemos uns dos outros.

P1. Nem tanto, ele pode deixar de escrever e nós desaparecemos. Ninguém mais ouvirá de nós, ou melhor, ninguém mais lerá de nós.

P2. Não acredito ser mais possível. Ele pegou gosto de escriba. E o fato de desaparecermos se ele parar de escrever é insignificante para nós. Quem sabe de nossa existência? Nem a mulher do que escreve sabe ainda de nós, ou melhor, leu de nós.

 

Continua

 

Nota: Em algumas frases são referenciadas situações políticas, trajes, comportamentos e posturas típicas da época em que os diálogos foram escritos, primeira metade da década de 1980. Algumas delas tornaram-se moda, como barba mal aparada, uso de óculos Ray-Ban, governantes incompetentes. Outras, como bons modismos, desapareceram com o passar do tempo ou passaram a ser aceitos devido às mudanças de costumes.

 

Saúde e alegria a todos

O futuro a Deus pertence 4.1

Escrito em 1981

A segurança nacional voltou a ser ameaçada, não mais pelos opositores internos ou por potências estrangeiras. A maior ameaça à segurança nacional tornou-se o próprio governo.

E agora? O futuro a Deus pertence!

Escrito em 2016

A ameaça governamental ao país passou a ser combatida internamente. Os cassados de 1968 estavam com seus direitos restituídos, muitos dos opositores que haviam deixado o país já haviam retornado. A economia ia mal, muito mal, ao início da década de 80. A situação política estava insustentável. A democracia plena de quase ditadura, dubiedade inexplicável comum em Bal-Gunça, associada ao pragmatismo dos ba-gunços do século XVI e dos balbúrdios atuais, tornou-se convenientemente intolerável. Os ventos terríveis de meados dos anos 70 continuavam a soprar.

Pausa: Esses ventos terríveis, econômicos ou não, não param de encher o saco desta bendita terra. E nenhum pai da pátria ainda se preocupou com eles!? Ou eles são convenientes?

O então dono do poder começou o que foi chamado de retorno lento e gradual à democracia. Retorno lento e gradual o suficiente para fazer o seu sucessor. Este, aparentemente feliz por poder cuidar de seus cavalos, dos quais dizia gostar mais que do povo, indicava tendências a devolver a Bral-Gunça a todos os balbúrdios ao final de seu mandato. Ao final de 1979 o bipartidarismo foi abolido e voltou-se ao regime multipartidário. O multipartidarismo permitiu a criação de partidos suficientes para acomodar as várias tendências políticas, que em Bral-Gunça beiram o infinito e variam de acordo com interesses específicos e de momento. Com isso, a quantidade de interesses em jogo e a quantidade de interessados em tantos e diversos interesses impedia qualquer entendimento; o que permanece até os nossos dias.

Paralelamente, a industrialização crescia, a produção agrícola acelerava. E Bral-Búrdia firmou-se em um novo patamar, acreditavam muitos. Fabricamos veículos! Construímos uma nova capital no centro do país! Gritavam todos. A indústria automobilística bral-burdiana começa a ganhar vulto. O júbilo patriótico crescia. Exportamos veículos, bradavam alguns. Para o Iraque, retrucavam outros. Consta que parte dos Passat exportados para o Iraque não foram pagos. Consta ainda que o calote aplicado pelo governo de Sadam Hussein ao Brasil não foi uma das causas das duas guerras do Golfo.

Na política a grande dúvida era pequena: como fazer a devolução da Bral-búrdia aos bagunços? Os opositores, agora mais livres, passaram a exigir eleições diretas. Por que? Porque apesar de o golpe de 1964 ter sido feito também em nome do povo, este passou todo o tempo sem poder escolher os seus governantes. E criou-se o movimento “DIRETAS JÁ”. A genialidade de presidente e vice poderem ser de partidos antagônicos havia sido abolida. Durante o regime militar, Tancredo Neves (1) havia pertencido ao partido da oposição, MDB, e José Sarney (2) ao da situação, ARENA. E, em eleição indireta foram eleitos Tancredo Neves, opositor do regime militar, para presidente e José Sarney, apoiador do regime militar, para seu vice, ambos já em novos partidos, de oposição.

Em uma manobra do destino, Tancredo Neves morre antes de tomar posse.

Pausa: Homem de sorte! Tivesse governado, teria sido mais uma decepção dentre todos os demais. Tornou-se, porém, a solução da qual Deus não nos permitiu usufruir.

