O futuro a Deus pertence 4.3

Escrito em 1981

A segurança nacional voltou a ser ameaçada, não mais pelos opositores internos ou por potências estrangeiras. A maior ameaça à segurança nacional tornou-se o próprio governo.

E agora? O futuro a Deus pertence!

Escrito em 2016

E Lula, finalmente, venceu o primeiro turno. E venceu em todos os estados da União, exceto em Alagoas, no segundo turno. Venceu pela primeira vez e pela primeira vez com coligações conchavantes ou conchavos coligantes.

Os bons ventos continuavam a soprar sobre Bral-Búrdia. E o governo populista partiu para projetos faraônicos. Transposição do Rio São Francisco: projeto abandonado, reiniciado, abandonado; situação atual, sei lá. Construção de um porto em Cuba. Construção de uma estrada inútil interligando Brasil e Lima, Peru; inútil para a pretensa destinação de sua construção.

E as bolsas cresceram. Há desigualdade social, crie-se uma bolsa federal dentro do conceito “bolsa hoje, voto amanhã” “clientelismo hoje, voto amanhã”. As crianças terminam a escola obrigatória não alfabetizadas? Quotas universitárias nelas; “quota hoje, voto amanhã”. O direito ao certificado universitário inútil! O conceito, eleitor enganado, voto contado, levado ao extremo.

Nos foros internacionais Lula detonava. Afinal era um homem humilde que chegou ao posto mais alto de seu país. Internamente o comportamento de alguns governistas da coligação deixava transparecer o uso de formas escusas de obter apoio, através da compra de votos, no caso chamado de Mensalão (2005 – 2006) (3).

O primeiro reinado de Lula I, o único, chegou ao fim com a plateia aplaudindo e pedindo bis (4).

E o bis se fez. Candidatos em 2006, muitos, como sempre, afinal o pluripartidarismo atesta e solidifica a democracia e colabora com a conta corrente dos donos dos minipartidos. Para o segundo turno foram Lula, pela quinta vez candidato e Geraldo Alckmin, paulista de São Paulo, médico, vereador, secretário e prefeito de Pindamonhangaba, governador de S. Paulo, Secretário de Estado, jovem demais à época para ter tido envolvimento com a revolução de 1964, chato de se ouvir e inexpressivo, o antagonista perfeito para Lula vencer.

E Lula venceu o segundo turno.

O mundo recebeu ventos terríveis. De novo o maldito petróleo? Não, agora foram os bancos, os verdadeiros donos do mundo. E a brincadeira de multiplicar o investimento não deu certo. O banco A comprava do banco B e vendia a mesma coisa ao banco C, que vendia ao banco D etc. O mesmo produto era comercializado múltiplas vezes a preços crescentes. Os agentes enriqueciam com a participação nos lucros hipotéticos. Países tornavam-se paraísos econômicos. Um dia alguém quis o dinheiro, não apenas a transferência da dívida. E tudo desmoronou. Países faliram; empresas sérias, mas nem tanto, faliram; bancos faliram. A economia mundial entrou em crise. Lula disse: “Isto não é um tsunami, é uma marolinha para o Brasil”. E a economia bral-burdiana se recuperou com o incentivo ao consumo: compre o seu carro zero em 80 (oitenta) prestações mensais que cabem no seu bolso. E a economia bral-burdiana se recuperou com investimentos chineses: vende-se também a Bral-Búrdia em suaves prestações mensais.

E o país se mantinha estabilizado. Uma massa enorme de brasileiros saiu da pobreza. O número de brasileiros com emprego crescia. O apoio aos menos favorecidos crescia. Todos felizes, ou quase.

E Barack Obama chamou Lula de “O cara, o político mais popular da Terra”. E Lula, de dedo em riste, respondeu a Obama (não é possível ouvir o que foi dito) (5).

Em 2009, ventos duvidosos começam a soprar da Polícia Federal em direção a Brasília. E ameaçam balançar Bral-Búrdia. A Polícia Federal inicia investigações relacionadas a lavagem de dinheiro por um deputado de Londrina, Paraná. Aparentemente nada muito fora do normal.

Em 2010, eleições. Candidatos os muitos de sempre, afinal o pluripartidarismo … De um lado, pela impossibilidade de uma segunda reeleição do Criador, a sua Criatura, Dilma Rousseff, gaúcha de Minas Gerais, apresentada como pessoa capaz, de liderança inconteste, economista quase doutora (7), mãe do PAC, Programa de Aceleração do Crescimento, perseguida e torturada durante a revolução de 1964. Do outro lado, José Serra, inspirado nas três tentativas frustradas de Lula, partia para a sua segunda tentativa, abandonando mais uma vez um posto de governo em São Paulo para se candidatar à presidência.

Com o apoio de Lula e a máquina do Governo Federal ao seu lado, não havia chance para Serra; jamais haverá. E ele perdeu pela segunda vez.

E lá se foi Dona Dilma. Talvez o seu maior legado do primeiro mandato tenha sido a criação de uma palavra nova na língua portuguesa. Ela passou a exigir ser chamada de presidenta. E se perpetrou mais um massacre na língua portuguesa. As trapalhadas de Dona Dilma estão registradas na Internet, em livros e também já foram abordadas neste blog em Era uma Vez e Era uma Vez, outra vez.

O clientelismo populista personificado pela gastança desenfreada somado aos ventos econômicos ruins soprando pelo mundo, em particular na China, levavam a economia brasileira a uma situação perigosa. Mas, por ser ano eleitoral, mentiu-se, para variar.