O que fazer? Aceitar um situacionista de oposição ou um opositor da situação como presidente por quatro anos? Se o presidente e o vice não tomaram posse, o vice é o seu sucessor?

Sucessor de um presidente que não tomou posse? Oh maravilha para os bagunços! Voltamos aos bons e velhos tempos! Loquazes por natureza, os balbúrdios deliciavam-se com o poder do rádio e o poder da TV. Quantas informações para se cacarejar a respeito! Todos falavam de tudo e de todos, principalmente os políticos.

E Sarney tomou posse como presidente eleito, ou vice-presidente eleito. E seu governo foi inacreditavelmente esquecível, a menos da inflação galopante. Quatro anos depois, 1989, o povo foi chamado a escolher o seu sucessor. Candidatos, muitos.

Dentre os muitos candidatos um líder nato, homem de origem humilde, nordestino, trabalhador metalúrgico, mutilado no trabalho, presidente de sindicato, opositor do regime militar, fundador de partido político de ideologia clara e definida, batalhador pelas causas dos pobres e mais; Luiz Inácio Lula da Silva, o Lula, que em 1982 havia incorporado o apelido ao seu nome. Do outro lado Fernando Collor de Mello, alagoano nascido no Rio de Janeiro, filho de político federal, representante legítimo do sistema feudal vigente no nordeste brasileiro. Jovem, boa aparência, ousado, motociclista, rico, esposa jovem e atraente, o antagonista perfeito para Lula.

E Lula iniciou aí a sua peregrinação rumo à desmoralização explícita; perdeu.

Fernando Collor de Mello, duas vezes consoante dupla no seu nome! Uau! Teria sido ele a inspiração para a sanha dos pais brasileiros em duplicar consoantes nos nomes dos seus filhos? Nada consta a respeito. E ele chegou arrebentando. O caçador de marajás. O macho de motocicleta. O dono do cofre. O “que tinha aquilo roxo”! Dizem alguns que “aquilo roxo” jamais foi apresentado para confirmação de tonalidade. Dizem outros que aquilo roxo foi consequência de uma queda sobre uma cerca de fazenda. De qualquer forma, após dois anos o caçador ou Fernando I, o Breve, acabou apeado do poder e cassado por corrupção, denunciado por seu próprio irmão (1). No curto reinado, algumas trapalhadas econômicas, tentativas frustradas de reduzir a inflação e outros fracassos.

E o país ia seguindo em frente. Comprava-se o que não se precisava, exportava-se a matéria prima para adquiri-la industrializada, incentivava-se a industrialização importando indústrias, investia-se em conhecimento copiando modelos externos, etc. etc.

Pausa: Alguém pode estranhar a grafia variável do nome da terra sobre a qual se escreve. Afinal escreve-se Bal-gunça ou Bral-Gunça, bagunços ou ba-gunços ou Bal-búrdia ou …? Irrelevante se com esse ou com ze, se com jota ou com gê. Em Bral-Gunça, o que vale é o som. Como se escreve é secundário. Se no futuro alguém irá entender os escritos, sabe-se lá o que é futuro. O futuro a Deus pertence, não?

continua

(1) http://acervo.oglobo.globo.com/fatos-historicos/presidente-collor-sofreu-impeachment-em-1992-foi-cassado-pelo-senado-9239073

Saúde e alegria a todos

Diálogos 14

Em Mudanças, de 27.12.15, apresentei as razões que me levaram aos Diálogos. Em Diálogos 1 – preâmbulo, de 10.1.16, iniciei a publicação dos diálogos escritos a partir de 29/3/82.

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Adendo

Nem sempre o que se escreve retrata a nossa crença. Às vezes retrata uma reação a um estado de coisas tornado inaceitável e que ao ser apresentado na forma de aberração objetiva demonstrar o desconforto de quem escreve. O que aqui se inicia retrata a minha crença de 1982, que se mantém em 2016 e se manterá para sempre. O que escrevi sobre o Esquadrão Herodes, a ser estruturado nos Diálogos 12 e 13, expresso pelo debatedor P1, corresponde exatamente às duas primeiras frases acima. O Esquadrão Herodes foi escrito em 1981 e é uma reação ao que se fazia à época e se mantém até hoje e que levou ao estado de insegurança plena em que agora vivemos, isto é, poderia muito bem ter sido escrito hoje. O Esquadrão é uma proposta de solução simples e absurda, típica dos desejos do poder constituído, melhor chamado de poder incompetente, a qual eu jamais apoiaria. Este poder incompetente não atua para resolver problemas, quaisquer que sejam eles, desde sempre. O problema de segurança, porém, deve ser computado quase integralmente aos omissos que governam o estado de São Paulo e os demais estados e o próprio Brasil desde a década de 1950. Os governadores de São Paulo estão nomeados em Diálogos 11.