Os ventos ruins internos de 2009 se intensificaram e, em 2013 se transformaram em furacão. Ventos terríveis que permanecem até hoje e que muitos consideram ventos bons. São os ventos da oportunidade oferecida para Bral-Búrdia tornar-se um país íntegro. Em 2013, a investigação iniciada em 2009 identificou quatro doleiros atuantes em lavagem de dinheiro e, deles, chegou-se à identificação de um esquema imenso de corrupção nos altos escalões de Brasília, tendo como fonte principal de espoliação a Petrobrás (6). A Operação recebeu o nome de Lava-jato.

Antes que eu esqueça. E o país ia seguindo em frente. Comprava-se o que não se precisava, exportava-se a matéria prima para adquiri-la industrializada, incentivava-se a industrialização importando indústrias, investia-se em conhecimento copiando modelos externos, etc. etc.

Em 2014, nova eleição. Candidatos, muitos. No segundo turno a presidenta de um lado e adivinhe quem. Quebrou-se a regra, nem Serra, nem Alckmin; Aécio Neves, mineiro de Minas Gerais, economista, parente do presidente que salvaria o país, mas não tomou posse, Tancredo Neves, deputado federal, governador de Minas Gerais e pouco convincente ou, talvez, insípido, insoso e inodoro.

E Dilma venceu com 51,6% dos votos contra 48,4% para Aécio Neves. A divisão dos votos foi clara. Sul, Sudeste exceto Minas Gerais e Rio de Janeiro somados a Acre e Roraima deram maioria a Aécio. Norte e Nordeste, Minas e Rio de Janeiro apoiaram Dilma. Aécio perdeu em seu próprio estado.

O novo governo Dilma começou mal, evoluiu para péssimo e chegou a um pedido de impedimento para a presidenta ao final de 2015. Tantas trapalhadas e jogadas ilegais teriam consequências. Se não fosse por isso, ela deveria sofrer “impeachment” pelo final inacreditável de sua entrevista após a abertura dos trabalhos da ONU em setembro de 2015, quando ela sugeriu pesquisas para se guardar o vento em movimento e, com ele, movimentar usinas eólicas quando necessário (acessar Dilma e o vento no You Tube; há muitas coisas boas lá).

A economia afundou, a inflação voltou a crescer. O número de desempregados cresceu, muitos dos que haviam saído da pobreza durante o reinado de Lula, o criador, voltaram à pobreza no reinado de Dilma, a criatura. As pessoas voltaram a falar, falar, falar e ninguém a ouvir. Em maio de 2016 a presidenta foi afastada e o vice-presidente passou a exercer interinamente a presidência.

Face à possibilidade iminente de passar a exercer interinamente a presidência, até o julgamento do impeachment da presidenta pelo Senado de Bral-Búrdia, o vice-presidente antecipou e negociou a formação de um ministério com menos ministros, porém qualificados. Dois dias após a posse de seu ministério, o interino teve de trocar dois ministros por acusações de corrupção e participação no esquema Lava-jato. Um terceiro já se foi e outros mais estão pendurados pelas mesmas razões. Quais foram os critérios do presidente interino para escolher seus ministros? O envolvimento com corrupção? Melhor acreditar que não houve critério, isto é, mais do mesmo de sempre.

O planejamento governamental, inexistente, conhecido por “Planejamento Zero”, busca tapar hoje os buracos de ontem e o povo, sempre ele, pode mais uma vez ser chamado a pagar as dívidas contraídas em seu nome, sem a sua consulta e que pouco reverteram a seu favor. A segurança institucional não parece estar ameaçada, porém o maior fator de insegurança não são mais os opositores internos ou potências estrangeiras. A maior ameaça à segurança nacional continua sendo o próprio governo.

E agora?

O futuro continua pertencendo apenas a Deus! Até quando os ba-gunços continuarão se omitindo?

 

(3) https://pt.wikipedia.org/wiki/Esc%C3%A2ndalo_do_Mensal%C3%A3o

(4) https://www.vagalume.com.br/gonzaguinha/pois-e-seu-ze.html

(5) https://www.youtube.com/watch?v=7vmuSZtiG4A

(6) http://lavajato.mpf.mp.br/atuacao-na-1a-instancia/investigacao/historico/por-onde-comecou

(7) http://www.estadao.com.br/noticias/geral,dilma-rousseff-admite-erro-em-curriculo,399151

 

Saúde e alegria a todos

O futuro a Deus pertence 4.2

Escrito em 1981

A segurança nacional voltou a ser ameaçada, não mais pelos opositores internos ou por potências estrangeiras. A maior ameaça à segurança nacional tornou-se o próprio governo.

E agora? O futuro a Deus pertence!

Escrito em 2016

De qualquer forma, após dois anos o caçador de marajás ou Fernando I, o Breve, acabou apeado do poder e cassado por corrupção, denunciado por seu próprio irmão (1). No curto reinado, algumas trapalhadas econômicas, tentativas frustradas de reduzir a inflação e outros fracassos.

E o país ia seguindo em frente. Comprava-se o que não se precisava, exportava-se a matéria prima para adquiri-la industrializada, incentivava-se a industrialização importando indústrias, investia-se em conhecimento copiando modelos externos, etc. etc.

Assumiu o vice, Itamar Franco, um homem de topete. E para que não pairasse dúvidas sobre o seu futuro governo, manifestou imediatamente saudades do carrinho Volkswagen, chamado originalmente de besouro, e, no Brasil, de Fusca. Uma obra genial do Escritório Porsche, o Fusca nasceu ao início da década de 30, pouco antes da ascensão dos nazistas, 1933, ao poder (2). O primeiro veículo foi colocado no mercado em 1940, já durante a segunda guerra mundial e sua produção voltou-se para modelos de aplicação bélica. Em 1953 o Fusca passa a ser montado no Brasil; em 1959 54% das peças do veículo eram nacionais; em 1975, com o choque do petróleo, passa-se a buscar veículos com consumo reduzido; em 1985 a VW encerra a produção do Fusca, por obsolescência do projeto. Em 1993, por sugestão do Presidente da República, Itamar Franco, a VW volta a produzir o Fusca. Dizem que ele pretendia expor a todo o Brasil o seu compromisso com a modernidade. E a inflação campeava alegre, livre, leve e solta. Como seu Ministro das Relações Exteriores, Fernando Henrique Cardoso.

Bons ventos circularam por Bral-Búrdia. FINALMENTE! Quem é o culpado pelos bons ventos? Só pode ser Deus, afinal Deus é brasileiro!

Em um lance político magistral, Itamar, o do topete, passa o sociólogo Fernando Henrique Cardoso do Ministério das Relações Exteriores para o da Fazenda. Choque em Bral-Búrdia! O presidente mandou o Ministro Fernando Henrique Cardoso plantar batatas? E Fernando Henrique, assessorado por economistas loquazes, opera o milagre. E, como por passe de mágica, a inflação acabou em Bral-Búrdia! Obra divina! É a prova cabal de que Deus é brasileiro!

Apoiada no conceito vigente desde a época dos visitantes permanentes, ora batizado de “Planejamento Zero”, a economia crescia. A indústria de Bral-Búrdia passa a receber novos investimentos, representados por novas montadoras de veículos. A agricultura se espalhara pelo Brasil. Do Sul-Sudeste ela invadira o Centro-Oeste e o Nordeste. A pecuária acompanhou a agricultura. A flatulência bovina em Bral-Búrdia atinge cifras que comprometem o equilíbrio do meio ambiente mundial. Bral-Búrdia mudou mesmo de patamar, acreditavam todos.

Novas eleições presidenciais. Candidatos, muitos, afinal o pluripartidarismo atesta e solidifica a democracia. Consta que o pluripartidarismo também colabora com a conta corrente dos donos dos mini partidos. Dentre os muitos candidatos um líder nato, homem de origem humilde, nordestino, trabalhador metalúrgico, mutilado no trabalho, presidente de sindicato, opositor do regime militar, fundador de partido político de ideologia clara e definida, batalhador pelas causas dos pobres e mais; Luiz Inácio Lula da Silva, o Lula. Do outro lado Fernando Henrique Cardoso, paulista nascido no Rio de Janeiro em 1931 e morador em São Paulo desde 1940, descendente de militares políticos, culto, sociólogo, professor universitário, opositor da revolução de 1964, o antagonista perfeito para Lula.

E Lula continuou a sua peregrinação rumo à desmoralização explícita; perdeu pela segunda vez.

E o país ia seguindo em frente. Comprava-se o que não se precisava, exportava-se a matéria prima para adquiri-la industrializada, incentivava-se a industrialização importando indústrias, investia-se em conhecimento copiando modelos externos, etc. etc.

Com uma inflação ridícula, ainda mais se comparada com os cerca de 80% ao mês de outrora, e uma ambição clara, Fernando II, o Sábio, circulava pelo mundo exibindo a sua cultura. Poderia ter sido um governo diferenciado se o poder não houvesse subido à sua cabeça e à de seu partido. E, em conjunto, passaram a batalhar pela possibilidade de reeleição. A oposição, que sempre se enxerga como futura situação, reclamou. Havia o perigo representado pela necessidade de se alterar a constituição. Mas o multipartidarismo consciente, consciente de seus interesses, falou mais alto. Aprovada (comprada?) a reeleição, mas apenas uma!

1998, novas eleições presidenciais. Candidatos, muitos, afinal o pluripartidarismo atesta e solidifica a democracia. Consta que o pluripartidarismo também colabora com a conta corrente dos donos dos mini partidos. Dentre os muitos candidatos um líder nato, homem de origem humilde, nordestino, trabalhador metalúrgico, mutilado no trabalho, presidente de sindicato, opositor do regime militar, fundador de partido político de ideologia clara e definida, batalhador pelas causas dos pobres e mais; Luiz Inácio Lula da Silva. Do outro lado Fernando Henrique Cardoso, paulista nascido no Rio de Janeiro em 1931 e morador em São Paulo desde 1940, descendente de militares políticos, culto, sociólogo, professor universitário, opositor da revolução de 1964, comprador da reeleição, o antagonista perfeito para Lula.

E Lula continuou a sua peregrinação rumo à desmoralização explícita; perdeu pela terceira vez. Diz-se que, ao perder pela terceira vez, Lula descobriu que um só partido não faz presidente, gritou que ”um é pouco, dois é bom, três é demais e quatro inaceitável” e abriu-se a conchavos. Havia atingido o limiar da desmoralização.

Os bons ventos continuavam soprando sobre Bral-Búrdia. Chegamos mesmo em um outro patamar. Podemos deixar a condição de coadjuvantes e aceitar o protagonismo político-econômico mundial. O protagonismo latino já havia se manifestado com a criação do Mercosul em 1991. O problema no Mercosul foi e é a existência de dois protagonistas adeptos do “Planejamento Zero” brigando para ser o primeiro nome a aparecer nos créditos. Além disso, o parceiro opositor de Bral-Búrdia, Bagunçón, vive o eterno dilema de tentar explicar ao mundo ser o único país europeu ao sul do equador, bem ao sul.