Final

 Art. 12 – Revogadas todas as disposições em contrário.

P1. Qual a sua opinião a respeito do projeto?

P2. Prático, objetivo, lógico. A princípio parece um pouco estranho o Esquadrão Herodes ficar sob controle dos Departamentos de Limpeza Pública, mas os objetivos esclarecem a possível dúvida. Porque é proibido o uso de sirenes? Para não assustar as criancinhas?!

P1. Não só! Considere a possibilidade de o Esquadrão precisar agir em uma maternidade.

P3. Abjeto, porém, adequado para os governantes incompetentes, todos. Corre-se o risco de ter tal projeto proposto em alguma Assembleia Legislativa ou na própria Câmara Federal.

P2. (sussurrando) Você ouviu o que escreve?

P1. (sussurrando também) Esqueça, faça de conta que nada aconteceu.

P1. Não só! Considere a possibilidade de o Esquadrão precisar agir em uma maternidade. É uma hipótese remota, pois as famílias a serem higienizadas dificilmente têm acesso a maternidades. Mas, mesmo assim, considere a hipótese remotíssima de um Comando Pilatus ter de agir no Hospital Einstein, no Morumbi, ao lado do Palácio dos Bandeirantes; ou então na Maternidade São Paulo, na Bela Vista ao lado da avenida Paulista, ou na Pro-Mater, na mesma região ou … . O uso de sirenes poderia perturbar uma importantíssima reunião de conchavos no Palácio; o sono da comunidade bem acima de um salário mínimo per capita; o que seria abominável e desumano. Por outro lado, o uso de sirenes quando das incursões dos Comandos Pilatus em seu campo natural de ações, favela, periferia, bairros decadentes, poderia oferecer aos saneados sem senso de dever cívico a oportunidade de tentar obstruir o cumprimento de tão nobre tarefa.

P2. Mas como será possível saber do nascimento de crianças em condições de saneamento? Como muitas nascem em casa, os pais podem deixar de registrá-las e esconde-las até passar o mês previsto no projeto.

P1. Não irá funcionar. Criança não registrada é criança não nascida, não existe. A partir do registro ela nasce e começa a contar o tempo de vida.

P2. E se a criança for registrada com 1, 2, 10 ou 20 anos de vida?

P1. Após o registro a criança começa a viver para a sociedade e para a justiça. Se na época de seu nascimento social a renda familiar per capita estiver acima da mínima prevista, a criança adulta estará salva. Caso contrário a família gastará mais para o enterro.

P2. E se os pais se revoltarem e, com vizinhos e amigos resolverem resistir?

P1. Leia a proposta de projeto. Art. 6 Dos direitos do Esquadrão Herodes; art. 4 Do equipamento do Esquadrão Herodes; art. 8. Dos objetivos específicos do Esquadrão Herodes. Tudo planejado, tudo planejado.

P2. Mesmo assim, você acredita que a sociedade aceite este massacre infame?

P1. É fácil. Inicia-se o processo de implantação do projeto com uma série de filmes, propaganda barata, mostrando ações e consequências de ações de marginais. A seguir uma segunda série de filmes, do mesmo nível, pedindo a colaboração de todos no combate à criminalidade, entremeado por entrevistas com marginais em ações, com closes no prazer estampado em seus rostos. Só então entrarão em ação os comandos. Dois dias após o início dos trabalhos dos comandos, divulga-se secretamente boatos sobre a vida íntima de algum cantor, ator da Globo, ou coisa que o valha. Tal ação deve permanecer por cerca de vinte dias. Ao longo destes vinte dias a ação dos comandos, ao início presente nas manchetes de primeira página ou abertura de noticiários, após dois dias cairão para o rodapé da primeira página ou comentários rápidos nos noticiários. Enquanto isso a onda de fofocas, suposições, desmentidos, sobre o astro cresce. Fotos coloridas do astro passarão a ocupar as manchetes em substituição aos monótonos uniformes brancos com eventuais respingos vermelhos dos saneadores. Entrevistas na TV, defesas apaixonadas, ataques monstruosos; o astro é o foco das atenções gerais. Demonstrações de desagravo dos fã-clubes, demonstrações feministas, minoritárias do MSTerra, do MSTeto, dos vegetarianos, dos carnívoros, da Associação Mundial dos Protetores das Saúvas (AMPS). Tudo incitado pelo calvário a que o astro está sendo submetido.