O segundo governo de Fernando II, o Sábio, foi seguindo sem maiores problemas aparentes, a menos da mácula e das sequelas das negociatas feitas para viabilizar a aprovação do segundo mandato.

Nas eleições presidenciais de 2002, para variar, muitos candidatos. Afinal, o pluripartidarismo atesta e solidifica a democracia e colabora com a conta corrente dos donos dos mini partidos. Pela quarta vez consecutiva, dentre os muitos candidatos um líder nato, homem de origem humilde, nordestino, trabalhador metalúrgico, mutilado no trabalho, presidente de sindicato, opositor do regime militar, fundador de partido político de ideologia clara e definida, batalhador pelas causas dos pobres, aberto a conchavos até com Paulo Salim Maluf e mais; Luiz Inácio Lula da Silva. Do outro lado José Serra, paulista, economista, ministro, secretário, perseguido pela revolução de 1964, exilado e inexpressivo, o antagonista perfeito para Lula vencer.

E Lula, finalmente, venceu o primeiro turno. E venceu em todos os estados da União, exceto em Alagoas, no segundo turno. Venceu pela primeira vez e pela primeira vez com coligações conchavantes ou conchavos coligantes.

continua

(1) http://acervo.oglobo.globo.com/fatos-historicos/presidente-collor-sofreu-impeachment-em-1992-foi-cassado-pelo-senado-9239073

(2) https://pt.wikipedia.org/wiki/Volkswagen_Fusca

Saúde e alegria a todos

Dear Mister President 2

Eu sei que não é proposital, mas no dia seguinte à triste sugestão para contratar técnicos formados no exterior, vossa excelência teve uma entrevista publicada na Folha de São Paulo (1) (2). Ou foi no mesmo dia?
Eu entendo que a vossa formação não é de negociador, diplomata ou assemelhados. Muito pelo contrário, a vossa formação é de bater o martelo e encerrar a conversa. Mas agora o senhor está na posição de líder do país. Goste ou não, aquele que precisa levantar a moral nacional. Não há outra maneia de sairmos do buraco.
Levantar a moral de um país cuja maioria dos cidadãos acreditou em alguém que se apresentou como o mais honesto dentre todos. E, como pretenso mais honesto de todos, os ludibriou até na indicação de sua sucessora. E eles a elegeram através dele, o mais honesto de todos, repetindo o que Paulo Maluf já havia feito quando da eleição de seu sucessor como prefeito de S. Paulo. Nem na sem vergonhice o mais honesto de todos foi original.
Tudo bem que o senhor entrou no vácuo e se elegeu vice. Mas, como já disseram outros, vice é nada, vice é vice. Bons tempos aqueles, não? Casa, comida, roupa lavada, viagens grátis e … mais nada! Sem a incompetência maliciosa à qual o seu partido se associou seriam oito anos numa boa.
Mas agora o senhor está na posição de líder do país. Aquele que precisa levantar a moral nacional. E ela está baixa mesmo. Nem o futebol nacional ajuda, apesar da nova troca de técnico. A coisa está tão ruim que a seleção faz com o seu técnico o oposto daquilo que o clube onde ela foi buscar o novo técnico faz com os seus. O Corinthians manteve os seus técnicos por muito tempo e muitos jogos, a seleção os troca a cada dois anos e uma dezena de jogos.
Mas agora o senhor está na posição de líder do país. Aquele que precisa levantar a moral nacional. E ela está baixa mesmo. A economia, que já gerou até milagres, também não ajuda. À época do mais honesto de todos ela até ajudou na eleição da sucessora dele, tendo permitido a ele, o mais honesto, dominar o tsunami internacional através do incentivo ao consumo. E a coisa foi tão bem feita que no Brasil o tsunami econômico virou marolinha. Talvez a marolinha tenha sido apenas o prenuncio do tsunami que levou o governo Dilma para o buraco. Ou ajudou a levá-lo ao buraco.
Mas agora o senhor está na posição de líder do país. Aquele que precisa levantar a moral nacional. E ela está baixa mesmo. E, então, lemos na entrevista da Folha que as coisas irão melhorar, a economia passará a melhorar a partir do próximo ano, se houver necessidade de mais impostos iremos impo-los mesmo contra a vontade etc. etc.
Desculpe-me, mas estas palavras apenas repetem tudo o que já foi feito, dito e repetido, explicado e enrolado, ao longo dos últimos quinhentos anos. Permita-me, com essa conversa a moral nacional nunca subiu. E não subiu, ou talvez tenha subido há uns quatrocentos anos atrás, mas depois viu-se que era conversa fiada, como tem sido sempre conversa fiada nos últimos cinquenta anos; e destes eu me lembro bem. Vender ativos como Congonhas e Santos Dumont é ótimo, pelo menos nos livramos da incompetência administrativa do poder público. Porém, para um déficit previsto de 136 bilhões, os cinco bilhões dos dois aeroportos não ajudam muito, ainda mais se for financiado pelo BNDES. E dizer que os Correios, por serem muito deficitários, e a Petrobras, por ter muita simbologia, não podem ser vendidos, me parece pouco demais.
Que o senhor não deseje passar por enganador ilusionista, concordo. Afinal é a sua primeira atividade executiva em posto de eleição majoritária. Mas “alguma coisinha” poderia ter sido dita no sentido de indicar o que se estará fazendo para minimizar a fragilidade da economia brasileira. Porque, a meu ver, esta “alguma coisinha” passa pelo caminho oposto às suas palavras e ao escolhido por todos os governos dos últimos cinquenta anos; e destes eu me lembro bem.
Alguma “outra coisinha” poderia ter sido dita com relação a melhorar o desempenho dos Correios, já que, em suas próprias palavras, eles são muito deficitários. Mais uma “terceira coisinha” poderia ter sido dita com relação ao empenho do seu governo na recuperação moral e técnica da Petrobras, que deteve e espero que ainda detenha, a melhor tecnologia para prospecção e extração de petróleo em águas profundas. Se nada for dito pode parecer que a Petrobras está entregue à sua própria sorte.
E, permita-me de novo, se a moral nacional não subir, continuaremos atolados nas águas da lagoa Rodrigo de Freitas das Olimpíadas de 2016. Águas que provam e comprovam que o político brasileiro não é apenas mentiroso, é principalmente irresponsável e desonesto. Desonestos por não se preocuparem com promessas e compromissos mentirosos e inexequíveis.
Senhor Presidente, aproveite a oportunidade para entrar na história como aquele que acordou um país tragicamente deitado em berço esplêndido e que, em cerca de meio mandato, conseguiu acertar o rumo do Brasil. Pois isto é possível.
A outra alternativa será a desculpa de não ter tido tempo suficiente. E ela não será original.
A escolha é vossa.