E os comandos passaram para a página 8, terceira coluna, inferior.

Continua

Nota: Em algumas frases são referenciadas situações políticas, trajes, comportamentos e posturas típicas da época em que os diálogos foram escritos, primeira metade da década de 1980. Algumas delas tornaram-se moda, como barba mal aparada, uso de óculos Ray-Ban, governantes incompetentes. Outras, como bons modismos, desapareceram com o passar do tempo ou passaram a ser aceitos devido às mudanças de costumes.

Saúde e alegria a todos

Diálogos 11

Em Mudanças, de 27.12.15, apresentei as razões que me levaram aos Diálogos. Em Diálogos 1 – preâmbulo, de 10.1.16, iniciei a publicação dos diálogos escritos a partir de 29/3/82.

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 Adendo

Nem sempre o que se escreve retrata a nossa crença.  Às vezes retrata uma reação a um estado de coisas tornado inaceitável e que ao ser apresentado na forma de aberração objetiva demonstrar o desconforto de quem escreve. O que aqui se inicia retrata a minha crença de 1982, que se mantém em 2016 e se manterá para sempre. O que escrevi sobre o Esquadrão Herodes, a ser estruturado nos Diálogos 12 e 13, expresso pelo debatedor P1, corresponde exatamente ao descrito nas duas primeiras frases. O Esquadrão Herodes foi escrito em 1981 e é uma reação ao que se fazia à época e se mantém até hoje e que levou ao estado de insegurança plena em que agora vivemos, isto é, poderia muito bem ter sido escrito hoje. O Esquadrão é uma proposta de solução simples e absurda, típica dos desejos do poder constituído, melhor chamado de poder incompetente, a qual eu jamais apoiaria. Este poder incompetente não atua para resolver problemas, quaisquer que sejam eles, desde sempre. O problema de segurança, porém, deve ser computado quase integralmente aos omissos que governam o estado de São Paulo e os demais estados  e o próprio Brasil desde a década de 1950. Os governadores de São Paulo estão indicados a seguir. Jânio da Silva Quadros (1955-1959), Carlos Alberto de Carvalho Pinto (1959-1963), Ademar Pereira de Barros (1963-1966), Laudo Natel (1966-1967), Roberto de Abreu Sodré (1967-1971), Laudo Natel (1971-1975), Paulo Egydio Martins (1975-1979), Paulo Salim Maluf (1979-1982), José Maria Marin (1982-1983), André Franco Montoro (1983-1987), Orestes Quércia (1987-1991), Luis Antônio Fleury Filho (1991-1995), Mário Covas (1995-1999) (1999-2001), Geraldo Alckmin (2003-2006), Cláudio Lembo (2006-2007), José Serra (2007-2010), Alberto Goldman (2010-2011), Geraldo Alckmin (2011-2015) (2015 – em exercício) (1). O governador de São Paulo pleiteia candidatar-se à presidência do Brasil, o ex-governador Serra, hoje ministro das relações exteriores, também pleiteia a candidatura à presidência. O ex-governador de Minas Gerais, Aécio Neves, idem. O ex-presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva pretendia. Estamos bem, Brasil.

Final

 

P2. Também um crime os seus versinhos. Mudando de assunto, o que você pensa sobre a criminalidade no Brasil?

 

P1. Incapacidade do governo, apenas. Recursos para acabar com o a criminalidade existem, tanto materiais quanto logísticos. Falta apenas um pouco de criatividade, só isso.

P2. Concordo em parte. Não há dúvida que falta criatividade ao governo, e muito mais, mas você não deve esquecer que a situação da economia brasileira é pouco confortável. Não há dinheiro disponível para obras sociais, o que há está disponível para pagar dívidas e juros de dívidas. Além disso os recursos; também para pagar viagens de ministros conseguirem novas dívidas, digo empréstimos, para pagar velhas dívidas, servem para pagar a propaganda para convencer o povo de que as dívidas foram feitas em seu benefício (do povo, não da propaganda). Com que dinheiro, então, resolver o problema? Não há dinheiro disponível para obras sociais, o que há está disponível para pagar dívidas internas, isto é, enriquecer mais e mais os bancos credores e os corruptos do Brasil (versão 2016).

P1. Calma! O problema da criminalidade no Brasil é para ser resolvido ao longo do tempo. Pelo menos em uma geração, cerca de 25 anos. Se correr tudo bem, os primeiros resultados serão sentidos em cerca de 10 anos a partir da implantação de meu projeto. E os gastos para colocar o projeto em movimento seriam insignificantes, pois toda a infraestrutura já está â disposição. E paralelamente uma série de outros benefícios sociais adviriam. Redução da pobreza, redução dos bairros periféricos, redução do índice de natalidade, aumento da renda per capita do país, aumento do número de veículos per capita no país, aumento do número de eletrodomésticos per capita no país, aumento do número de políticos per capita no país, aumento do número de tudo per capita no país, aumento até do per capita per capita no país. Uma maravilha!

P2. Você não deve se esquecer que o controle da natalidade é mal visto no Brasil.

P1. E que nós somos o maior país católico do mundo. E que a Igreja Católica condena o controle da natalidade. Eu sei! Mas o meu projeto não se relaciona com controle de natalidade, ou melhor, nada tem a ver com isso.

P2. A única forma de aumentar o qualquer coisa per capita é reduzir o número de capitas no país. Ou então aumentar o produto …

P1. Nada de aumentar o produto nacional bruto ou delicado ou o que quer que seja. O meu projeto objetiva reduzir o número de capitas.

P2. Mas então só com controle de natalidade!

P1. Explico o projeto em detalhes. Ele poderia até ser lançado como um dos famosos projetos IMPACTO, que consagraram o milagre brasileiro do primeiro período Delfim Neto. Rádio, TV e jornal à disposição do governo para a grande campanha nacional de imobilização dos pobres e paupérrimos.   A SOLUÇÃO PARA O BURACO BRASILEIRO!

Continua

(1) https://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_governadores_de_S%C3%A3o_Paulo

Nota: Em algumas frases são referenciadas situações políticas, trajes, comportamentos e posturas típicas da época em que os diálogos foram escritos, primeira metade da década de 1980. Algumas delas tornaram-se moda, como barba mal aparada, uso de óculos Ray-Ban, governantes incompetentes. Outras, como bons modismos, desapareceram com o passar do tempo ou passaram a ser aceitos devido às mudanças de costumes.

Saúde e alegria a todos

O que é bom para … 1

O que é bom para um cidadão é bom para a coletividade ou o que é bom para a coletividade é bom para cada um de seus componentes?

A resposta a esta frase é, a meu ver, fundamental para qualquer coletividade, seja esta coletividade um país, um estado, cidades, grandes ou pequenas empresas, famílias. A partir da resposta, simples, porque as duas respostas possíveis são auto excludentes, pode-se identificar a situação das referidas coletividades.

Estou convicto que o bem coletivo se sobrepõe ao bem individual. Em uma coletividade onde cada um se vê e comporta como uma entidade, sem se preocupar com o próximo ou com a unidade com a qual está ligado, os problemas de relacionamento e de progresso são maiores. Exemplos há em grande número.

Em uma pequena coletividade composta por pessoas com elos maiores do que apenas interesses pessoais, uma família estruturada por exemplo, torna-se fácil gerenciar a prática do bem individual. Pequenas correções de rumo permitem satisfazer a todos, desde que todos estejam interessados em abrir mão de algumas coisas em favor da satisfação dos demais, satisfação não plena devido aos acordos necessários, mas uma satisfação possível e de agrado de todos.

Em grandes coletividades, como países, estados, cidades, grandes ou pequenas empresas, torna-se impossível gerenciar a prática do bem individual. As correções de rumo, simples e de fácil negociação em coletividades pequenas, tornam-se impossíveis nas maiores. Os componentes das grandes coletividades não se conhecem, em sua maioria; não há ou há tênues afinidades pessoais. Não é possível consultar a todos e passa-se a aplicar estatística. A satisfação de todos é substituída pela satisfação da maioria. Para uma coletividade de dez, dez por cento de insatisfeitos é igual a um. Negocia-se com esse um. Para uma coletividade de dez mil, dez por cento de insatisfeitos é igual a mil. Não é possível negociar com mil. Em uma coletividade de cerca de 200 milhões de cidadãos, representada por cerca de 100 milhões de adultos, dez por cento de insatisfeitos correspondem a 10 milhões de pessoas. Como se negocia com 10 milhões?