(1) Folha de São Paulo, domingo, 10 de julho de 2016, caderno mercado, pg. A21
(2) Na Internet: folha.com/no 1790059

Saúde e alegria a todos

O futuro a Deus pertence 4.1

Escrito em 1981

A segurança nacional voltou a ser ameaçada, não mais pelos opositores internos ou por potências estrangeiras. A maior ameaça à segurança nacional tornou-se o próprio governo.

E agora? O futuro a Deus pertence!

Escrito em 2016

A ameaça governamental ao país passou a ser combatida internamente. Os cassados de 1968 estavam com seus direitos restituídos, muitos dos opositores que haviam deixado o país já haviam retornado. A economia ia mal, muito mal, ao início da década de 80. A situação política estava insustentável. A democracia plena de quase ditadura, dubiedade inexplicável comum em Bal-Gunça, associada ao pragmatismo dos ba-gunços do século XVI e dos balbúrdios atuais, tornou-se convenientemente intolerável. Os ventos terríveis de meados dos anos 70 continuavam a soprar.

Pausa: Esses ventos terríveis, econômicos ou não, não param de encher o saco desta bendita terra. E nenhum pai da pátria ainda se preocupou com eles!? Ou eles são convenientes?

O então dono do poder começou o que foi chamado de retorno lento e gradual à democracia. Retorno lento e gradual o suficiente para fazer o seu sucessor. Este, aparentemente feliz por poder cuidar de seus cavalos, dos quais dizia gostar mais que do povo, indicava tendências a devolver a Bral-Gunça a todos os balbúrdios ao final de seu mandato. Ao final de 1979 o bipartidarismo foi abolido e voltou-se ao regime multipartidário. O multipartidarismo permitiu a criação de partidos suficientes para acomodar as várias tendências políticas, que em Bral-Gunça beiram o infinito e variam de acordo com interesses específicos e de momento. Com isso, a quantidade de interesses em jogo e a quantidade de interessados em tantos e diversos interesses impedia qualquer entendimento; o que permanece até os nossos dias.

Paralelamente, a industrialização crescia, a produção agrícola acelerava. E Bral-Búrdia firmou-se em um novo patamar, acreditavam muitos. Fabricamos veículos! Construímos uma nova capital no centro do país! Gritavam todos. A indústria automobilística bral-burdiana começa a ganhar vulto. O júbilo patriótico crescia. Exportamos veículos, bradavam alguns. Para o Iraque, retrucavam outros. Consta que parte dos Passat exportados para o Iraque não foram pagos. Consta ainda que o calote aplicado pelo governo de Sadam Hussein ao Brasil não foi uma das causas das duas guerras do Golfo.

Na política a grande dúvida era pequena: como fazer a devolução da Bral-búrdia aos bagunços? Os opositores, agora mais livres, passaram a exigir eleições diretas. Por que? Porque apesar de o golpe de 1964 ter sido feito também em nome do povo, este passou todo o tempo sem poder escolher os seus governantes. E criou-se o movimento “DIRETAS JÁ”. A genialidade de presidente e vice poderem ser de partidos antagônicos havia sido abolida. Durante o regime militar, Tancredo Neves (1) havia pertencido ao partido da oposição, MDB, e José Sarney (2) ao da situação, ARENA. E, em eleição indireta foram eleitos Tancredo Neves, opositor do regime militar, para presidente e José Sarney, apoiador do regime militar, para seu vice, ambos já em novos partidos, de oposição.

Em uma manobra do destino, Tancredo Neves morre antes de tomar posse.

Pausa: Homem de sorte! Tivesse governado, teria sido mais uma decepção dentre todos os demais. Tornou-se, porém, a solução da qual Deus não nos permitiu usufruir.

O que fazer? Aceitar um situacionista de oposição ou um opositor da situação como presidente por quatro anos? Se o presidente e o vice não tomaram posse, o vice é o seu sucessor?

Sucessor de um presidente que não tomou posse? Oh maravilha para os bagunços! Voltamos aos bons e velhos tempos! Loquazes por natureza, os balbúrdios deliciavam-se com o poder do rádio e o poder da TV. Quantas informações para se cacarejar a respeito! Todos falavam de tudo e de todos, principalmente os políticos.

E Sarney tomou posse como presidente eleito, ou vice-presidente eleito. E seu governo foi inacreditavelmente esquecível, a menos da inflação galopante. Quatro anos depois, 1989, o povo foi chamado a escolher o seu sucessor. Candidatos, muitos.