A impossibilidade de negociação pessoal leva à aplicação de um segundo recurso, possível de há algum tempo em virtude da sociedade de comunicação em que vivemos. Aplica-se propaganda maciça na tentativa de convencer a audiência do real esforço da estrutura no poder dos países, estados, cidades, grandes ou pequenas empresas para buscar a felicidade de cada um. Mas aqui tem-se novamente a intervenção da estatística. A propaganda diversificada pelos vários veículos disponíveis atinge a praticamente todos, porém não convence a todos. Alguns a rejeitam pela forma, outros pelo conteúdo, outros pelo conjunto forma e conteúdo, outros simplesmente por acreditarem na impossibilidade da satisfação de todos. Ao final, gasta-se muito com propaganda, sem resultados proporcionais aos gastos.

Estou convicto que o bem coletivo se sobrepõe ao bem individual.

Em estruturas onde os componentes não são seres considerados racionais, estruturas físicas residenciais ou industriais por exemplo, compostas por vigas, pilares, fixações e outros elementos estruturais, o melhor para a estrutura será sempre o melhor para os seus componentes. Afinal esta estrutura nada mais é do que uma série de componentes interligados trabalhando para o conjunto se manter estável.

Porém, para que seja possível ter um grande número de pessoas convictas de que o melhor para a estrutura é o melhor para os seus componentes necessita-se de muito mais. Necessita-se de lideranças. Lideranças não apenas carismáticas, ou pretensamente carismáticas, ou auto convencidas de seu carisma. As lideranças, não uma única liderança, devem ser, além de efetivamente carismáticas, convincentes. Mais convincentes pela honestidade de propostas e de comportamento do que carismáticas. Convincentes não apenas pela palavra, ou menos pela palavra e muito mais pelo exemplo. Com isso tem-se a possibilidade de convencer as pessoas, pela palavra e principalmente pelo exemplo, de que o melhor para a estrutura é o melhor para cada um de seus componentes. Caso contrário é perder tempo.

Em uma estrutura composta por homens – desculpem-me os feministas ou politicamente corretos, mas homens se refere a seres humanos e eu me recuso a escrever homens e mulheres – leis regulam as suas relações. As leis devem ser simples, claras e objetivas e devem ter para todos o mesmo peso e importância. O seu desrespeito deve levar os desrespeitosos aos tribunais e, após julgamento, libertá-los ou puni-los. Se encarcerados, as instituições correcionais devem oferecer a efetiva possibilidade de correção de comportamento.

Em uma estrutura humana, a capacidade de compreensão de problemas complexos por parte de seus componentes deve ser implementada ano a ano. Tal capacidade somente pode ser obtida com políticas educacionais que objetivem o fortalecimento da estrutura e jamais apenas a satisfação dos componentes.

O detalhamento de como deve ser uma sociedade justa e eficiente, voltada para o bem-estar de todos através da busca do melhor para toda a sociedade transcende o objetivo deste blog e a competência do seu redator. Porém, apenas a busca do melhor e mais eficiente pode levar ao progresso efetivo.

Se o bem individual se sobrepuser ao coletivo, a vida pode se tornar muito desagradável.

Saúde e alegria a todos

Diálogos 3

Em Mudanças, de 27.12.15, apresentei as razões que me levaram aos Diálogos. Em Diálogos 1 – preâmbulo, de 10.1.16, iniciei a publicação dos diálogos escritos a partir de 29/3/82. Recomenda-se ler os diálogos a partir do primeiro.

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Mudança de personagens: Como o software da WordPress numera sequencialmente as frases, fui levado a alterar os personagens de 1, 2, 3 para P1, P2, P3 …

Resumo: Os temas, escritos ao sabor das ondas, serão desordenados e sem títulos.

P1. Espere aí, sabor de quais ondas se estamos pelo menos 300 quilômetros da praia mais próxima?

P2. Ora. Isto é apenas uma figura de linguagem.

P1. Mesmo? E o que é isso?