Dentre os muitos candidatos um líder nato, homem de origem humilde, nordestino, trabalhador metalúrgico, mutilado no trabalho, presidente de sindicato, opositor do regime militar, fundador de partido político de ideologia clara e definida, batalhador pelas causas dos pobres e mais; Luiz Inácio Lula da Silva, o Lula, que em 1982 havia incorporado o apelido ao seu nome. Do outro lado Fernando Collor de Mello, alagoano nascido no Rio de Janeiro, filho de político federal, representante legítimo do sistema feudal vigente no nordeste brasileiro. Jovem, boa aparência, ousado, motociclista, rico, esposa jovem e atraente, o antagonista perfeito para Lula.

E Lula iniciou aí a sua peregrinação rumo à desmoralização explícita; perdeu.

Fernando Collor de Mello, duas vezes consoante dupla no seu nome! Uau! Teria sido ele a inspiração para a sanha dos pais brasileiros em duplicar consoantes nos nomes dos seus filhos? Nada consta a respeito. E ele chegou arrebentando. O caçador de marajás. O macho de motocicleta. O dono do cofre. O “que tinha aquilo roxo”! Dizem alguns que “aquilo roxo” jamais foi apresentado para confirmação de tonalidade. Dizem outros que aquilo roxo foi consequência de uma queda sobre uma cerca de fazenda. De qualquer forma, após dois anos o caçador ou Fernando I, o Breve, acabou apeado do poder e cassado por corrupção, denunciado por seu próprio irmão (1). No curto reinado, algumas trapalhadas econômicas, tentativas frustradas de reduzir a inflação e outros fracassos.

E o país ia seguindo em frente. Comprava-se o que não se precisava, exportava-se a matéria prima para adquiri-la industrializada, incentivava-se a industrialização importando indústrias, investia-se em conhecimento copiando modelos externos, etc. etc.

Pausa: Alguém pode estranhar a grafia variável do nome da terra sobre a qual se escreve. Afinal escreve-se Bal-gunça ou Bral-Gunça, bagunços ou ba-gunços ou Bal-búrdia ou …? Irrelevante se com esse ou com ze, se com jota ou com gê. Em Bral-Gunça, o que vale é o som. Como se escreve é secundário. Se no futuro alguém irá entender os escritos, sabe-se lá o que é futuro. O futuro a Deus pertence, não?

continua

(1) http://acervo.oglobo.globo.com/fatos-historicos/presidente-collor-sofreu-impeachment-em-1992-foi-cassado-pelo-senado-9239073

Saúde e alegria a todos

Diálogos 2

Em Mudanças, de 27.12.15, apresentei as razões que me levaram aos Diálogos. Em Diálogos 1 – preâmbulo, de 10.1.16, iniciei a publicação dos diálogos escritos a partir de 29/3/82. Recomenda-se ler os diálogos a partir do primeiro.

Posts anteriores relacionados:                 Mudanças          Diálogos 1          Diálogos 2          Diálogos 3

Mudança de personagens: Como o software do Post numera sequencialmente as frases, fui levado a alterar os personagens de 1, 2, 3 para P1, P2, P3 .

Anterior: Os temas, escritos ao sabor das ondas, serão desordenados e sem títulos.

P1. Espere aí, sabor de quais ondas se estamos pelo menos 300 quilômetros da praia mais próxima?

P2. Ora. Isto é apenas uma figura de linguagem.

P1. Mesmo? E o que é isso?

P2. Figura de linguagem? É simples de explicar e para evitar confusões darei um exemplo concreto. Figura de linguagem é o uso de uma palavra ou expressão que, mesmo não se coadunando ao assunto, explica claramente a ideia emitida. Ao sabor das ondas não significa que os diálogos serão escritos em um barco navegando em mar revolto, porém os temas dos diálogos, ou melhor, os temas do diálogo não serão orientados.

P1. Não entendi bem.

P2. Com o exemplo tudo ficará mais claro. Tomemos o caso brasileiro. O desemprego campeia a solta, a recessão é uma realidade. O crescimento da economia é negativo. Mesmo assim o governo está convencido de ser “a única solução plausível para o país”.

P1. É, mas o exemplo entra em choque com a definição anterior. “A única solução plausível para o país” se coaduna muito bem ao assunto.

P2. Achas?

P1. Esse negócio de ficar criticando de longe até que é bem cômodo. Critica-se uma situação que não se vive e não se é indagado sobre soluções.

P2. Concordo, mas o grande problema é saber se de perto eu teria condições de ver as coisas como hoje as vejo. Talvez deturpadas pela distância e pela ausência prolongada. Talvez, porém, facilitada pela vida regulada e sem ambições que me é oferecida pela impossibilidade de almejar o que está além de DM 1 600,00 por mês. Também pela incapacidade do chefe em definir o que eu devo fazer e, também, por meu desinteresse crescente pelos chefes. Além disso, o que fazer no Brasil?

P1. Ora, filie-se a um partido político! Se você não está de acordo com a forma que o seu país é governado, filie-se à oposição.

P2. Qual partido, por exemplo?

P1. PMDB.

P2. Estás brincando? Aquilo já era passível de dúvidas antes de absorver o PP, agora então virou uma piada. Porém o PMDB oferece uma vantagem que os estrategistas do governo ainda não perceberam. Pela variedade de tendências políticas e direcionamento ideológico (existe ideologia no Brasil?) o PMDB é o único partido em condições de ser simultaneamente governo e oposição, objetivo de há muito perseguido pelo atual governo dos últimos muitos anos.

P1. Certo, PT então!

P2. Foi minha ilusão mais recente. Depois que o presidente do partido, Lula, declarou ser a favor de uma solução a la Nicarágua para o Brasil, perdi o interesse. Não suporto mais macaqueações.

P1. PDT, PTB ainda estão por aí. Em um partido pequeno …

P2. Muito obrigado. Sob chefia de ex lobisomen da revolução no PDT e ainda com ajuda do SPD alemão; ou então sob chefia da esbelta Ivete Camaleão, não.

Continua

Nota: Ex-lobisomem da revolução e, então presidente do PDT, Leonel Brizola, por muitos considerado o governador que iniciou a destruição do Rio de Janeiro. A esbelta Ivete Camaleão, Ivete Vargas, filha de uma sobrinha do ditador e depois presidente do Brasil, Getúlio Vargas.

Saúde e alegria a todos

Certezas complementares 2

Devemos cuidar tanto do exterior quanto do interior. Uma pele de tigre e de leopardo não é diferente de uma pele de cachorro ou de ovelha, se o pelo está raspado.

Confúcio (550-480 a.C.) filósofo chinês

Mantenha-se firme e defenda-se como um homem de coragem! O perigo maior é o do medo!

Dom Juan Manuel (1282-1349) príncipe, político e escritor espanhol

Nos vos iludis, operação plástica ou maquiagem não alteram personalidades.

Origem desconhecida (atual)

 

Gostei das certezas complementares 1, que associa frases de há muito tempo com frases atuais, sempre com o mesmo tema.

Estas certezas complementares 2 foca o maior problema atual, a meu ver, a falta de coragem. Grande parte dos nossos problemas se relacionam com a covardia. O que mais se ouve são frases como:

– O que eu quero é garantir o meu salário!

– Tenho família, preciso pensar no bem-estar dela!

– Falta pouco para a minha aposentadoria! E outras mais.

Com estas desculpas as pessoas aceitam tudo sem se aperceber que estão se desmoralizando perante alguns e o pior, perante si mesmos.

Em Machu Pichu

De há muito tempo eu pensava em visitar Machu Pichu. No dia 9 de julho de 2015 eu estava lá.

Passamos pelo controle de ingressos, seguimos cerca de 20 metros por um caminho construído para os turistas acessarem a cidade, ladeado pela montanha à esquerda e, protegido por parapeitos de madeira, o vale profundo à direita. Cerca de quinhentos metros abaixo via-se Machu Pichu Pueblo.

A cidade foi construída na encosta da montanha. Os seus dois únicos acessos ficavam na parte mais alta, em caminhos que levavam a Cuzco, cerca de setecentos metros acima de Machu Pichu. Hoje entra-se na cidade pelo seu centro, com relação à distribuição das construções na encosta. Não é possível dizer que, dobrando uma esquina a cidade de pedra se descortina à nossa frente. A cidade está distribuída em uma área relativamente grande, porém na encosta inclinada e, o que mais se faz ao visitá-la é subir e descer degraus.

As fotos 1 e 2 foram feitas do ponto mais alto da cidade, ao lado do posto da sentinela.

Featured image        1. Vista a partir da entrada da cidade (ponto mais alto)

Featured image        2. Vista a partir da entrada da cidade (ponto mais alto)

Consta que a cidade floresceu entre os anos de 1460 e 1540, tendo sido abandonada sem uma explicação plausível ou conhecida. Há citações de ocupação do local já no século XIII, o que explica a área construída, pois o que ali se vê não pode ter sido construído em cerca de 100 anos, considerando a falta de recursos de trabalho. Os incas não conheciam animais de carga e mesmo que os conhecessem seria muito difícil usá-los em um terreno íngreme como o de Machu Pichu.

Apesar de terem sido usadas as pedras disponíveis no local, não havia máquinas de transporte para movimentar os blocos usados nas construções. Tudo foi feito com mão de obra humana. O acabamento das pedras de algumas construções lembra trabalho de escultor; as pedras são duras e não havia outras ferramentas que não martelo e talhadeira para o trabalho bruto e cinzel para esculpir. A precisão dos encaixes, a qualidade das superfícies das pedras superpostas e o acabamento externo em curva encontrados na foto 3 atestam a elevada habilidade dos artesãos incas.

Featured image           3. Superfície curva

A qualidade do trabalho visto na foto 3 era, porém, privilégio da casta mais alta, nobres e sacerdotes. A população contentava-se com pedras irregulares superpostas para construção de suas moradias, conforme pode ser comparado na foto 4.

Featured image        4. Alternativas de superposição de pedras

A cultura inca desapareceu sem deixar para a posteridade o conhecimento adquirido e desenvolvido em várias áreas da tecnologia. As obras hidráulicas incas, de captação, transporte de água e irrigação encontradas em várias partes do Peru são reconhecidas hoje, com todo o conhecimento disponível na área, como de alta qualidade. A agricultura praticada em terraços, foto 5, única forma de plantar em encostas, associada à irrigação altamente desenvolvida, permitiu a produção de alimentos em ambientes inóspitos, com altitudes e temperaturas típicas a altitudes acima de 2000 metros.

Featured image          5. Terraços para agricultura

Além de plantarem, os incas também pesquisavam sobre a influência da altitude no desempenho das culturas ali cultivadas. Os terraços vistos na foto 6 foram construídos próximo ao pico da montanha encontrada ao fundo da foto 1.

Featured image            6. Terraços em grande altitude

O trabalho com metais, ouro, prata, cobre, processos de soldagem de ouro eram conhecidos e praticados pelos incas. Nada deste conhecimento sobreviveu ao final da civilização inca; restaram apenas os produtos do conhecimento acumulado e perdido. Talvez por esta razão alguns cogitam terem tido os incas contato com civilizações extra-terrestres.