P2. Figura de linguagem? É simples de explicar e para evitar confusões darei um exemplo concreto. Figura de linguagem é o uso de uma palavra ou expressão que, mesmo não se coadunando ao assunto, explica claramente a ideia emitida. Ao sabor das ondas não significa que os diálogos serão escritos em um barco navegando em mar revolto, porém os temas dos diálogos, ou melhor, os temas do diálogo não serão orientados.

P1. Não entendi bem.

P2. Com o exemplo tudo ficará mais claro. Tomemos o caso brasileiro. O desemprego campeia a solta, a recessão é uma realidade. O crescimento da economia é negativo. Mesmo assim o governo está convencido de ser “a única solução plausível para o país”.

P1. É, mas o exemplo entra em choque com a definição anterior. “A única solução plausível para o país” se coaduna muito bem ao assunto.

P2. Achas?

P1. Esse negócio de ficar criticando de longe até que é bem cômodo. Critica-se uma situação que não se vive e não se é indagado sobre soluções.

P2. Concordo, mas o grande problema é saber se de perto eu teria condições de ver as coisas como hoje as vejo. Talvez deturpadas pela distância e pela ausência prolongada. Talvez, porém, facilitada pela vida regulada e sem ambições que me é oferecida pela impossibilidade de almejar o que está além de DM 1 600,00 por mês. Também pela incapacidade do chefe em definir o que eu devo fazer e, também, por meu desinteresse crescente pelos chefes. Além disso, o que fazer no Brasil?

P1. Ora, filie-se a um partido político! Se você não está de acordo com a forma que o seu país é governado, filie-se à oposição.

P2. Qual partido, por exemplo?

P1. PMDB.

P2. Estás brincando? Aquilo já era passível de dúvidas antes de absorver o PP, agora então virou uma piada. Porém o PMDB oferece uma vantagem que os estrategistas do governo ainda não perceberam. Pela variedade de tendências políticas e direcionamento ideológico (existe ideologia no Brasil?) o PMDB é o único partido em condições de ser simultaneamente governo e oposição, objetivo de há muito perseguido pelo atual governo dos últimos muitos anos.

P1. Certo, PT então!

P2. Foi minha ilusão mais recente. Depois que o presidente do partido, Lula, declarou ser a favor de uma solução a la Nicarágua para o Brasil, perdi o interesse. Não suporto mais macaqueações.

P1. PDT, PTB ainda estão por aí. Em um partido pequeno …

P2. Muito obrigado. Sob chefia de ex lobisomem da revolução no PDT e ainda com ajuda do SPD alemão; ou então sob chefia da esbelta Ivete Camaleão, não.

Continua

 

Nota: Ex lobisomem da revolução e, então presidente do PDT, Leonel Brizola, por muitos considerado o governador que iniciou a destruição do Rio de Janeiro. A esbelta Ivete Camaleão, Ivete Vargas, filha de uma sobrinha do ditador e depois presidente do Brasil, Getúlio Vargas.

 

Saúde e alegria a todos

Lindo e triste Brasil

Lindo e triste Brasil

Toquinho    (1989)

 

Sou nascido aqui nesse país.

Tão gigante, tão franzino,

Seu destino ao deus-dará.

Rios e fontes aos montes

E dunas de areia em beiras de mar.

Tudo aqui é mesmo tão lindo, morena,

Pena que o homem não pensa em cuidar.

A solidão é viver sem ninguém

Em quem poder confiar.

 

Minha gente é gente desse país.

Povo lindo, chora rindo, canta na Sapucaí.

Entre enredo e passista

Misturam-se médico, artista e gari.

Com muito pouco que temos

Ainda sabemos, sofrendo, cantar e sorrir.

Sou do país do futuro,

Futuro que insiste em não vir por aqui.

Somos muitos e muito podemos fazer.

 

Vai rolinha, pintassilgo,

Vai andorinha e tiziu.

Nadem golfinhos e peixes

Nas águas dos mares, dos lagos, dos rios.

Quem sabe ainda veremos

O que o Poetinha um dia sonhou, mas não viu:

Pátria, minha patriazinha, tadinha,

Lindo e triste Brasil.

 

Letra: https://letras.mus.br/toquinho/87275/

Toquinho e Fagner         https://www.youtube.com/watch?v=VL_1HX2dhaQ

Toquinho                            https://www.youtube.com/watch?v=yd6DIl0P4hc