Em dois pontos da cidade são encontrados locais de sacrifício, também humano, que eu não fotografei. Tais locais estão à entrada da cidade, em seu ponto mais alto ao lado do posto de sentinela e na parte oposta a esta, ao fundo e à direita da foto 1. Ao ler sobre Machu Pichu sempre estranhei as informações sobre uma cidade sagrada, onde os visitantes sentiam uma “energia boa” fluindo para si. Eu me perguntava o que poderia haver de divino e de energia boa em um local onde se fazia sacrifícios humanos regularmente. Não sou cético, mas sou engenheiro, o que talvez me faça “um técnico sem sentimentos” como ouvi há algum tempo de mãe de aluno. E, pior, não consigo entender o uso dado à palavra energia pelas pessoas, talvez por trabalhar tecnicamente com energia há quase meio século. Fato é que não senti ou recebi energia em Machu Pichu e sim deixei energia em Machu Pichu; não apenas eu. No retorno a Ollantaytambo o trem lotado mostrava pessoas cansadas por terem o dia todo subido e descido escadarias em grandes altitudes, sem estarem habituados a tais esforços.

Este foi o texto mais difícil de escrever dentre todos os escritos até agora. Fica a sensação de que poderia ser melhor, mas teria de ser mais amplo. Talvez volte a escrever mais sobre o Peru.

Uma visita a Machu Pichu se justifica sempre. No meu caso justificou-se pela possibilidade de vivenciar uma civilização desaparecida que criou muito, mas explicou pouco. Justificou-se ainda pela oportunidade de descobrir o Peru e que há ali muito mais do que Machu.

Como complementação insiro as fotos abaixo. Deveria estar inserida ainda uma décima foto, feita no Museu Larco, de Lima, altamente recomendado para interessados na cultura sul-americana pré-colombiana. A foto contém um texto interessante sobre sacrifícios humanos, porém a perda de qualidade na inserção impede a sua leitura.

Featured imageFeatured imageFeatured image7. Caminhos de Machu Pichu  8. Posto de guarda (alto)     9. Acesso a Machu Pichu

https://pt.wikipedia.org/wiki/Imp%C3%A9rio_Inca

http://www.museolarco.org/

 Saúde e alegria a todos.

Santayana

Aqueles que se esquecem do passado estão condenados a revivê-lo.  George Santayana (1879 – 1955) 

Por ter vivido em Munique e pela sábia recusa da Alice em acompanhar ao campo de concentração de Dachau os que nos visitavam e desejavam visitá-lo, estive lá umas sete ou oito vezes. Dachau é uma cidade pequena, fundada no século X, próxima de Munique e a cerca de 20 quilômetros de onde morávamos. A cidade ficou conhecida por ter em sua área o primeiro campo de concentração da Alemanha nazista, colocado em operação poucas semanas após o nazismo chegar ao poder. Após a segunda guerra mundial, o campo de concentração foi transformado em campo de refugiados e a partir da década de 1960 foi ali erigido um Memorial, aberto à visitação pública. Ao iniciar o circuito de visitação entra-se no antigo alojamento dos oficiais, um salão amplo e de pé direito elevado. Na parede oposta lê-se a frase de Santayana, imensa, gravada no alto da parede e ocupando toda a sua largura. Depois de lê-la pela primeira vez, jamais a esqueci. Estou convencido que os alemães pensantes, a absoluta maioria, jamais a esquecerão também, para todo o sempre.

Projeto e implantação

Visto como definem os dicionários, um projeto é uma intenção de fazer ou realizar algo no futuro (1), o que permite afirmar que um projeto não executado é uma promessa não cumprida, ou nada.

Todo projeto desenvolvido e proposto com competência, honestidade, isenção, profundidade e clareza traz consigo a promessa de ser bom.

Vista como definem os dicionários, a execução é a passagem do projeto ao ato, a realização do projeto (1), o nos leva a afirmar que a execução de um projeto é a materialização de uma promessa.

Toda execução de projeto planejada e executada com competência, honestidade, isenção, profundidade e clareza traz consigo a promessa de ser boa.

 

Muitos projetos apresentam falhas evidentes, grosseiras, imperdoáveis e que se evidenciam em sua execução.

Algumas falhas de projeto podem ser sanadas ou minimizadas durante a sua execução.

Algumas falhas de execução podem ser sanadas ou minimizadas antes da entrega.

Alguns projetos são falhos e mesmo assim executados, no mais das vezes de forma falha.

Uma análise superficial nas falhas acima expostas indica ter havido incompetência, desonestidade, interesse escuso, superficialidade e ambiguidade na atuação dos responsáveis. Retirei a conjunção ou de antes das palavras qualificativas da ação dos responsáveis por falhas. Elas, as palavras, estão inter-relacionadas e se complementam.

(1) Dicionário Houaiss, Objetiva/Instituto Antônio Houaiss, 2009

PS: Senti necessidade de inserir este texto na quarta-feira que antecede a continuação de Reminiscências escolares.

Insistência

Problemas com arrecadação? Reduza os juros! Problemas com inflação? Eleve os juros! Problemas com arrecadação? Aumente o número máximo de prestações! Problemas com inflação? Reduza o número de prestações! Problemas sérios de arrecadação? Reduza os juros e aumente o número máximo de prestações! Descontrole econômico? Faça ajustes!

Se fizeres sempre o que sempre fizeste, obterás sempre o que sempre obtiveste.

Por que será que o Brasil não consegue sair do atoleiro?